Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

“CASA FRANCISCO”: Entrevista com Francisco, el Hombre sobre o novo álbum do grupo

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Mateo Piracés-Ugarte, da banda Francisco, el Hombre, conversou com o Culturadoria sobre CASA FRANCISCO, disco mais recente do grupo.

Por Letícia Finamore | Culturadora

Pop, punk, funk, música latina e MPB: essa é a essência da banda Francisco, el Hombre, que comemora o lançamento de seu terceiro álbum, “CASA FRANCISCO”. Quem conhece o grupo pode se alegrar: toda a essência do quinteto se encontra perfeitamente compactada nas dez faixas do disco. Mesmo em trinta minutos, é possível dançar, cantar e rodar com esse trabalho que soa como extrato de carnaval.

Francisco, el hombre lança seu novo álbum "CASA FRANCISCO". Foto: Julia Pessini
Francisco, el hombre lança seu novo álbum "CASA FRANCISCO". Foto: Julia Pessini

Além do disco, o grupo coloca no mundo um reality show que mostra os processos anteriores ao lançamento de “CASA FRANCISCO”. Disponível no YouTube, a série conta com quinze episódios datados desde outubro, e nela é possível ver os bastidores de Francisco, el Hombre. Para se preparar para a composição do disco, a banda se isolou ao longo de um mês com o intuito de explorar caminhos insólitos e buscar inspirações em novas sonoridades – que, mesmo distintas, não permitem que o grupo perca sua identidade já conhecida. 

Mateo Piracés-Ugarte, responsável pelo violão e pelos vocais da banda Francisco, el Hombre, conversou com o Culturadoria sobre o mais recente trabalho do grupo.

CASA FRANCISCO é um dia tão animado! Qual mensagem, sensação, vocês queriam colocar nesse disco?

Nós conseguimos compor por volta de cinquenta músicas quando nos reunimos para começar a trabalhar no disco, e em uma segunda imersão já fomos logo peneirando e pensando quais daquelas composições queríamos gravar, qual era o conceito do nosso disco. Nos dedicamos a trazer um acalanto, a fazer um disco que entre na casa das pessoas levando alegria, leveza e esperança – e é até por isso que decidimos terminar o CASA FRANCISCO com “Nada Conterá a Primavera”. O RAZGACABEZA, nosso último disco, é um disco enérgico, pensado para shows. Já o CASA FRANCISCO não: ele é pensado pra você ouvir em casa, lavando louça, arrumando o quarto. 

Então o nome CASA FRANCISCO parte dessa questão do acalanto?

CASA FRANCISCO é o nome que brotou na nossa frente como óbvio por vários motivos e um deles é esse, de entrar na casa das pessoas e trazer um acalanto, ser um lugar de lar, de cômodo. Mas na verdade ele surgiu por diversas razões. Uma delas foi que nós começamos a idealizar o álbum na pandemia, quando ninguém estava se encontrando.

Nós fizemos imersões e aproveitamos para ficar juntes na antiga casa da Ju, imersos, vivendo, compondo, comendo, bebendo, festejando, criando, dormindo, vivendo nosso lar, nossa casa. Fizemos uma série de imersões de composições, arranjos, e peneiragem e fomos sempre compartilhando isso com nosso público. Algumas faixas foram criadas com participação do público, que nos perguntava: “Ah, vocês vão fazer a ‘Casa Francisco’ de novo?”. Pensamos em muitas coisas quando fomos decidir o nome do disco, mas do nada percebemos que o nome do disco já estava dado, e foi dado pelo nosso público… É Casa Francisco! Veio dessas imersões, desse último ano em que todo mundo ficou muito em casa e fez as pazes ou as guerras com seu lar. 

Os integrantes da Francisco também apostam em suas carreiras solo, paralelamente aos trabalhos com a banda. Dá para afirmar que rola alguma influência desses projetos na Francisco?

Os trabalhos solos criaram uma tranquilidade muito maior entre nós. Somos muito amigues e para sempre seremos, mas é normal que em uma relação de banda, como em qualquer relação, tenha seus desentendimentos, suas conversas, suas discussões. Nós desenvolvemos vários projetos paralelos dentro da banda – o Seb com o Sebastianismos, a Ju com o Lazúli, eu com o BABY. A partir do momento em que podemos escoar nossas intenções e novos escapes criativos, conseguimos focar naquilo que nos une na Francisco, o que é uma experiência bem legal.

O CASA FRANCISCO mostra bem fortemente o resultado disso. Pela primeira vez não tínhamos que provar nada para ninguém. Queríamos fazer um disco que só a Francisco, el Hombre faria. Decidimos ser felizes e tocar o que gostamos de tocar, o que a gente faz. É por isso que esse é o disco mais Francisco de todos: só traz músicas que nos unem, que nos representam totalmente. 

Quando começaram a surgir os projetos solo foi muito interessante ver como cada um aplicou o conhecimento que adquirimos juntos na Francisco, el Hombre. Quando nos reunimos para compor o CASA FRANCISCO, cada um chegou com novas referências – desde maneiras de criar música, até maneiras de produzir, contatos para videoclipes, mixagem, novas ideias e por aí vai. O público fica assustado quando começam a surgir projetos paralelos dentro das bandas, com medo de que tenham brigas e que a banda acabe. No caso da Franscisco isso pode parecer ainda mais amedrontador porque o Gomes saiu da banda no ano passado, mas uma coisa que temos bem claro é que esses projetos existem para que a Francisco, em si, possa durar para sempre. 

O que é que CASA FRANCISCO tem de diferente dos outros discos que o torna o disco “mais Francisco de todos”, como você bem disse?

Tem mais maturidade. CASA FRANCISCO é um disco que nós mesmos produzimos em dois processos diferentes: um assinado pela banda e outro por mim. Já passamos por outras experiências, produzimos outros discos, e agora nos encontramos em um ponto de maturidade diferente, tanto de composição, quanto de produção, quanto de arranjo, experiências essas que não tivemos antes. Várias músicas que entraram pra esse disco já existiam, mas nós nunca nunca tínhamos sentido que estavam no ponto, que conseguiam representar todo mundo. CASA FRANCISCO é diferente porque bate e tem uma alegria, mas que não é só um expurgo porque ali também tem uma leveza. 

Em muitos momentos da nossa carreira pensamos na estratégia e no pop, no famoso furar a bolha, principalmente com single – a gente gosta de experimentar e o single é pra isso. Nós pensamos no contrário para esse trabalho porque é um saco pensar em música como um produto. Não fizemos um disco para furar a bolha: fizemos um disco para a nossa bolha, que soa como o motivo pelo qual as pessoas escutam nossos trabalhos, pelo qual as pessoas vão aos nossos shows. Esse foi o nosso foco, até porque não estamos aqui para provar nada para ninguém e sim para fazer o que a gente sabe.

Quanto à produção musical, a banda se preocupou em conseguir fazer arranjos que valorizassem o que a gente toca. O ouvinte percebe o Andrei tocando guitarra, ouve  a bateria que só o Seb toca, a voz da Ju vindo com tudo, os coros que a gente tanto valoriza, músicas para serem cantadas juntas… 

Vocês fazem parcerias com diversos artistas no CASA FRANCISCO. De onde surgiu a ideia de convidar cada um deles?

Nós sempre quisemos fazer um som com a Céu, com a Josyara e com a Dona Onete – com a Dona Onete em especial, e com muito orgulho posso dizer que hoje em dia ela é uma grande amiga minha. Por outro lado, tinham artistas que nós não conhecíamos, mas que a musicalidade, as letras e o objetivo musical eram afins, como no caso do Rubel. Já o La Pegatina já era conhecido, mas não muito. Sabíamos que tinha tudo a ver com músicas de celebrar a vida, então foi meio que a soma dos outros dois casos.

Uma coisa que nós fizemos foi deixar todas as canções gravadas antes de fazer as participações. Então a música que gravamos com a Céu já estava gravada sem a Céu, por exemplo. Esse foi um outro ponto de maturidade que tivemos no CASA FRANCISCO, de deletar voluntariamente nossas vozes, entregar a participação para os artistas e confiar no resultado final porque essa galera é espetacular. Então escolhemos as faixas a dedo, pensando nas que mais combinavam com cada artista, e no fim tivemos surpresas inacreditáveis. É um sonho poder fazer um disco com participações tão talentosas. Pô, Céu, La Pegatina, Rubel, Josyara e Dona Onete? Incrível demais.

Como vocês já entregaram as canções prontas, rolou alguma influência depois da gravação desses convidados?

Totalmente! Mudamos um monte de coisa… A Dona Onete mudou a letra, a estrutura da música. Ela foi cantando do jeito dela e ficou incrível, maravilhoso. E aí depois a Josyara trouxe uma nova maneira de cantar com o violão, o La Pegatina mudou a música do avesso, a galera se empolgou. As músicas mudaram muito, sempre para o melhor. E é legal, porque já estávamos acostumados a ouvir essas músicas de certa maneira, e aí chega alguém e muda isso, faz um tipo de remix orgânico… Nossa, é maravilhoso! Você fica com mais vontade de ouvir a música, sabe?

E por falar nesses grandes artistas, quais são as principais influências da Francisco, el Hombre em CASA FRANCISCO?

Acho que podemos dividir em dois tipos de influência. Um deles é o grupo dos artistas que são quase intangíveis, que desde o começo da banda sempre nos guiou, que é o caso de Manu Chao e Mano Negra. Achamos esses sons muito incríveis, fomos atrás disso, e com certeza essas são as maiores influências da Francisco desde o começo.

O outro tipo de influência é o que vem das bandas que estão ao nosso lado, fazendo um trampo paralelo, o que eu acho muito legal. Quando você vê que tem gente do seu lado fazendo discos incríveis, shows incríveis, videoclipes incríveis, como  uma Academia da Berlinda, um BaianaSystem ou uma Mulamba, dá vontade de ser tão sensacional quanto. São pessoas tangíveis que você pode trocar ideias, inspirações, informações. A banda Gilsons também influenciou muito os nossos arranjos, mesmo o som deles não tendo nada a ver com a Francisco. A gente sequer se conhece, mas tenho certeza que esse encontro ainda vai rolar e que será muito massa trocar uma ideia com eles.

Quais são os planos de vocês daqui para frente?

Já temos shows marcados! Em dezembro estaremos voltando aos palcos. Até agora só temos um show anunciado em São Paulo, mas em breve anunciaremos datas no Rio de Janeiro e em Porto Alegre, se tudo der certo! Nossa agenda do ano que vem já está começando a ser preenchida, lotando pouco a pouco. Que alegria, finalmente tocar! Tudo o que a gente queria!

Para finalizar, conta para a gente o que você tem ouvido ultimamente e que você pensa que é uma boa sugestão pros nossos leitores.

Nossa, tem várias coisas! Tenho gostado muito, muito mesmo, de ouvir Nathy Peluso, uma artista argentina incrível. Ela sempre foi muito talentosa, quando conheci seu trabalho ela não era tão pop, inserida no universo em que ela está agora. Acompanhei a Nathy crescer com sua personalidade, sua capacidade de cantar, trazendo uma personagem maravilhosa. Gosto muito de acompanhá-la, indico a todos a ouvir e conhecer Nathy Peluso.

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