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Cinco motivos para conferir a exposição de Athos Bulcão no CCBB-BH

Por Thiago Fonseca *

10/04/2018 às 16:46 | *Colaborador

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Foto: Acervo Fundação Athos Bulcão

As múltiplas facetas de Athos Bulcão chegam a Belo Horizonte nesta quarta-feira, dia 11. A exposição comemora os 100 anos do artista consagrado em Brasília no CCBB. O objetivo é promover um mergulho profundo na diversidade da obra dele e desvendar o processo criativo. Os curadores Marília Panitz e André Severo escolheram mais de 300 obras criadas entre 1940 e 2005.

A mostra, em cartaz até o dia 24 de junho, contextualiza a trajetória de Bulcão. A seleção passa pela inspiração inicial da azulejaria portuguesa, pelo aprendizado sobre utilização das cores, quando foi assistente de Portinari, até as duradouras e geniais parcerias com Niemeyer e João Filgueiras Lima, o Lelé.

Dividida em oito núcleos e organizada cronologicamente, “100 Anos de Athos Bulcão” destaca a pintura figurativa, croquis, figurinos, trabalhos gráficos e os lenços que ele desenhou quando estava em Paris. Reúne também peças inéditas para o grande público, como esboços da arte da azulejaria, além de obras de artistas mais jovens que, direta ou indiretamente, foram influenciados por ele. Confira cinco motivos para você não perder a exposição.

Foto: Thiago Fonseca

É o artista que te conduz pelas obras

Sabe aquela mania de chegar na exposição, não entender a obra e sair lendo os textos explicativos? Esqueça. Em “100 anos de Athos Bulcão” não há explicação dos quadros. Apenas um texto de abertura e uma linha do tempo. Os curadores fizeram questão de não aparecer e deixar o artista falar por meio de suas obras e, assim, conduzir o público.

“Em muitas exposições é difícil você chegar na obra por conta da quantidade de textos. Eles acabam chamando mais atenção e não levam o público a refletir. As vozes e as provocações  aqui são do próprio Athos. Cada trabalho mexe de maneira diferente com cada um. É isso que queremos provocar: o olhar, a percepção e a interpretação pessoal”, explica André Severo, um dos curadores.

Além disso, o fio condutor para a montagem foi baseado em uma entrevista concedida por Athos para Carmem Moretzsohn. Isso em 1998, no Jornal de Brasília, nos 80 anos dele. A partir da narrativa do artista para a própria trajetória, os curadores criaram oito núcleos.

A sensação é de que você esta dentro do ateliê de Athos e a qualquer hora ele poderá chegar e te convidar para um cafezinho. A disposição cronológica aposta nos vínculos, mais ou menos evidentes, entre diferentes momentos vida dele. A estrutura das obras e estudos deixam evidente a diversidade conceitual e material que permeiam todo o trabalho do artista.

 

 

Foto: Thiago Fonseca

Mostra explora as várias facetas do artista

Muita gente conhece Athos Bulcão pela azulejaria, mas ele passou a vida atrás de formas de expressão e se tornou multifacetado. “Mais do que um grande colorista, Athos foi um artista que buscou outras formas de se expressar e entender o mundo. O artista não trabalha para dizer coisas e sim para entender’, pontua André.

Na Mostra, é possível constatar que Athos está na brasilidade das cores, nos traços inconfundíveis dos desenhos, na personalidade das pinturas e na lógica imprevista das fotomontagens. Ainda se apresenta na força dos cenários e figurinos, na relação com a arquitetura, no sagrado e no profano.

A primeira sala, diferente do que muita gente imagina, não começa com os azulejos do artista. São os croquis que Athos Bulcão fez para o grupo de teatro “O Tablado” do Rio de Janeiro, os figurinos das óperas “Amahl” e “Os Visitantes da Noite de Menotti”, lenços exclusivos, capa de livros de Fernando Sabino e da revista “Módulo” que dão as boas-vindas ao visitante.

Na pintura, a série dos carnavais dialoga com a linguagem sacra. Ainda há paramentos litúrgicos modernistas, grande acervo de seu trabalho gráfico, azulejaria, fotomontagem, colagens, divisórias e paneis acústicos.

Mostra valoriza artistas influenciados por Athos

Não é comum ver nas exposições a presença de outros artistas. Em “100 anos de Athos Bulcão” os curadores deram espaço para colegas influenciados por Athos Bulcão.

A escolha, segundo a curadora Marília Panitz, foi pelo fato de Athos ter sido um grande mestre. “De alma generosa, que ensina, troca e aprende. Então, para gente era importante trazer para a exposição trabalhos que se inspiram no artista. Para isso, criamos a sala Rastros de Athos”, explica.

Foto: Thiago Fonseca

Disposição das obras chama atenção pelas cores e formas

A maioria das exposições tem as paredes brancas ou pretas ao longo de toda sua extensão. Em “100 anos de Athos Bulcão” elas são coloridas de acordo com a paleta de cores usada por ele. As cores variam de acordo com os módulos. Ainda dialogam com os trabalhos, que tem cores características de cada fase do autor.

Ao longo de toda a mostra o visitante pode observar a reprodução de  alguns dos relevos acústicos do artista.  Ainda algumas divisórias utilizadas em diversos prédios públicos. Eles quebram a estética de paredes lisas e tiram a monotonia da exposição. As obras estão por todos os lados: no chão, no teto e até do lado de fora do museu.

Interatividade que dialoga com a arte

A aposta na interatividade é cada vez mais frequente nas exposições. Elas se apresentam por meio de jogos, realidade aumentada e imersão. Tudo para tornar a experiência mais lúdica. Neste caso, é no Núcleo 7, Interagir com Athos Bulcão – transformar a cidade, é que ela se apresenta. Um jogo por meio de reprodução de imagens projetadas na parede da sala permite que o público possa experimentar os azulejos do artista sobre superfícies de prédios escolhidos dentro do repertório oferecido pelo jogo. É bem interessante.

Athos Bulcão

O artista nasceu em 2 de julho de 1918, no Catete, bairro da zona Sul do Rio de Janeiro. Aos 4 anos, ficou órfão da mãe e passou a ser criado pelas irmãs, que o levaram para espetáculos teatrais e exposições. Influenciado pelo pai, cursou medicina, mas abandonou o curso em 1939 para se dedicar à pintura. Naquele mesmo ano, foi apresentado a Roberto Burle Marx. Em seu ateliê, conheceu Oscar Niemeyer com quem fez várias parcerias. Em 1958, se estabeleceu em Brasília, cidade de maior representação de sua obra, e onde ficou até a morte, em 2008.

 

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