Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

“Caracol”, de Irene Bertachini, estreia na Funarte MG

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Direcionado às crianças, “Caracol” tem sessões neste sábado e no domingo, dias 16 e 17 de março, na Funarte MG

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Neste sábado, 16 de março, o palco da Funarte MG recebe a estreia do musical “Caracol”, idealizado pela cantora, instrumentista e compositora Irene Bertachini. Com texto construído coletivamente, o espetáculo narra as aventuras de um simpático molusco, que, em cena, procura a própria casa. Para atingir tal objetivo, ele contará com a ajuda de duas crianças. No palco, além de Irene, estarão os artistas cênicos Sidarta Riani e Lilian Amaral, acompanhados por Cici Floresta (percussão) e André Oliveira (violão).

"O Caracol": da esquerda para a direita, Irene, Cici, Lilian, Sidarta e André (Lucas Bois/Divulgação)
"O Caracol": da esquerda para a direita, Irene, Cici, Lilian, Sidarta e André (Lucas Bois/Divulgação)

O musical, vale dizer, nasce do contato de Irene com a obra infantil do poeta, professor, ficcionista, ensaísta e pesquisador da cultura e da religiosidade afro-brasileira, Edimilson de Almeida Pereira. Ao Culturadoria, Irene Bertachini diz acreditar que “Caracol” tem o potencial de despertar, nas crianças, um encontro com a poesia, a música, a criatividade e a diversidade de linguagens. “Desse modo, em cena, o caracol se vê sem casa, mas, com imaginação logo vai perceber que o que tanto busca, na verdade, já está com ele”.

Raízes

Ou seja, a narrativa aborda a busca pela identidade, bem como a importância de cada um se afirmar enquanto ser único. Não bastasse, o enredo de “Caracol”, aliado à poesia do mineiro Edimilson, enfatiza a importância de alimentar as nossas raízes. “A poesia do Edimilson me encanta por falar das tradições afrobrasileiras de uma forma poética, ao mesmo tempo que traduz a riqueza dessas manifestações com as palavras dele”, diz Irene.

Trilha sonora

Além de texto e da fonte poética citada, a música é um componente importantíssimo na encenação. Desse modo, “Caracol” se vale de referências e sonoridades afro-brasileiras e latinas, além da MPB. A direção artística é de Eugênio Tadeu (Rodapião e Serepele) e a coordenação musical, da própria Irene. “Na verdade, a trilha sonora foi construída coletivamente. Portanto, tem canções minhas, do Sidarta e da Lilian, bem como parcerias com André Oliveira e Rapha Sales”.

Tal qual, músicas de outros compositores. Nesse caso, a América Latina, por exemplo, se faz presente por meio de canções dos argentinos Ruth Maria Hillar e Juan Sebastian, do grupo Canticuénticos, e de uma colombiana, Marta Gomez. “O Eugênio Tadeu também trouxe canções lindas, a começar de uma de domínio público, ‘Casinha de Bambuê’. Do mesmo modo, ‘Saquinho Plástico’, do paulista Hélio Ziskindi”.

Parcerias

Uma parceria especial que marca “Caracol”, prossegue Irene, foi uma música composta com a compositora e cantora moçambicana Lenna Bahule. “Admiro muito o trabalho dela, que morou em São Paulo por um tempo, antes de voltar a Moçambique. Falei com ela sobre a possibilidade de uma parceria e ela topou fazer essa canção para a gente”.

Numa análise geral, Irene observa que a construção da sonoridade de “Caracol” veio da vontade de apresentar uma diversidade grande de músicas e estilos para a criançada. Desse modo, proporcionar, ao público infantil em formação, uma experiência diversa, colorida e enriquecedora. “Para que seja uma fagulha de inspiração para a forma de elas verem o mundo e de escutar música”.

Paralelo

Na verdade, Irene Bertachini traça um paralelo das escolhas musicais com a alimentação. “Assim, quando pensamos em uma alimentação saudável, sempre priorizamos alimentos coloridos, ricos em nutrientes, cheios de sabor, orgânicos… Os colhidos diretamente do pé são ainda mais desejáveis. Nesse sentido, penso a mesma coisa com relação à música. Ou seja, trata-se de se conectar a músicas que têm uma dinâmica diferente da chamada ‘música de mercado’. Requer um degustar mais lento, demanda prestar mais atenção no que é dito. Porém, são canções que alimentam a criatividade e a alma inventiva das crianças”.

O espetáculo conta com a colaboração artística da atriz circense Adriana Morales (Grupo Trampulim), que realizou uma oficina de palhaçaria com os intérpretes. A iluminação é de Flávia Mafra, o cenário de Raí Bento (Grupo Giramundo) e os figurinos, de Manuela Rebouças.

Clipe “Caracol”

No último dia 8, o clipe e o single Caracol serão lançados no dia 08 de março. A canção conta a odisseia do caracol para encontrar a sua casa. As ilustrações são da artista visual Amma. Jackson Abacatu assina o roteiro da animação, desenvolvida por ele e por Rodrigo Simões.

Assim, ao longo de sua caminhada, o personagem Caracol vai ganhando novas cores, de forma diferente e criativa. De acordo com Irene, ela e Sidarta fizeram um brainstorming e, na verdade, o roteiro inicial do espetáculo foi criado a partir dela.

SERVIÇO

Estreia “Caracol”
Quando. Sábado, 16 de março, às 16h – entrada gratuita
Domingo, 17 de março, às 16h – ingressos a R$ 30 e R$ 15 (meia)
Pelo Sympla ou 1 hora antes na bilheteria
Onde. Funarte MG (Rua Januária 68 – Centro)
Mais informações: instagram @irenebertachini

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