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Carnaval ameaçado? O que pensam alguns blocos sobre o futuro da folia em BH

Festa pode ser cancelada por conta da pandemia e blocos já traçam alternativas para uma nova realidade

Por Thiago Fonseca *

02/07/2020 às 10:28 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Caca Lanari / Divulgação

As fantasias de carnaval já começam a aparecer no caderno de desenhos de Lujakson Cunha, de 27 anos. Isolado em casa, ele continua o exercício anual de criação mesmo sem saber se em fevereiro de 2021 o traje poderá se materializar. Ele foi um dos coordenadores do Alô Abacaxi em 2020, que assim como outros blocos de Belo Horizonte, trabalha com a hipótese do cancelamento da folia. O jeito é estudar novas formas enquanto o cenário ainda é incerto.

Já era de se esperar. O carnaval é uma festa de aglomeração, o que não é recomendado pelas autoridades durante uma pandemia. Sem uma vacina ou cura, difícil a realização em seus moldes históricos. Ou seja, muita gente na rua, sem distanciamento e muitas vezes com máscaras bem distintas dessas que temos sido obrigados a usar.

Dessa maneira, em entrevista ao portal de notícias BHAZ, na quarta-feira (01/07), o prefeito da capital mineira, Alexandre Kalil (PSD), começou a sinalizar que o carnaval no próximo ano deve ser cancelado por conta do cenário. Não só aqui, mas em outras cidades do Brasil. Na Bahia, por exemplo, o governador Rui Costa (PT) afirmou que sem a existência de uma vacina contra o novo coronavírus é impossível pensar no evento.

Conversas

“Fizemos uma reunião com a Liga dos Blocos para pensarmos em medidas para evitar a surpresa e estarmos cientes das possibilidades do cancelamento do carnaval. Neste momento, estamos na luta da sobrevivência. A folia perdeu o plano primário até entre os organizadores”, revela Geo Cardoso, presidente da Liga Belo-horizontina de Blocos de Rua e coordenador do Baianas Ozadas.

A liga, composta por alguns blocos, surgiu no ano passado e discute planos e propostas para o setor. “É um mercado que depende de aglomeração. A festa só pode acontecer da maneira que já existe depois da vacina e da análise de imunidade. Temos que reinventar o carnaval, jogar para frente ou fazer fora de época”, ressalta Geo.

 

Carnaval em 2020 reuniu 4,45 milhões de foliões – Foto: Alexandre Guzanshe / Divulgação

Alternativas

Lujakson segue linha de pensamento semelhante à de Geo. Segundo ele, sem vacina não tem folia na rua. “Devemos olhar para história e ver o que aconteceu em outras epidemias para pensar no futuro. O carnaval vai acontecer, assim que liberado. Vai ser uma festa diferente: um misto de tudo que pode ser na rua”, comenta. Luajakson já estuda algumas possibilidades do digital e promete divulgar em breve.

Artista e empreendedor da música e do carnaval, Di Souza participou ativamente da construção da folia na cidade. Segundo ele, o cancelamento em 2021 é algo possível, contudo, não afetará a história doa festa. “Provavelmente vai surgir um novo modelo, como o online, mas não vai acabar. A data está no calendário e não é possível desaparecer com a pandemia”, destaca.

Di Souza é otimista. Sendo assim, acredita que, se tiver vacina até o fim do ano, ainda vai dar para fazer algo em um modelo diferente. Com controle de pessoas, por exemplo. “Podemos desfilar parados para controlar o número de pessoas e a distância entre elas. Enquanto esperamos o momento, estamos trabalhando e potencializando ações”, conta. O Então, Brilha tem realizado, por exemplo diversas ações no digital. Dessa maneira, lives com shows, bate-papo com os foliões estão entre as possibilidades.

Impactos 

Com o cancelamento do carnaval, a pandemia de certa forma pode interromper o crescimento da folia na cidade. Além disso, o impacto é na economia, uma vez que, em 2020 BH recebeu 4,45 milhões de foliões contando 22 dias de pré-carnaval e o feriado prolongado. Desses, 79,8% foram turistas, que injetaram na cidade R$ 156 milhões, segundo dados da Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte, a Belotur.

 

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