Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Celso Adolfo se apresenta no projeto Jardim Musical

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O cantor e compositor Celso Adolfo repassa os 40 anos de carreira em apresentação no jardim da Casa Belloni

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Celso Adolfo se recorda que tudo começou em 1982, quando subiu ao palco do Teatro da Imprensa Oficial com o show “Coração Brasileiro”, “que era também o nome da minha música mais ‘redondinha'”, conta. “Aliás, costumo dizer que foi a primeira música minha que tinha pé, cabeça e violão”, brinca. Ocorre que, na plateia, estava ninguém menos que Milton Nascimento, que, ao fim da apresentação, já estava totalmente decidido a registrar a música. “E acaba que eu toquei violão na gravação dele, que fez parte do LP ‘Ânima’. Em seguida, Milton revela que faria o meu primeiro disco. E daí, minha vida mudou totalmente”, relembra o cantor e compositor.

Celso Adolfo, que se apresenta no Projeto Entrevista Musical (Eduardo Gontijo/Divulgação)
Celso Adolfo, que se apresenta no Projeto Entrevista Musical (Eduardo Gontijo/Divulgação)

Com mais de quatro décadas de trajetória artística para brindar, pois, Celso Adolfo adentra o palco intimista da Casa Belloni nesta quinta-feira, dia 9 de novembro, para participar do projeto Jardim Musical, idealizado pela produtora Márcia Francisco. O jardim do espaço – onde acontecem as apresentações – será aberto para o público às 19h. O show tem início previsto para as 20h, com término às 22h. O bistrô estará em funcionamento. Os lugares serão ocupados por ordem de chegada.

Ponto de partida

Voltando ao curso da carreira, Celso Adolfo conta que a música “Coração Brasileiro”, a que chamou a atenção de Milton Nascimente, nasceu, na verdade, em 1978, no tempo que era funcionário público. “Eu tinha me formado em Estradas e estava trabalhando no DER. Assim, compus essa música nas pranchetas do meu trabalho, enquanto lia o ‘Grande Sertão: Veredas’, de Guimarães Rosa, pela primeira vez. Então, escrevi a letra e ficava ali, imaginando como seria a melodia, o violão de acompanhamento e tal”, rememora.

Em 1982, veio o já citado show no Imprensa Oficial. “Espaço que depois passou a se chamar Teatro Clara Nunes e, hoje, está fechado. E nesse show, o Milton Nascimento, como disse, estava presente. Dali nasceu uma convivência, uma amizade maravilhosa. Depois, o Milton quis ouvir mais músicas minhas. Acabou escolhendo exatamente ‘Coração Brasileiro’ para Ânima. Me lembro que perguntei: ‘Quem vai tocar o violão?’ E ele falou: ‘Você mesmo, o Pratiano’. Ele sempre me chamou de Pratiano, e, da minha parte, sempre chamei ele de ‘Nascimento’. Então, falei: ‘Vamos embora'”, recorda Celso Adolfo.

Uma gravação para ficar na memória

Assim, Celso Adolfo e Bituca rumaram para o Rio de Janeiro. “Dá para imaginar a emoção que é tocar para Milton Nascimento cantar, né? Por mais que a música fosse minha. Em seguida, o grupo Uakti entrou e fez o restante do trabalho, e ainda tivemos o luxo de ter a presença do Juarez Moreira na faixa. Ele deu aquela pincelada de leve, sutil, que completa uma ideia. Bom, a partir dali, eu encarei a carreira pra valer, pedi demissão e fui em frente, pra valer”, conta.

“Pratiano”

A partir dali, então, Celso Adolfo lançou vários discos, sendo “Pratiano” o mais recente. “Olha só, o Milton me chamava de ‘Pratiano’ e o meu mais recente disco se chama assim. É uma dedicatória à minha cidade. Veja, não é um disco dedicado exclusivamente às coisas da minha cidade, São Domingos do Prata, mas é dedicado à minha cidade. Porque, nele, eu contemplo gêneros, temas variados. E tudo isso, claro, tem sempre um ponto de origem. Que são os meus primeiros acordes lá, na minha cidade natal”.

“Nós Dois”

Desse modo, no show da Casa Belloni, Celso Adolfo vai percorrer todas as fases da trajetória. “Eu vou cantar, do meu primeiro disco, ‘Calango Dela’, ‘Flor Bonita’… Do seguinte, ‘Flor Bem Vinda’. E vou cantar ‘Nós Dois’, música de 1982. Aliás, é a única composição minha da qual sei data, hora, local… Que sei tudo sobre ela, isso nunca saiu da minha cabeça. Assim, compus ‘Nós Dois’ no Edifício Panorama. Foi no dia 18 de fevereiro de 1982, às 17h30, 18 horas”.

Repertório

Depois, o show prossegue com músicas de outras fases. Assim, do CD “Estrada Real de Villa Rica”, por exemplo, tem “Barcarola Lusitana”. Já do disco “Remanso de Rio Largo”, inspirado em “Sagarana”, de Guimarães Rosa, Celso Adolfo canta “Amor Doído”, “Faquinha, Quicé” e “Ralando o Coco”. “Depois, já no fim, canto ‘Brasil, Nome de Vegetal’, que é de 1995, do disco que tem esse mesmo nome. Aliás, nessa faixa, na gravação original, o Milton Nascimento canta comigo”.

“Pratiano”

A canção que vai encerrar o show será “Pratiano”. “Ela teria mesmo que ser a última, porque se refere ao disco atual, ‘Pratiano’, com o qual eu chego aos 40 anos de vida artística”. A música, revela ele, foi composta de tanto que Celso Adolfo ficou a olhar um retrato dele, criança, tirado em uma festa de aniversário, no qual aparece junto a amigos da cidade natal. “Eu tinha por volta de sete anos de idade e vestia paletó, camisa branca, calças curtas e sapato preto envernizado. Na foto, estou com as mãos no bolso. De tanto ver essa imagem, me veio a composição”.

Na sequência, ele fala mais da inspiração. “A ideia que tive foi a seguinte: ‘O que aquele menino pensava naquele momento? O que estava na cabeça daquele menino?’. Como eu tenho uma memória claríssima de tudo que vai me acontecendo, lembro perfeitamente o que se passava na minha cabeça com aquela idade. E a letra é longa, a música é longa. Assim, vou fazendo uma viagem a partir do momento no qual o menino de calças curtas começa a pensar o que queria da vida”.

Celso Adolfo conta que a letra vai caminhando até que se fecha no momento em que aquele menino é o adulto de hoje. “E são sete minutos para contar essa história. Na verdade, quando toco, quando canto, sinto vontade até que ela tivesse mais tempo, sabe? Sei lá, dez minutos, 12, para ir contando mais coisas”, assume o artista.

Serviço

Projeto Jardim Musical recebe Celso Adolfo
Nesta quinta-feira, dia 9 de novembro, às 20h.
Casa Belloni (Av. João Pinheiro, 287).
Ingressos: R$ 60, à venda via Sympla

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