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Racismo: cinco livros para discutir o tema

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Confira uma lista com 5 livros para compreender e combater o racismo

Por Ohana Padilha | Culturadora

No dia 20 de novembro é comemorado o Dia da Consciência Negra. A data foi criada com o intuito de discutir e refletir sobre a discriminação racial em nosso país. 

Capa do livro Olhos d'água. Foto: Ohana Padilha
Capa do livro Olhos d'água. Foto: Ohana Padilha

O racismo é um problema estrutural que, há séculos, existe no Brasil e em todo o mundo. Mesmo assim, ainda hoje, é muito mais comum do que deveria casos envolvendo preconceito, injúria racial e outros tipos de violência.

Para lutar e combater o racismo, é necessário, entre muitas outras coisas, informação e conhecimento de qualidade. Assim, listamos cinco escritos por autores negros que apresentam diversas realidades, contextos históricos e sociais para compreender a complexidade do racismo. 

Role para baixo e escolha a sua próxima leitura para o mês de novembro!

 

alcione e conceição evaristo
Foto: Mario Ladeira / Divulgação

Olhos d’água, de Conceição Evaristo

O livro de contos reúne 15 histórias que abordam a discriminaçao racial e de gênero, os problemas sociais e a diversidade das pessoas. 

Conceição tem a arte da escrita. É capaz de nos colocar no lugar dos personagens – sentimos e sofremos como se estivéssemos nas páginas. Do mesmo modo, também consegue nos levar pelos caminhos inocentes das crianças, assim como para lugares de violências e crueldades.  

Olhos d’água também joga luz sobre o sentido da existência, da identidade, cultura, desigualdade, ódio e violações que as pessoas pretas e pobres passam todos os dias em nossa sociedade. 

Em muitos momentos, com o embalo dos personagens e das histórias, nos perguntamos quando deixamos as pessoas à beira do abismo e como podemos mudar isso para a construção de um futuro melhor. 

Conceição Evaristo nasceu numa comunidade da zona sul de Belo Horizonte. Estreou na literatura em 1990, com obras publicadas na série Cadernos Negros, publicada pela organização. 

Olhos d’Água (Pallas Editora, 116 páginas, R$ 28,00)

Capa do livro Cartas para minha avó. Crédito: Companhia das Letras

Cartas para minha avó, de Djamila Ribeiro

Djamila Ribeiro é uma autora brasileira bastante conhecida. O novo livro ‘Cartas para minha avó’ é o mais lírico e poético. 

É autobiográfico em que a autora rememora os acontecimentos e vivências de sua infância, adolescência e da idade adulta para contar à sua querida avó Antônia já falecida. Sendo assim, é um passeio pelas memórias e reflexões que Djamila fez ao longo dos anos. Unindo seu modo de pensar, o ativismo e experiência, a autora conta de maneira íntima sua relação com sua mãe e sua filha. Assim, também reflete sobre as gerações de mulheres pretas de sua família.  

As memórias de Djamila tocam em assuntos importantes como o racismo, o feminismo e a ancestralidade. Também aborda como ofensas em formas de falas podem machucar e criar conflitos nas pessoas pretas.

O livro é, ainda, uma importante recomendação para quem está em busca de identificação e ancestralidade negra. Em vários momentos, nos deparamos com diálogos e falas que ouvimos no nosso cotidiano, mas que não compreendemos toda a sua completude. 

Djamila Ribeiro é uma filósofa, feminista negra, escritora e acadêmica brasileira. É referência no país sobre as questões de racismo e feminismo negro. Seu livro o ‘Pequeno manual antirracista’ foi o mais vendido no Brasil em 2020 

Cartas para minha avó (Companhia das Letras, 200 páginas, R$ 34,90) 

Capa do livro Nascido do crime. Crédito: Editora Vênus

Nascido do crime, de Trevor Noah

O livro é uma autobiografia da infância e juventude do próprio autor. Trevor Noah é um sul-africano nascido nos anos finais do regime do apartheid. É fruto de uma relação proibida por lei entre uma mulher preta e um homem branco, por isso o título Nascido do Crime.

Dessa maneira, o livro narra os percalços que Noah e sua família passaram durante o período do apartheid. Do mesmo modo, conta foram os primeiros anos após a queda do regime segregacionista. 

Narra também como era ser um coloured (mestiço), como a sua identidade fora construída com as adversidades de cultura, língua e hábitos.

O livro chama atenção sobre como Noah narra a maternagem de sua mãe, Patrícia. Ou seja, a mãe do autor é apresentada como uma mulher forte e guerreira que nunca se deixou abater pelas limitações de um sistema racial tão cruel. 

Além disso, Noah mostra que sua mãe foi a grande responsável por fazê-lo sonhar e descobrir um mundo com infinitas possibilidades. Em resumo, a relação entre mãe e filho contada no livro é tocante, sincera, e principalmente, humana — com dores e delícias de qualquer relacionamento.

Do mesmo modo, Trevor Noah narra os problemas estruturais da África do Sul a partir da própria experiência, o que deixa o conteúdo autêntico. Sendo assim, o livro bem humorado, cômico e muitas vezes crítico. A escrita é leve e nos leva a gargalhadas e as lágrimas de forma tocante mesmo lidando com assuntos sérios. 

Se você chegou até aqui e ainda não reconheceu o autor, nos deixe apresentar. Trevor Noah é um famoso comediante e apresentador do programa americano The Daily Show. Também possui dois shows de stand up que estão disponíveis na Netflix.

Nascido do Crime (Verus, 311 páginas, R$ 43,90)

Capa do livro Ventos de Mudança. Crédito: Editora Arqueiro

Ventos de mudança, de Beverly Jenkins

No caos do pós-guerra, a nova-iorquina, Valinda Lacy, vai para a efervescente Nova Orleans, no sul dos Estados Unidos. Lá começa a lecionar para os ex-escravizados que tinham sido libertos com a redenção do sul do país.

Ventos de Mudança conta os desafios que a comunidade liberta teve que encarar com os grupos extremistas, com os atos de violência contra as pessoas pretas, as políticas públicas escassas e o regime segregacionista que se instaurava. Ou seja, ali a liberdade era perigosa.

Mesmo com esse cenário caótico e violento, Valinda dribla as dificuldades para continuar ensinando os libertos a lerem e a escreverem, na esperança de um futuro melhor. Também precisa enfrentar os abusos que seu pai impõe às mulheres de sua família. 

Em meio a esse cenário de perigo e de luta incessante, conhecemos o arquiteto, Drake LeVeq, que logo se encanta pela corajosa e destemida Val. Então, Drake, vindo de uma família importante de Nova Orleans, ajuda Val a perseguir o seu sonho de lecionar para os libertos. 

A narrativa é recheada de aventuras, contextos históricos e personagens interessantes. Também se destaca por ser um romance histórico inclusivo, o que chama a atenção em meio a tantas publicações que são contadas por um ponto de vista de pessoas brancas. 

Beverly Jenkins já recebeu o Prêmio Romancistas da América pelo conjunto da obra em 2017 e o Prêmio Romantic Times de Escolha dos Críticos de 2016 na categoria romance histórico. Tem liderado o movimento pelos romances inclusivos. 

Ventos de mudança (Arqueiro, 240 páginas, R$ 28,50)

Capa do livro O olho mais azul. Crédito: Companhia das Letras
Capa do livro O olho mais azul. Crédito: Companhia das Letras

O olho mais azul, de Toni Morrison 

Na nossa lista não poderia faltar a autora americana Toni Morrison. Ela sempre dá uma aula sobre a questão do racismo na vida das pessoas pretas. 

Na sociedade americana dos anos 1940, uma menina de 12 anos, Pecola, de pele preta e cabelos crespos, reza para ter olhos azuis. Mas na verdade, esse intenso desejo de ter olhos azuis, é a sua intensa busca pelo amor.

Na história, Pecola Breedlove sofre com uma família estruturalmente fragilizada. Com uma mãe que não conseguia demonstrar afeto pelos filhos, com um pai violento e um irmão que não sabia lidar com a desordem daquela família.

O livro também traz a aversão e a repulsa da comunidade sobre a família Breedlove. As situações injustas acometidas com eles por terem a cor de pele mais escura trazendo à tona a questão do colorismo.

A personagem principal tem uma vida desoladora e é um exemplo de até que ponto o preconceito racial pode levar uma pessoa ao abismo. Pecola e sua família sofreram toda uma vida pela falta de amor ao próximo, falta de respeito e empatia.

O livro precisa ser digerido devagar para compreender a magnitude dos conflitos raciais. A leitura é capaz de nos tirar da nossa zona de conforto e proporcionar um mergulho nas questões raciais estruturais. Confira a crítica do livro

Toni Morrison foi uma escritora norte-americana e a primeira mulher negra vencedora do prêmio Nobel de Literatura, em 1993. O olho mais azul foi a sua estreia como romancista em 1970.

O olho mais azul (Companhia das Letras, 224 páginas, R$ 54,90)

@ohana_padilha é jornalista e fotógrafa. Apaixonada por artes, meio ambiente, viagens e tudo que proporciona conhecer novas culturas e pessoas. Acredita no poder da arte de sensibilizar corações e mentes.

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