16 maio 2018

Quatro motivos para conferir a exposição ‘Cartografia Imaginária: A Cidade e suas escritas’

Belo Horizonte completou no ano passado 120 anos. Suas doze décadas e um passado de 15 mil anos foram registradas na Mostra ‘Cartografia Imaginária: A Cidade e suas escritas’, em cartaz na Galeria de Arte GTO do Sesc Palladium, até o dia 8 de julho. A mostra propõe diálogo entre arte urbana, literária e visual da cidade. Além disso, as obras ainda levantam discussões atuais sobre espaço urbano, ocupações políticas e criativas, a ideia de espaço público como bem comum e a dimensão coletiva.

De acordo com o curador Maurício Meirelles, é uma mostra para a cidade que conhece muito pouco sobre si mesma. “Não são só 120 anos. A história da cidade começa a ser construída com seus primeiros habitantes há 15 mil anos. A exposição traz à tona uma cidade que vai sendo construída no plano simbólico. Dessa forma, expõe determinadas questões que fazem parte da vida de BH e são elaboradas em diferentes gerações”, explica o curador.

A exposição faz parte do eixo temático Língua Portuguesa, que norteia a programação do Sesc Palladium até julho. Sendo assim, formada por uma mescla de autores ligados à cidade, como Drummond e Pedro Nava. Igualmente prioriza autores contemporâneos, como Adriane Garcia e Ricardo Aleixo, dentre outros. A exposição conta com acervo histórico de instituições públicas. A curadoria é de Marconi Drummond e Maurício Meirelles. Confira quatro motivos para você não perder a exposição.

A história desconhecida de BH

O acervo é bem diversificado. Em resumo: é constituído por mapas, pinturas, fotografias, lambes, stickers, livros, jornais, revistas, poemas, trechos de narrativas, vídeos, animações. Retratam desde os primeiros habitantes da região até os dias atuais. Assim, os curadores lançam um olhar contemporâneo sobre a história urbana da capital.

É possível ver no acervo os primeiros mapas, a construção e planejamento da cidade. Sob o mesmo ponto de vista, fotos destacam a construção de pontos turísticos como a Igrejinha da Pampulha, o Viaduto de Viaduto Santa Tereza e outros. Ainda há obras que destacam a história recente. Tudo de uma maneira que dialoga com a literatura. Um discurso que toca quem gosta da cidade.

A exposição ainda mostra plano de ocupação e resignificação para alguns espaços. Também critica a deterioração do meio ambiente. Dessa forma, na obra de Nydia Negromonte é possível ver fotos de amostras de água da Lagoa da Pampulha. Nelas a artista inseriu notas de degustação extraídos de rótulos de garrafas de vinho para mostrar a degradação da água.

 

Foto: Tarcisio de Paula / Divulgação

Evidência questões em aberto na cidade

O interessante da mostra é que ela é montada com um percurso, não linear, através da história literária e urbana de Belo Horizonte. Assim o visitante pode começar por onde quiser. A exposição é dividida em oito setores. “O Arraial”, “A Cidade Imaginária”, “Modernidade no Horizonte”, “Eclipse, brilho, ocaso”, “Geografia Mutilada”, “Desencanto Urbano”, “À Margem nas palavras” e “Periódicos: prática permanente da vanguarda”.

Segundo Maurício Meirelles, o objetivo foi colocar em evidência questões em aberto na cidade. “Belo Horizonte é permanentemente reinventada pela arte e recriada no plano ficcional. Atualmente, busca-se ocupar o espaço urbano com ações criativas e políticas que pensam a cidade em sua dimensão coletiva, como espaço afetivo e de troca. A exposição discute essas questões. Então, percebemos que muitas delas, como a do espaço público como lugar do bem comum, continuam abertas”, pontua Maurício Meirelles.

Uma discussão que nos faz pensar sobre nosso papel na construção da cidade. Você sai de lá refletindo.

Montagem parte da Língua Portuguesa

Baseada na ideia de “mapas literários”, a mostra investiga as relações entre o concreto e o imaginário. Dessa maneira, os curadores exploram interseções da literatura com outras linguagens artísticas. É bem interessante. Seu objetivo é mostrar como uma outra cidade, feita de palavras e imagens, vem sendo construída pela imaginação de seus narradores. Tem muitos livros e textos que reforçam essa ideia.

As atividades foram selecionadas a partir do reconhecimento do idioma como patrimônio imaterial, pensando a memória social, afetiva e geográfica da língua. Outro norte para a definição das atrações foi a percepção do português do ponto de vista crítico.  A fim de mostrar o marco civilizatório criado numa palavra considerada pela curadoria como viva e dinâmica.

 

Foto: Tarcisio de Paula / Divulgação

Interatividade que dialoga com a arte

A aposta na interatividade é cada vez mais frequente nas exposições. Tanto que jogos, realidade aumentada e imersão são cada vez mais comuns. Tudo para tornar a experiência mais lúdica. Neste caso, utiliza-se áudios, vídeos, projeções e jogos.

Em ‘Cartografia Imaginária: A Cidade e suas escritas’ trecho das obras do autores podem ser ouvidos em fones espalhados por toda a instalação. Ainda é possível ver a projeção de outros fragmentos no chão e nas paredes. De maneira lúdica, os visitantes podem construir uma escrita iconográfica com carimbos de símbolos passados, que substituem as letras.

[O QUE] Exposição ‘Cartografia Imaginária: a cidade e suas escritas’ [QUANDO] De 12 de maio a 8 de julho, de terça a domingo de 9h às 21h [ONDE] Galeria de Arte GTO do Sesc Palladium – Av. Augusto de Lima, no 420, Centro – BH [QUANTO] Gratuito

 

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