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Cinco livros para ler mais autoras e autores negros 

Separamos algumas dicas de escritores nacionais e internacionais para você conferir o quão diversa é a produção literária feita por pessoas negras

Por Jaiane Souza *

24/04/2020 às 16:20 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Mario Ladeira / Divulgação

Como em diversas outras artes, a produção literária feita por autores negros foi e ainda continua sendo invisibilizada. Entretanto, as narrativas são diversas, passando por todos os gêneros, como poesia, biografia, poesia e romance, por exemplo. Por isso, selecionamos algumas obras para que você leia e embarque nesse universo riquíssimo da produção literária feita por pessoas negras.

Entre as opções estão clássicos da literatura brasileira como a primeira mulher a ter uma romance publicado no Brasil, Maria Firmina dos Reis, passando por Conceição Evaristo, Marlon James e outros. A ideia é destacar autores de diferentes países e livros de gêneros distintos. Confira e comece a sua leitura.

Úrsula, Maria Firmina dos Reis

Publicado em 1859, este livro é considerado o primeiro romance escrito por uma mulher negra no Brasil. Além disso, é precursor da temática abolicionista na literatura brasileira, sendo anterior a Castro Alves e Joaquim Manuel de Macedo. A obra conta a história de uma trágica história de amor entre os jovens Tancredo e Úrsula, que são marcados por perdas e decepções na família. Entretanto, mesmo com tudo para ser recheado apenas de romantismo, o livro faz uma abordagem crítica à escravidão. Para isso traz e dá voz a personagens escravizados, retrata o autoritarismo e crueldades dos escravizadores e mostra como era o contexto da época no qual foi escrita a narrativa.

Úrsula já foi publicado por diferentes editoras e está disponível em formato digital e físico. Uma das alternativas para adquirir é na Amazon

Breve história de sete assassinatos, de Marlon James

O livro é uma narrativa de ficção que explora um período conturbado da história da Jamaica e tem como pano de fundo o atentado sofrido por Bob Marley e a família nas vésperas das eleições de 1976. Na ocasião, sete homens invadiram a casa de Marley com metralhadoras, mas eles não foram identificados e poucas informações divulgadas oficialmente.

A partir desse fato, o autor Marlon James cria personagens, como assassinos, traficantes, jornalistas e até fantasmas para construir uma história que se passa nas ruas de Kingston de 1970, pelo mundo das drogas em Nova York em 1980 e chega em uma Jamaica transformada nos anos 1990. A obra é bastante aclamada pela crítica e rendeu para o autor o Man Booker Prize em 2015. O livro foi lançado no Brasil pela Editora Intrínseca e está disponível digital e fisicamente

O escritor Marlon James nasceu na Jamaica, mas mora nos Estados Unidos, onde é professor de literatura. Além do livro indicado, ele já lançou outros três.

autores negros

Foto: Joshua Trujillo/AP

A parábola do semeador, de Octavia E. Butler

A autora foi, e ainda é, considerada uma das maiores escritoras norte-americanas de ficção científica da contemporaneidade. Isso porque, ao longo da sua carreira foi contemplada pelos Nebula e Hugo, importantes prêmios do setor de ficção científica e fantasia dos Estados Unidos. As narrativas de Butler fazem críticas às hierarquias contemporâneas e insere discussões e reflexões sobre raça e gênero.

A parábola do semeador se passa em um bairro completamente cercado por muros com cacos de vidro e arame farpado. Há ainda um portão e um sino de alerta. A desigualdade é visível, já que água é um luxo, por exemplo. Para chegar a esse ponto,  muitas mudanças climáticas aconteceram e a economia anda de mal a pior. A personagem principal, Lauren, tem a condição “hiper empatia”, que a faz sentir demais, seja em relação aos outros ou a questões externas. Em determinado momento, sente que uma grande mudança está chegando, mas ninguém dá ouvidos. A partir daí, a narrativa se desenvolve cheia de surpresas e imprevistos e transforma o bairro em um lugar pouco seguro.

Vale ressaltar que a narrativa tem um toque de religiosidade, já que a personagem principal é filha de um pastor e se apega à fé para sobreviver. O livro foi publicado pela Morro Branco Editora. Compre aqui.

Olhos d’água, Conceição Evaristo

Este é um livro para ler em poucas sentadas. Apesar de ser leve e curto, Conceição Evaristo evidencia a pobreza e a violência urbana que acomete e população negra e periférica no Brasil. São histórias cotidianas, do dia a dia e da rotina de pessoas comuns, que acabam tendo fins muitas vezes trágicos simplesmente por causa da condição social em que vivem. Na obra estão presentes mães, filhas, avós, amantes, homens e mulheres. Todos eles com seus dilemas. A ideia de Evaristo é retratar as condições enfrentadas pelos povos negros no país. Olhos d’água é uma publicação da Editora Pallas e está disponível no site.  

Sonhos em tempos de guerra: memórias da infância, de Ngũgĩ wa Thiong’o

O escritor nasceu e cresceu em uma zona rural do Quênia sob os impactos da Segunda Guerra Mundial. Atualmente, é considerado um dos mais influentes da literatura contemporânea africana e, inclusive, periodicamente cogitado para o Prêmio Nobel. É mole? No livro Sonhos em tempos de guerra: memórias da infância Ngũgĩ wa Thiong’o relata memórias, como, por exemplo, a dedicação e vontade em aprender. Além disso, a trama mostra a vida durante a luta pela independência do país do autor. Para isso, relata as dificuldades na vida social e política, a disputa pelo domínio do país pelo Império Britânico e traz à luz conflitos internos do autor na relação entre a classe média e os povos rurais.

O livro é o primeiro da trilogia publicada pelo selo Biblioteca Azul da Globo Livros. Compre aqui

 

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