Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Cinco curiosidades sobre o novo espetáculo do Grupo Giramundo

'O pirotécnico Zacarias' é uma adaptação de contos de Murilo Rubião. A montagem surpreende por misturar as linguagens do cinema e do teatro

Por Carol Braga

12/03/2019 às 17:08

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Foto: Marcos Malafaia/Divulgação

Domingo de manhã. O teatro está escuro. Bastante. Em meio ao breu, os atores se movimentam. Se norteiam pelo som antes que a imagem ocupe o devido lugar na nova montagem do Grupo Giramundo. Se você está acostumado aos tradicionais bonecos, prepare-se para uma outra fase.

‘O pirotécnico Zacarias’ nasce propondo uma série de mudanças. A principal delas: nunca, nos quase 50 anos de existência, a cia criada por Álvaro Apocalypse teve tão pouco tempo para levantar um espetáculo. Os ensaios começaram no dia 07 de janeiro. A temporada vai de 14 de março a 08 de abril.

O texto, inspirado no livro de Murilo Rubião, interliga o conteúdo de cinco contos à figura central do protagonista, o Pirotécnico Zacarias.

“Tem muita coisa para finalizar. Os bonecos estão em uma fase experimental ainda. É um Darwinismo”, compara Marcos Malafaia. Segundo ele, foi um processo tão diferente que até mesmo o modo de produção se assemelhou ao esquema do cinema. Confira a seguir, algumas curiosidades sobre a montagem.

 

Foto: Elmo Alves/Divulgação

 

Reencontro com o público adulto

Não que o público adulto estivesse distante do Giramundo, mas fato é que já fazia bastante tempo que as montagens de classificação livre dominavam o repertório. Desde 1994 que não havia uma montagem para os mais crescidos. E olha que o Giramundo tem clássicos, como Cobra Norato, Os Orixás. Está, inclusive, será remontada em 2019 com a trilha totalmente refeita e gravada por cantores e atores negros de Belo Horizonte.

Muito do retorno do grupo ao teatro adulto se deve à escolha da literatura de Murilo Rubião para se adaptar. Inclusive, vale registrar, oportuna homenagem no centenário do escritor mineiro.

 

Cinema em três camadas

As intervenções em vídeo em O pirotécnico Zacarias são feitas através de três telas localizaras em pontos diferentes do palco. Um dos desafios da direção foi encontrar o equilíbrio entre as tantas linguagens utilizadas. O cinema não pode ser maior que o teatro, assim como a animação não pode apagar o trabalho das máscaras, por exemplo. Embora muita gente não saiba, o Giramundo é experiente no quesito tecnologia. “A gente já tinha essa relação com a tecnologia, mas não de forma tão intensa”, conta Marcos Malafaia. Pelo menos desde 2013 o grupo flerta com as inovações que podem acrescentar à cena.

 

Saem as tintas, entram os lápis

Numa olhada rápida não dá para perceber. É preciso colocar um pouco mais de reparo para se dar conta que as máscaras de O pirotécnico Zacarias foram coloridas com lápis de cor. Confira no vídeo abaixo os detalhes dessa produção. É uma arte de detalhe que também trabalha com texturas. Elas são de gesso e cada uma tem pelo menos duas cores. Na máscara do coelho, por exemplo, a boca me chamou a atenção. As máscaras marcam presença tanto em cena como no filme.

 

 

 

Menos bonecos, mais atores

De acordo com o diretor Marcos Malafaia, essa foi uma demanda natural da própria peça. Talvez seja a montagem do Giramundo que menos bonecos tem no palco. O foco está no trabalho de ator e na relação possível de se estabelecer ao vivo com o cinema de animação. Uma ousadia que tem tudo para gerar um resultado surpreendente. Estão no elenco, Antônio Rodrigues, Beto Militani, Camila Polatscheck e Fabíola Rosa.

 

Mais roteiro, menos texto

Como a montagem de O pirotécnico Zacarias foi levantada em tempo recorde, nem todos os recursos utilizados ficaram prontos ao mesmo tempo. Por exemplo, os vídeos só chegaram finalizados na semana da estreia. Isso fez com que toda a equipe de criação tivesse que ter um entendimento profundo do roteiro. Sendo assim, no dia em que acompanhei o ensaio – ainda sem os vídeos – todos os artistas envolvidos demonstraram impressionante sintonia na imaginação. A marcação foi toda feita a partir de detalhes na trilha sonora. Aliás, aqui já cabe mais um elogio: a trilha, de Gabriel Guedes e Max Lehmmann, é muito legal.

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