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Chantal Akerman ganha exposição inédita no Rio

Por Thiago Fonseca *

28/11/2018 às 13:46 | *Colaborador

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Foto: Cristina Lacerda / Divulgação

RIO DE JANEIRO – Foi entre 2013 e 2014 que o produtor cultural Beto Amaral decidiu que iria homenagear Chantal Akerman (1950-2015) em uma mostra no Brasil. Chegou a trocar e-mails e fazer vídeo-conferência com a artista. Entretanto, em 2015, com a notícia do suicídio da cineasta, Beto achou que o projeto não sairia do papel. Três anos depois ele se concretizou. O Oi Futuro, no Rio de Janeiro, inaugura a primeira exposição no Brasil, com recorte único, sobre a obra da artista belga e sua inserção no universo das artes visuais.

Chantal Akerman – Tempo Expandido’ ocupará até o dia  27 de janeiro de 2019 três andares do centro cultural. Estão na mostra videoinstalações e fragmentos de filmes da cineasta. A curadoria é de Evangelina Seiler e assessoria artística de Claire Atherton, editora que trabalhou 30 anos com Akerman. “Chantal era uma pessoa muito direta. Mostrou estar bem interessada no projeto. Quando ela morreu achei que não seria possível realizar a mostra. Porém, em 2016, Claire entrou em contato comigo e demos sequência. Escolhemos uma curadora mulher, assim como a cineasta pediu, e Claire acompanhou o processo”, conta Beto.

A cineasta que viveu durante anos em Paris ficou conhecida em todo mundo por abordar em seus filmes elementos como a passagem do tempo, a memória, o cotidiano e temas relacionados ao feminino. Pautas que podem ser vistas nos filmes, como por exemplo, ‘Jeanne Dielman’, de 1975, ‘News from home’, de 1977, e ‘No home movie’, de 2015. Chantal além de ser cineasta, foi também escritora e atou em vários dos seus longas.

 

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Referência para o cinema

O desejo de homenagear Akerman veio de uma admiração de Beto pelo trabalho da cineasta. Além disso, Chantal é considerada dona de um olhar singular sobre o universo feminino. Ainda como construtora de um ritmo que rompeu com vários dos cânones do cinema de seu tempo. “Uma cineasta que abriu caminhos para olhar feminino no cinema e que são importantes para o momento que estamos vivendo”, pontua Beto.

Sendo assim, o coordenador artístico da exposição, não quis mostrar ao público apenas filmes de Chantal, mas sim suas videoinstalações. Trabalhos que fizeram Chantal participar de algumas das mostras mais importantes do mundo, como a Documenta de Kassel e a Bienal de Veneza. Suas obras nessa área foram desenvolvidas com base em alguns de seus próprios filmes.

“Chantal era uma pessoa espontânea e que tinha uma experiência pessoal peculiar. Esta foi a primeira vez que trabalhei com uma artista que não está viva. É muito diferente lidar com o legado da pessoa. Sendo assim, escolhi obras no sentido de fazer uma homenagem. É uma mostra única e um olhar feminino sobre a obra da cineasta”, explica Evangelina.

 

 

Claire Atherton acompanhou de parto a montagem da exposição – Foto: Cristina Lacerda / Divulgação

 

Instalação

Dessa forma, o público poderá conferir no primeiro andar as instalações ‘O Anoitecer em Xangai e ‘O Quarto’. A primeira conta com a exibição de imagens feitas na cidade chinesa e com dois aquários que representam a secura humana. Já a segunda, foi criada a partir de imagens do filme homônimo de 16mm, lançado em 1972. O segundo andar do prédio abriga a instalação ‘Maniac Summer’. Ela é composta por imagens e sons da rotina da cineasta gravados em Paris, no verão de 2009.

Já o terceiro andar, recebe a videoinstalação In the Mirror (1971-2007). Nela é exibida uma cena de ‘L’Enfant Aimé ou Je joue à être une femme mariée‘, 16mm, de 1971. Nela uma jovem nua, em frente a um espelho, examina o próprio corpo detalhe por detalhe. Para a montagem foram gastos sete dias. Tudo acompanhado por Claire e por técnicos europeus.

Tempo Expandido

Para explorar bem a exposição, o visitante precisa ter tempo e conhecer o trabalho da cineasta. Dessa forma, a seleção das obras fica mais fácil de ser entendida. Mas quem não conhece o trabalho da artista também consegue entender a exposição. Uma dica que Evangelina deixa é que as pessoas possam ver os documentários sobre a Chantal para expandir a experiência.

Entre todos os temas trabalhados por Chantal, o tempo é de fato uma das questões mais emblemáticas tanto na exposição, quanto na carreira dela. Algo que a cineasta dizia ser essencial para a percepção da narrativa. Dessa forma, seu cinema é feito de quadros aparentemente estáticos e de tomadas longas, sem cortes rápidos. “Baseado nisso e na questão de como o tempo é percebido por cada um, que decidi dar o nome à exposição. Que as pessoas venham e tenham experiências diferentes”, ressalta Evangelina.

Segundo Alberto Saraiva, curador de artes visitais do Oi Futuro, trazer a exposição para o espaço é uma escolha que traz benefícios não apenas para o cinema. Ele espera que a exposição possa transitar pelo Brasil. Entretanto, até então, a exposição só ficará em cartaz no Rio. Em Minas, Beto andou conversando com a Casa Fiat de Cultura para receber a mostra, contudo, não há nada concreto.

 

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*Thiago Fonseca viajou ao Rio de Janeiro a convite do Oi Futuro.

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