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Charlie Brown Jr.: no aniversário de 50 anos de Chorão, entenda porque a banda fez história

Letras simples que representavam a juventude, estilo sonoro e estético estão entre alguns dos motivos para o grupo ser lembrado até hoje

Por Jaiane Souza *

08/04/2020 às 18:04 | *Colaborador

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Foto: Jerri Rossato Lima

Há 50 anos, mais precisamente em 9 de abril de 1970, nascia Chorão, nome artístico de Alexandre Magno Abrão, que viria a se tornar líder do grupo Charlie Brown Jr. em 1992. A banda de rock fez muito sucesso nas décadas de 1990 e 2000 devido às letras sobre temas comuns da adolescência e do início da vida adulta. Além disso, falavam sobre a periferia, trabalho e a busca por sonhos e objetivos. Um dos grandes destaques do grupo era justamente Chorão, que tinha personalidade forte, o que trouxe alguns problemas na trajetória mas, ao mesmo tempo, era muito querido. 

Dessa forma, para homenagear a memória do artista e matar a saudade dos fãs, os atuais integrantes da banda decidiram lançar a turnê Chorão 50. A ideia é passar por três cidades brasileiras tocando os maiores sucessos do grupo em homenagem ao primeiro líder. Belo Horizonte está incluída, mas com o isolamento social devido ao coronavírus a data da turnê está sendo reajustada.

Também pensando nisso separamos, então, alguns fatores que fizeram a banda se destacar e ainda ser lembrada. Confira!

A trajetória de Chorão

Em breve currículo é descrito como cantor, compositor, skatista, cineasta, roteirista e empresário. Entretanto, para conquistar todas essas definições, precisou passar por infância e adolescência difíceis. A mãe era doméstica e fazia pastéis e marmita para complementar a renda. Enquanto isso, ele ia mal na escola, vivia na rua e tinha problemas com a polícia.

A história na música começou aos 21 anos, quando, bêbado, subiu no palco de um bar no intervalo da apresentação de uma banda e começou a cantar. Um frequentador do estabelecimento viu a cena e o convidou para o teste de vocalista em uma banda, a What’s Up. Não foi grandes, coisas, já que Chorão estava rouco e não tinha técnica, mas  ele permaneceu por um período curto, conheceu o baixista Champignon e juntos deram início à história do grupo Charlie Brown Jr.  

 

charlie brown jr

Champignon e Chorão em show Foto: Fred Pontes

Formação de Charlie Brown Jr.

Chorão e Champignon se tornaram amigos e decidiram chamar o baterista Renato Pelado para formar uma banda, juntamente com Marcão e Thiago Castanho. Tudo isso foi em 1990, mas só dois anos depois o grupo recebeu um nome após Chorão se deparar com uma barraca de coco com o desenho do personagem Charlie Brown, da série de tirinhas Peanuts. O “Júnior” veio de uma afirmação de Chorão de que eles eram filhos do rock. Isso porque se inspiravam em artistas e grupos brasileiros de rock contemporâneos à época como O Rappa, Raimundos e Planet Hemp. 

Tendo isso em vista, a sonoridade de Charlie Brown Jr. tinha influências de grupos como Rage Against The Machine, Suicidal Tendencies e Blink 182, por exemplo. Tudo isso misturando reggae, ska, hardcore e skate rock. Essa última característica, inclusive, foi muito importante na vida de Chorão, skatista que chegou a ser vice campeão paulista na modalidade freestyle. Ele também disputou diversos campeonatos e as primeiras apresentações do grupo musical foram em competições de skate. 

Letras

Em 1993, a banda já se destacava nas casas noturnas e foi aí que Chorão procurou por Rick Bonadio, na época presidente da Virgin Records no Brasil e produtor os Mamonas Assassinas. Bonadio gostou das três faixas que recebeu como amostra, contratou o grupo e começou a produção de Transpiração Contínua Prolongada. O título faz referência ao esforço do grupo para gravar e lançar o disco. Após o lançamento, em 1997, o álbum vendeu cerca de 500 mil cópias, sendo bem recebido pelo público e veículos de comunicação. As músicas mais tocadas foram O coro vai comê, Proibida pra mim, Tudo que ela gosta de escutar e Quinta-feira

O sucesso desse e de outros álbuns da banda se deve, entre outros fatores, às letras das canções. A maioria foi composta por Chorão e traduz problemas e diferentes complexidades em letras simples e, ao mesmo tempo, bem trabalhadas. Além disso, as músicas abordavam a cultura de rua, o jovem que muitas vezes era desacreditado e desvalorizado no Brasil, questões políticas, econômicas e sociais. 

charlie brown jr

Foto: Paulo Centurião

Estilo

Outro fator que fez Charlie Brown Jr. se destacar no cenário musical da década de 1990 foi a mescla de estilos musicais. Isso porque unia rock, reggae e rap, por exemplo, com a linguagem e os códigos do hardcore. Isso fez com que o grupo se ligasse diretamente com grande parte da juventude da época que não fazia parte da elite ou que estava à margem da sociedade.

De acordo com os especialistas em música, o grupo foi responsável por dar uma nova cara ao rock brasileiro, ou, até mesmo, fundar um novo estilo. Na transição do século, as bandas contemporâneas ao Charlie Brown estavam em decadência, por causa da rotatividade dos membros, mortes e desentendimentos. Um dos poucos que estavam na crista da onda, ou melhor, no alto das pistas de skate, era os Raimundos e Nação Zumbi (que perdeu Chico Science na época em um acidente de trânsito). Outros conjuntos como Paralamas do Sucesso, Titãs e Barão Vermelho já perdiam espaço. 

Estética

Além de se conectar com o público por causa das letras e da sonoridade, o grupo também criou elo por causa da estética: sempre com os blusões largos, tênis estilo skatista, tatuagens e boné aba reta. Exatamente assim que os músicos subiam nos palcos e iam para a televisão, mostrando que eram da mesma forma e defendiam os mesmo ideais independentemente do cenário ou do contexto.

Em suma, a história de Charlie Brown Jr. é extensa e cheia de nuances. Antes de morrer (março de 2013), Chorão demonstrou a sua vontade em lançar um livro que contasse a história da banda desde a sua formação. O desejo foi realizado em 2017 pelo filho Alexander Abrão. A obra Eu estava lá também – Um livro criado por Chorão é composto por mais de 300 fotos feitas por Jerri Rossato Lima, fotógrafo oficial da banda. As imagens são de bastidores, de gravações em estúdio, de momentos pessoais e das turnês feitas entre 2005 e 2012. 

 

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