fbpx
Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

BH in Solos e Curta Dança: teatro, circo e dança tomam conta da cidade nos próximos dias

Eventos têm espetáculos, oficinas, bate-papos e ocupam diversos espaços da capital mineira

Por Jaiane Souza *

05/12/2019 às 15:21 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

Publicidade - Portal UAI
Espetáculo Atendendo a Pedidos, de Robson Vieira Foto: Patrícia Ferreira / Divulgação

Além da tradicional agenda cultural agitada, este fim de semana, em especial, será o derradeiro para dois eventos que procuram verticalizar a pesquisa em duas áreas específicas. No caso, a mostra BH in Solos aborda a comédia e tem ainda o Festival Internacional Curta Dança. Ambos surgem de iniciativas independentes de artistas que, por não conseguirem se adequar aos sistema de editais e afins, decidiram bancar os próprios eventos. E eles seguem com força!

O riso é um movimento espasmódico que pode levar uma pessoa à catarse. Tendo isso como base, Robson Vieira realiza a sexta edição da BH in Solos, mostra de espetáculos cênicos individuais, com o tema Rir também é resistir. O objetivo é fomentar a produção e difusão de apresentações com uma única pessoa em cena.

Essa ideia nasceu do desejo de circular os meus solos enquanto artista. Eu via que os festivais não abarcavam o formato e nunca conseguia me inscrever”, explica Robson Vieira, idealizador e curador da BH in Solos. Foi, então, que ele resolveu fazer o próprio festival e acabou se consolidando como um dos poucos projetos no Brasil com essa ideia. 

Falta de apoio público

É desde 2013, que o artista Robson Vieira busca apoio de leis de incentivo para realizar o BH in Solos, “mas apenas duas vezes eu consegui aporte financeiro”, desabafa. Todas as outras vezes precisou contar com parcerias para a realização da mostra. Em 2019, por exemplo, conta com o Sesc e o Sesi. As apresentações são realizadas no Teatro de Bolso do Sesiminas (R. Álvares Maciel, 59, Bairro Santa Efigênia) e no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Av. Augusto de Lima, 420, Centro). Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia).

O tema

“A gente pode ter a ideia de que a comédia é menor no teatro, mas eu busco desmistificar esse ponto de vista e mostrar que o riso vai muito além”, comenta Robson Vieira. Só para exemplificar o seu ponto de vista ele fala sobre o Porta dos Fundos, que ganhou o Prêmio Emmy Internacional de Melhor Comédia. A premiação foi concedida por causa do especial de natal Se beber, não ceie para a Netflix. A produção provoca religiosos ao mostrar apóstolos acordando de ressaca depois da última ceia.

Em 1991, Robson começou a pesquisar o cômico nas artes cênicas. Isso resultou na programação do BH in Solos, que traz palhaços e artistas do teatro.

Destaques da programação

Em primeiro lugar o destaque vai para a peça Minha mãe é uma comédia, de Beto Sorolli. No dia 6 de dezembro, às 20h, no Sesiminas, o ator faz uma reflexão descontraída e afetiva sobre a vida de Catarina, que precisa seguir em frente depois de uma traição. Ainda no Sesiminas, desta vez no domingo às 20h, Maikon Sipriano leva Shakespeare para o Morro do Papagaio. A comédia ácida com os personagens Otelo, Desdêmona, Cássio e Iago transformados em Othélio (nome do solo), Mona, Cassim e Tiago, aborda a impunidade, o feminicídio, o racismo e a violência.

Robson Vieira também se apresenta na mostra no dia 12 de dezembro com o espetáculo Atendendo a pedidos. A narrativa convida o público, de forma irônica, cômica e trágica, a redimensionar crenças e responsabilidades. Ou seja, rever como cada um lida com as relações. A apresentação é no Sesc Palladium. No dia 14, é a vez do comediante Edgar Quintanilha subir ao palco com Sexo – a ideia fixa da humanidade, onde conta a história do sexo. A narrativa vai desde a pré-história até a contemporaneidade. A intenção é fazer o público refletir sobre um assunto que ainda é tabu. 

 

Foto: Lucas Iago / Divulgação

Festival Internacional Curta Dança

Os próximos dias também são de dança na capital Mineira. Oficinas, mesa de debate, café de interação e, claro, apresentações artísticas é a proposta de programação do Festival Internacional Curta Dança, que é realizado em Belo Horizonte até 10 de dezembro em 5 espaços da cidade. A mostra surgiu como uma alternativa aos grandes festivais, que têm como objetivo fazer apresentações competitivas.

“Aqui, a nossa ideia é fazer com que as pessoas mostrem o seu trabalho da melhor forma possível sem que seja preciso escolher qual é a melhor para levar um prêmio específico”, esclarece Cris Diniz, que pediu para ser identificado como curadore e idealizadore do projeto. Ele solicitou essa nomenclatura já que tem o gênero fluido. O termo é utilizado quando a pessoa se identifica de forma variada, algumas vezes cis, outras com diferentes gêneros, indefinidos, nenhum e por aí vai. 

Café com Trocas e Programação

A criação da rede de contatos (Café com Trocas) vai ter um local especial para ser realizada: o Centro de Referência da Juventude (R. Guaicurus, 50, Centro de BH). O encontro entre entre artistas, produtores, gestores, programadores e interessados para intercâmbios e parcerias vai ser em 7 de dezembro, das 15h às 18h. 

A programação é realizada em cinco espaços da cidade. São eles: Teatro Marília – Av. Prof. Alfredo Balena, 586 – Santa Efigênia; Centro de Referência da Juventude – Rua Guaicurus, 50 – Centro; Espaço Aberto Pierrot Lunar – R. Ipiranga, 137 – Floresta; Espaço Morada – R. Rio Grande do Sul, 1029 – Santo Agostinho e Espaço Cafuá – R. Brasília, 417, Carlos Prates.

Também estão sendo realizadas oficinas e bate-papos para aprofundar no tema da dança. Entre elas a oficina Gestão para dança, que está sendo ministrada pela paraguaia Alejandra Días, e Diálogos contínuos – biografia de um corpo mestiço em movimento, que fica sob responsabilidade da boliviana Dana Isabel Piedrahita. O foco é a discussão sobre o corpo mestiço da Colômbia. A presença de nomes estrangeiros é resultado da parceria da mostra Curta Dança com o Corredor Latinoamericano de teatro, que começou na última edição. Rubia Romani, de Curitiba, foca em um workshop oferecido para mulheres. A Oficina Burlesco é dedicada àquelas que desejam descobrir outras potencialidades do corpo, explorar movimentos distintos e desconstruir padrões. A técnica utilizada é teatro, dança e o burlesco. 

Programação

“A programação foi dividida de forma que o público tenha contato com diferentes técnicas e estéticas. Por isso os temas são mesclados e os espetáculos bem diferentes entre si durante a realização do evento, como flamenco, hip hop e dança de salão”, conta Cris Diniz. Sendo assim, para os próximos dias ainda dá tempo de conferir os espetáculos. O destaque vai para VACI(j)A VACÍA de UNA sujeta múltiple de Dana Isabel Jane Piedrahita (Medelin), que usa a técnica da dança contemporânea; para Sopa de Papel, do Colectivo Carretel (Bogotá), que usa a dança teatro; e para Garra, do Núcleo Eus – Etnografias Urbanas Subversivas de Salvador. O grupo coloca em foco a dança negra e as suas vertentes. As apresentações são realizadas nos dias 7 e 9 respectivamente.

Serviço

O BH in Solos é realiza de 5 a 15 de dezembro no Sesiminas e no Sesc Palladium. Os ingressos custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia). [COMPRE AQUI]

O Curta Dança é realizado em parceria com o Corredor Latinoamericano de teatro, que vai permitir a presença de artistas do Paraguai e da Colômbia, por exemplo. O projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de BH com patrocínio da MGS. Compre aqui e veja a programação completa

photo

Agenda do fim de semana: 6 de dezembro

Quando a gente acha que vai ter uma semana sem implicações com a arte e a cultura, vem logo duas. A nomeação do maestro Dante Mantovani para a Funarte é assustadora. Como alguém escolhe para o cargo máximo da instituição alguém que acredita que os “Beatles surgiram para implantar comunismo” ou que “o rock ativa […]

LEIA MAIS
photo

Mumia 2019: filmes que você não pode perder na mostra

Mesmo com a programação 44% mais enxuta do que na edição passada, a Mostra Udigrudi Mundial de Animação – MUMIA 2019 é realizada quase que por um milagre. O idealizador Sávio Leite até cogitou em não colocar o projeto em cartaz. Seria a primeira vez em 17 anos. O motivo? Falta de patrocínio. Dessa forma, […]

LEIA MAIS
photo

Cinco razões para você não perder Rincon Sapiência em BH

De 6 a 8 de dezembro, Belo Horizonte será tomada pelo Descontorno Cultural e as primeiras atividades do Circuito Circuito Municipal de Cultura. Sendo assim, serão mais de 200 atrações gratuitas, de diferentes linguagens artísticas, que contemplam do público infantil ao idoso. Os 17 centros culturais da cidade serão ocupados além de outros espaços culturais. […]

LEIA MAIS