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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

As lições de empreendedorismo de Madam C.J Walker na série da Netflix

Série protagonizada e produzida por Octavia Spencer conta a história da primeira mulher negra a se tornar milionária nos EUA

Por Carol Braga

31/03/2020 às 16:35

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Self Made - Madame C J Walker. Foto: Netflix/Divulgação

A série disponível na Netflix A vida e a história de Madam C.J Walker, ou simplesmente, Self Made, é aquele tipo de produção que oferece ao espectador uma série de caminhos de análise. Pode-se, por exemplo, iniciar com elogios mil a Octavia Spencer, não apenas pela brilhante atuação como a protagonista, mas também por ter produzido essa história. É possível, também, pensar sob o ponto de vista das conquistas femininas, do machismo estrutural, da questão racial ou mesmo das dinâmicas familiares e costumes da época.

Mas, talvez pela fase da vida, a microssérie de quatro episódios com cerca de 45 minutos cada um, me estimula mais a uma aproximação pelo viés do empreendedorismo. No caso, empreendedorismo feminino que naquela época, início do século XX, era uma raridade.

Enredo

Madam C.J. Walker é tida como a primeira mulher negra a alcançar um patrimônio de um milhão de dólares. Fez isso por conta própria, por meio de muito – muito mesmo – trabalho e determinação. A história começa em 1908, quando Sarah – ela vira a Madam C.J. Walker após o segundo casamento – é lavadeira e conhece a cabeleireira Addie (Carmen Ejogo) e com ela combina uma troca: roupas lavadas pelo tratamento de um problema no cabelo.

O creme é milagroso e Sarah quer se tornar a vendedora do produto. Mas, na trajetória dela, assim como na de qualquer pessoa – homem ou mulher, de qualquer cor ou raça –  empreender significa também ter coragem para enfrentar obstáculos. E eles sempre são muitos.

Por isso, a cada episódio da série dirigida por Nicole Asher, a protagonista nos dá uma série de ensinamentos de como vencer cada etapa da vida de um negócio.

Entenda os empecilhos como desafios

Gente para te colocar para baixo não vai faltar. Pessoas que não acreditam em você e muito menos na sua capacidade de levar um negócio adiante existem aos montes. No caso da série, essa figura é representada, principalmente por Addie. A pseudo amiga foi a primeira a desacreditar Sarah do talento que tinha para vender. Mas, como manda o manual da empreendedora de sucesso, Madam não deu ouvidos. Fez o que Dory recomendou ao peixinho Nemo: continuou a nadar. Foi a partir disso que Sarah desenvolveu o próprio produto, saiu para as ruas para vender, mudou de cidade e fundou um império.

Não tenha medo de crescer – e nem de errar!

A maior parte dos negócios de origem familiar conta – e muito – com a força daqueles que estão próximos para alavancar. Não foi diferente com Madam, inicialmente acompanhada do segundo marido C.J (Blair Underwood), do sogro (Garrett Morris) e da filha, Lélia (Tiffany Haddish). Embora estivessem sempre por perto, o sonho era dela. Por isso, Sarah é que dá as cartas e sabe o quanto ainda pode crescer. Ela não mede esforços para isso. Faz o que pode – e também o que não pode – para se aproximar aos homens poderosos e influentes da época. Apesar de parecer loucura quem viu o negócio nascer, a expansão era uma certeza para a empresária. Ela não deu ouvidos a quem buscava apenas uma zona de conforto. Aliás, zona de conforto combina com empreendedorismo? Não, não e não. Quem quer ficar em zona de conforto é melhor nem começar um negócio.

Use a segmentação a seu favor

O produto de Madam C.J Walker sempre foi de nicho. Atendia a uma parcela específica da população – mulheres negras – mas, apesar do mercado aparentemente restrito, se mostrou enorme e suficientemente grande para a ampliação da empresa. E mais: o produto criado por Madam C.J. Walker resolvia um problema real das mulheres negras daquela época. Fazê-las mais bonitas e independentes sempre foi o claro propósito da empresária. Ou seja, Sarah sabia muito bem o porque da empresa existir e também qual o problema das clientes resolvia. Com o tempo, estes pontos se mostraram diferenciais importantes para o crescimento.

Entenda a concorrência como algo que te impulsione

Concorrência sempre vai existir. Mesmo no caso de negócios disruptivos, o tempo em que eles nadam livremente no oceano azul tem um fim. Sendo assim, o melhor é entender também que os “adversários” devem servir de molas propulsoras para buscar mais, o novo, o diferente e não estacionar. É também esse o papel de Addie (Carmen Ejogo) na vida de Madam C.J Walker. Empresários de sucesso sabem não se abatem pela concorrência, mas utilizam o desafio para crescer ainda mais. É bom saber: se ainda não for, em pouco tempo o empreendedor de sucesso se torna uma figura craque na resolução de problemas complexos. Não há nada mais contemporâneo do que isso!

Escute a própria intuição

Este ensinamento vai especialmente às mulheres empreendedoras: escutem vocês mesmas. Intuição é algo muito forte e não deve ser ignorada. No caso de Madam C.J. Walker, em diversos momentos ela foi confrontada. Seja pelo machismo estrutural da época ou mesmo por problemas pessoais. Em todas as situações, ela se manteve firme e, de maneira equilibrada, tomou a decisão que lhe parecia melhor naquele momento. Baseada em que? Na intuição. O exemplo mais clássico dentro da trama foi a decisão de colocar a própria cara nas embalagens da marca. Então, lembre-se que a intuição sozinha não basta. É preciso da firmeza como acompanhamento. Essa dupla dinâmica é capaz de levar qualquer um longe!

 

Self Made – Madam C J Walker. Foto: Netflix/Divulgação

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