Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Conheça origem, trajetória e influências de Bráulio Bessa

Após o sucesso da declamação de cordéis na TV e nas redes sociais, o poeta cearense tornou-se poeta best-seller
Bráulio Bessa. Foto: Igor de Melo/Divulgação
Bráulio Bessa. Foto: Igor de Melo/Divulgação

“Quando a falta de esperança/decidir lhe açoitar,/se tudo que for real/for difícil suportar…/É hora do recomeço./Recomece a SONHAR”. Você, provavelmente, já leu ou ouviu estes versos em algum vídeo enviado no grupo de sua família no WhatsApp. Eles foram escritos por Bráulio Bessa e fazem parte do poema “Recomece”, que, segundo o próprio autor, tornou-se um de seus “clássicos”, pois trata-se do poema pelo qual ele é geralmente reconhecido.

O poeta nordestino ganhou notoriedade nacional a partir de 2014, quando começou a declamar suas poesias de cordel no Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo. O quadro apresentado por ele no programa se chamava “Poesia com rapadura”, nome dado, posteriormente, ao primeiro livro do autor, publicado em 2017. Contudo, sua atuação na difusão da cultura nordestina é bem anterior a isso. Abaixo, contaremos um pouco da trajetória e das influências deste artista que, atualmente, é nome de destaque na poesia brasileira.

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Trajetória

Bráulio Bessa Uchoa nasceu em 1985, no pequeno município de Alto Santo, no interior do Ceará. Foi na escola que teve contato, pela primeira vez, com a poesia nordestina. A partir daí, passou a admirar e a frequentar cantorias de viola em sua cidade. Ainda adolescente, participou de grupos de teatro de rua, e até fez parte de uma banda chamada Alto Samba. 

Sua crescente paixão pela cultura do Nordeste fez com que Bessa criasse, em 2011, uma página no Facebook, chamada Nação Nordestina, para publicar conteúdos sobre tradições, expressões populares e culinária da região. A página tinha mais de um milhão de seguidores, quando, em 2014, o escritor publicou um vídeo em que declamava o poema “Nordeste Independente”, de Bráulio Tavares e Ivanildo Vila Nova. Veja abaixo:

A publicação foi uma resposta bem-humorada aos ataques que os nordestinos estavam sofrendo nas redes sociais. Isso ocorreu após a apuração dos votos da eleição presidencial daquele mesmo ano. Dessa forma, não demorou para que o vídeo viralizasse. Bráulio Bessa foi, então, convidado, pela equipe do Encontro, a falar, no programa, sobre o preconceito histórico contra seu povo.

Popularidade

Desde então, a popularidade de Bessa cresceu bastante, e ele se tornou um fenômeno nas redes sociais. Seus vídeos a declamar os próprios cordéis cativaram milhões de brasileiros, contribuindo com a recente tendência de crescimento das vendas na categoria de “poesia nacional”.

De acordo com dados da empresa de pesquisa de mercado GfK, as vendas na categoria aumentaram 107%, entre os meses de janeiro e agosto de 2018, em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O aumento reflete, justamente, a popularização da poesia no espaço virtual, onde jovens poetas publicam textos e conquistam milhares de seguidores, como é o caso de João Doederlein, Ryane Leão e Zack Magiezi. Assim, os livros de poesia desses e de outros autores ganharam espaço na lista de best-sellers do país.

Influências e literatura de cordel

Aos 14 anos, por meio de um trabalho da escola, Bráulio conheceu a poesia de Patativa do Assaré, importante cantador, violeiro e repentista cearense. Segundo o artista, foi a partir daí que sua relação com a arte se estreitou. A escrita marcadamente regional de Patativa encantou Bessa, e ele logo passou a sonhar em se tornar poeta.

Inspirado pela obra do cantador de Assaré, começou a escrever poemas no mesmo estilo informal. Sendo assim, usava rimas e métrica, próprio da literatura de cordel. A manifestação literária surgiu no interior do Nordeste e se popularizou no final do século XIX.

O nome “cordel” remete ao fato de que, à época, tais poemas eram impressos em folhetos expostos, nas feiras, em cordas ou barbantes. Geralmente, os cordéis versam sobre a vida no sertão, a seca e a fome, além de abordarem a cultura, os costumes e as tradições nordestinas.

Ainda na escola, Bessa conheceu a arte da declamação de poemas, ao ouvir um CD do grupo musical pernambucano Cordel do Fogo Encantado. A forma como o vocalista Lirinha declamava os cordéis fez Bráulio se interessar pelas técnicas de oralidade da poesia e, desse modo, construir seu próprio estilo.

Livros publicados

Além de Poesia com rapadura, Bráulio publicou outros dois livros: Poesia que transforma (2018, Editora Sextante), e Um carinho na alma (2019, Editora Sextante). Ambos foram muito bem recebidos pela crítica, tendo conquistado elogios de grandes artistas brasileiros, como Milton Nascimento, Xico Sá, Lázaro Ramos e Juliana Paes.

Bessa também publicou um pequeno livro interativo – que apresenta perguntas a serem respondidas pelo leitor – chamado Recomece, em 2018. O título faz referência a um de seus poemas mais conhecidos. Atualmente, o poeta trabalha em novo livro, ainda sem data de lançamento.


Bráulio Bessa. Foto: Igor de Melo/Divulgação
Bráulio Bessa. Foto: Igor de Melo/Divulgação

Laura Rossetti cursa o 8º período de Jornalismo na PUC Minas. Possui experiência em assessoria de imprensa e produção de conteúdo na área cultural. Tem um blog chamado Registros de Bolso onde publica poemas, crônicas, resenhas de livros e outros textos autorais. Em seu tempo livre, adora ler, bordar e assistir filmes dramáticos. Participou da primeira turma do Laboratório Culturadoria de Jornalismo e Crítica Cultural.

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