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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

O borogodó de Antônio Pitanga e outros pontos altos da CineOP

Por Carol Braga

26/06/2017 às 06:39

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Antônio Pitanga durante apresentação do longa 'Pitanga'. Crédito: Leo Lara/Universo Produção

O documentário No intenso agora, de João Moreira Salles, encerra nesta segunda (26/06) a 12ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Foram  seis dias em que o audiovisual como patrimônio esteve presente em mesas de debates e também nas telas da cidade histórica. Este ano,  77 filmes, sendo 13 longas, 4 médias e 60 curtas-metragens estiveram na programação.

Sessão de ‘Pitanga’ na Praça Tiradentes. Crédito: Leo Lara/Universo Produção

Sempre penso que uma mostra de cinema deve ter algo que a aproxime do público comum da cidade. O mote da CineOP é a preservação o que significa um assunto – embora urgente –  hermético. Interessa a uma plateia bem especializada. Como afirmou o argentino André Levinson, preservador do Museo del Cine de Buenos Aires, “vivemos em uma era de puro presente”. Falar sobre os cuidados com acervos, sobre como guardar nossos passados – audiovisuais ou não – se tornou coisa de especialista.

Nesse cenário a exibição do documentário Pitanga, dirigido por Beto Brant e Camila Pitanga foi o momento mais popular da 12ª CineOP. Assim como ocorreu em janeiro, na Mostra de Cinema de Tiradentes, o ator esteve presente para comentar o longa. Pitanga não esconde o orgulho que tem do trabalho.

“É um retrovisor tão rico”, comentou durante o encontro que teve com a plateia na manhã de domingo (25). Antônio Pitanga fala sem ponto final e brinca com isso. Não tem o menor problema: é um excelente contador de histórias. Veja o vídeo.

 

Antônio Pitanga anunciou em Ouro Preto que fará um filme sobre um fragmento da  história do Brasil em que os negros se organizaram para tomar o poder. O longa vai se chamar Malês. No elenco estarão Lázaro Ramos, Taís Araújo, Rocco Pitanga, Patrícia Pilar, João Miguel e outros. “É uma história que eu quero contar de um movimento não de negros coitadinhos”, detalhou.

No bate-papo com o público o ator não escapou – nem refutou – de dar opinião sobre a política brasileira. Pitanga soltou logo três “Fora Temer” e defendeu o engajamento dos jovens em movimentos em favor das Diretas Já.  Veja o vídeo:

 

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Preservação Digital

A forte de presença do debate em torno da preservação digital é um sinal da urgência de se discutir esse tema. Pelo que pude perceber em dois debates que abordaram o tema na 12a CineOP, são poucos os consensos. Inclusive internacionalmente, já que a mesa A experiência latino-americana na preservação audiovisual foi pensada para explorar fronteiras.

Resultado? Fala-se muito sobre os dados armazenados na nuvem, sobre os formatos, sobre os suportes para exibição. Não é um assunto fechado. Estamos em pleno processo de adaptação.

Os seminários na CineOP ocorreram durante o dia. Foram duas salas com debates simultâneos e todas lotadas. Sinal de que o perfil do evento é bastante delineado para este tipo de discussão. A impressão que eu tive é que o evento está mais para seminário do que para festival, ainda que as projeções de filmes históricos ocupem a programação noturna.

Esse pensamento se reforçou na noite de sábado quando na sessão de estreia do documentário Rosemberg – cinema, colagem e fatos o Cine Vila Rica tinha muitos lugares vagos. Um sinal de que a cidade – seus moradores e seus turistas – não se relacionam com o evento de uma maneira completa.

Documentário sobre o cineasta Luiz Rosemberg Filho foi exibido no sábado (24). Crédito: Duda Las Casas

Rosemberg

Uma pena porque o documentário Rosemberg – cinema, colagem e fatos, dirigido por Cavi Borges e Christian Caselli foi um dos pontos altos da programação do fim de semana.

 Claro que os filmes, as colagens feitas por Luiz Rosemberg Filho são representações do pensamento dele. Mas longa cumpre um papel diferente. É um recorte do “empalavramento” de Rô. O pensamento em evolução e de que forma ele – a pessoa, não apenas o artista – reage ao mundo.

Em 66 minutos de projeção os diretores conseguem sintetizar com muito afeto a forma como Rosemberg interpreta o mundo, as relações, a política, a arte. Infelizmente o cineasta personagem não pode comparecer à CineOP, festival pelo qual ele já afirmou ter muito respeito.

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