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Fotos históricas: obras de Chichico Alkmim chegam a BH

Exposição no Palácio das Artes reforça o legado da arte e mostra o trabalho do fotógrafo de Diamantina, Chichico Alkmim

Por Thiago Fonseca *

08/11/2019 às 08:07 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Thiago Fonseca / Culturadoria

É sobre a construção da história por meio da fotografia que a exposição ‘Chichico Alkmim, Fotógrafo’ chega ao Palácio das Artes. A mostra sobre o trabalho de um dos mais importantes fotógrafos de Minas Gerais reunirá mais de 250 fotos. Registros de casamentos, velórios, batizados, retratos e cotidiano. Os retratos tirados em Diamantina ficarão expostos até o dia 23 de fevereiro com entrada gratuita. 

“Uma exposição sobre o Brasil e a construção da história. Um Brasil de gente simples e trabalhadora. Chichico deixa um registro do conhecimento, da tradição e da história da fotografia no Brasil. Deixa uma fala de um Brasil harmonioso. Além disso, mostra o cuidado que ele tinha com a composição, luz e a valorização das pessoas”, explica Eucanaã Ferraz, curador da mostra. 

Detalhes que devem ser observados

A mostra ocupa a Grande Galeria do Palácio das Artes e, sendo assim, a fachada imponente para a avenida Afonso Pena. A disposição das fotografias lá dentro valoriza a beleza da obra de Chichico. É uma bela homenagem que o curador faz ao fotógrafo. Na entrada, o visitante encontra com fotografias em tamanho real de pessoas diversas, feitas em estúdio. “Foram dispostas para dar uma noção de frontalidade. Sendo assim, elas convidam para adentrar no universo diamantinense”, explica o curador. 

O segundo passo da mostra reúne fotografias feitas em estúdio, em menor dimensão. Dessa maneira, imagens de grupos maiores com apuro no vestuário, na indumentária e na técnica de captação da luz natural. A feição das pessoas é algo incrível que não pode passar despercebida. Vale a pena ficar horas observando. Outro detalhe: os arranjos de flores nas roupas e chão. 

Chichico não se limitou apenas a fotografias feitas sem estúdio. Sendo assim, a terceira parte da exposição, apresenta registros feitos no dia a dia e na cidade. Outro ponto que chama atenção: como o fotógrafo registrava as crianças. A última série de fotos, por exemplo, convida o visitante a observar os rostos, em fotografias 3×4, utilizadas na época para título de eleitor. Tem ainda as fotos ampliadas nos vidros da faixada do Palácio e a caixinha de música que leva fotografias e músicas.

 

Exposição Chichico Alkmim no Palácio das Artes. Foto: Thiago Fonseca/Divulgação

 

Curadoria

“Escolhi as mais de 250 obras, em meio ao acervo de 5500, pela beleza. São fotografias que atravessam a máquina, o fotógrafo e chegam agora na gente. A elegância dos personagens emocionam. Muitas das pessoas  foram fotografadas uma única vez na vida. A construção da pose também impressiona. São narrativas misteriosas que valem a pena ser conhecidas”, pontua Eucanaã. 

De acordo com o curador, todas as imagens foram replicadas a partir do negativo de vidro que era utilizado na época. O acervo foi doado pela família do fotógrafo ao Instituto Moreira Salles, que retoma sua parceira com a Fundação Clovis Salgado. BH é a quarta cidade a receber a mostra, que começou no Rio de Janeiro e já passou por SP e Poços de Caldas. 

 

Curador Eucanaã Ferraz e o autorretrato de Chichico – Foto: Thiago Fonseca / Culturadoria

Técnica que deixa legado

O interessante da obra de Chichico é que ela cumpre o papel da fotografia. Segundo o curador, o fotógrafo foi pioneiro em cenários pintados. Sendo assim, ao passar pelas obras é possível ver como ele tem tecnicamente total controle da luz, do enquadramento e do arranjo. Técnica que é deixada como um legado para a fotografia. Até hoje. Quem quiser conferir, basta conhecer um dos profissionais da fotografia que ainda trabalham no Parque Municipal. 

Há 30 anos Ronaldo Batista da Silva é fotógrafo de lambe-lambe. Sendo assim, a profissão veio do pai, que também passou os ensinamentos para outro irmão. O negócio está no sangue da família. Ninguém fez curso para tirar as fotografias. Em resumo: tudo foi aprendido na prática e no Parque Municipal. O local é onde exerce a função nos finais de semana. Sendo assim, em todo esse tempo, o fotógrafo viu muitas transformações no ofício. 

“Antigamente usávamos aquelas câmeras que enfia a cabeça dentro, demorava 15 minutos para a foto preto e branco ficar pronta e um dia para a colorida. Vinham famílias inteiras para serem fotografadas. Hoje o movimento caiu. Atendo uns 20 clientes por fim de semana. Mesmo vendo que a profissão está desvalorizada, sinto que estou construindo história”, diz Ronaldo. 

Dessa maneira, mesmo sem se inspirar nas obras de Chichico, Ronaldo conta que o controle da luz e o enquadramento são primordiais para uma boa fotografia. Ele conta que para se diferenciar dos demais, procura, assim como Chichico, um olhar único para seus fotografados. “O que de melhor posso deixar é o registro e a história das pessoas”, comenta Ronaldo. 

Chichico Alkmin, fotógrafo

[O QUE] Exposição Chichico Alkmin, fotógrafo 

[QUANDO] 9 de novembro de 2019 a 23 de fevereiro de 2020. Terça a sábado, das 9h30 às 21h; domingos, das 17h às 21h 

[ONDE] Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard – Palácio das Artes – Av. Afonso Pena, 1537, Centro – BH 

[QUANTO] Gratuito

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