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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Conheça os bastidores e memórias de quem faz a Mostra de Tiradentes

Equipe do evento revela detalhes invisíveis aos olhos de públicos e contam histórias construídas ao longo do tempo

Por Thiago Fonseca *

22/01/2019 às 15:23 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Leo Lara/Universo Produção

Quem chega a Tiradentes para participar da Mostra de Cinema e se encanta com a estrutura nem imagina todo o trabalho da produção. São mais de 2 mil pessoas empregadas, direta e indiretamente, para o evento acontecer. Muitos já somam mais de 20 anos na equipe.

No dia 2 de janeiro quando Quintino Vargas, diretor técnico da Mostra, chegou na cidade para montar a estrutura logo foi surpreendido. Era preciso esvaziar estacionamento da rodoviária e realocar os artesãos para montar o Cine-Tenda. Contudo, um ônibus quase impediu o processo. “O veículo estava parado e era preciso retirá-lo. Descobrimos que o dono era de BH, pegamos a chave com ele e eu mesmo tirei do espaço e levei até a prefeitura”, conta Quintino.

Processo de Montagem

Após a desocupação da área a equipe de montagem precisa delinear a área. Em seguida, começa a montagem das tendas e todo o processo arquitetônico. Segundo Quintino, um trabalho sequenciado. “Uma tenda tem 20×45 metros e outra de 20×10 metros. Elas são de material tubular revestido e flexível para aguentar rajadas de ventos de até 100 km/h. Depois a gente faz as divisões internas, cenografia conforme o projeto arquitetônico, ligação entre elas, calha, iluminação projeção e sonorização”, detalha.

As tendas vieram em duas carretas de São Paulo. Para a montagem, ainda foram necessárias outras quatro, incluindo caminhões muque. Além do Cine-Tenda, é preciso montar o Cine-Praça e estrutura dos outros espaços que recebem as atrações. “Nada em Tiradentes está pronto. Não pregamos um prego e nem amarramos em nada, dessa forma, tudo é montado e desmontado. A gente ainda tem todo um cuidado, como por exemplo, utilizar geradores nas exibições, testar todos os filmes antes da exibição, preservar os patrimônios, organizar e trânsito da cidade”, explica Quintino.

Para dar conta disso tudo, o diretor técnico da Mostra conta com uma equipe de mais de 70 pessoas. Só no trânsito são 46, além dos da técnica, segurança, apoio, exibição, sonoplastia e iluminação. Todo material utilizado na Mostra é reaproveitado. Dessa forma, as lonas viram sacolas que são distribuídas entre equipe e convidados. Os tecidos, madeiras e estrutura também são reaproveitados.

A Voz da Mostra

Mas a estrutura nem sempre foi assim. Luiz Carlos Gomes, aptesentador dad atrações desde a primeira edição conta que acompanhou muitas mudanças na estrutura do evento. “Quando a mostra começou era uma tenda de circo. Eu fazia as apresentações desde a abertura até o encerramento. Ajudava distribuir os panfletos, carregava sombrinha pros convidados, fazia um pouco de tudo”, lembra.

Vindo do rádio e com carreira sólida em jornalismo esportivo, Luiz conta que ficou apreensivo quando recebeu o convite. “Tinha uma parceria longa com os produtores da Mostra. Fiquei assustado porque nunca fui ligado ao cinema. Mas deu tudo certo. E hoje passei a me envolver mais nesse universo”. Hoje, não é o único na função, contudo, é figura conhecida na cidade pelo tempo dedicado a Mostra.

“Passei a ser chamado como o ‘cara do cinema’. Ando na rua e as pessoas me param. As pessoas gostam do meu trabalho e eu amo dar voz ao evento. É preciso preparação e amor. E eu amo, principalmente rever os amigos. Fiz vários durante esses 22 anos”, conta.

‘Rosane nos acuda’

As amizades também são as lembranças mais valiosas que Rosane Hallack Félix leva da Mostra. Começou na lojinha, hoje está na secretaria. O serviço dela é essencial para que vários outros aconteçam. “Sou responsável pelas oficinas e Mostrinha de cinema. Entrego a credencial para os participantes, dou apoio em geral e ainda fico responsável pela turma do Pipoca. Muita gente chega aqui desesperada e eu tento resolver a situação”, diz.

Quem tiver precisando de algo é só aparecer por lá. Professora em tempo integral, Rosane faz questão de tirar um tempo na agenda para trabalhar em Tiradentes no mês de janeiro. “Me sinto muito útil, principalmente na Mostrinha, pois levo cinema para muitas crianças que nem foram no cinema. Além disso, há as amizades que colho e levo ensinamentos pra vida”, afirma.

Ariane Lemos está há 15 anos na assessoria de imprensa da Mostra – Foto: Jackson Romanelli/Divulgação

Cinema é notícia

Até que a informação chegue a você uma equipe de 15 pessoas trabalha intensamente muito tempo antes de começar. A comunicação é composta por assessores de imprensa, fotógrafos, editores de foto, rede sociais, Tv Mostra e produção audiovisual. Segundo Ariane Lemos, há 15 anos na assessoria de imprensa, o trabalho é feito em três etapas.

“Temos o período antes, durante e depois do evento. Trabalho de divulgação de pautas, atendimento a imprensa e levantamento de resultados”, detalha. Ariane entrou na equipe como estagiária da empresa que fazia a comunicação e continuou. “Antes, o clipping era todo impresso, cadernos gigantes com todo o material divulgado na imprensa. Hoje já é tudo digital. Lembro ainda dos rolos de filme que ficavam guardados no Yves Alves prontos para exibição. Tinha ainda as fotos que eram reveladas em São João Del Rei”, relembra.

Acompanhar as mudanças e avanços, segundo ela, é um aprendizado grande. “Toda edição saio uma profissional melhor porque consigo levar para meu campo de atuação outras funcionalidades que a Mostra consegue me proporcionar”, conclui.

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