Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

As impressões sobre o show de Johnny Hooker em BH

Por Carol Braga

13/04/2018 às 16:10

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É bastante comum ouvir de pessoas que estiveram no show de Johnny Hooker comentar maravilhas sobre a performance dele ao vivo. Como estava de volta à cidade, o Thiago Fonseca, repórter do Culturadoria, foi conferir. Não deu outra! O resultado é um texto muito pessoal que você confere abaixo:

 

 

Por Thiago Fonseca 

Não conhecia Johnny Hooker a fundo desde que resolvi conferir o show do disco”Coração”, em BH, nesta quinta, dia 12. Me surpreendeu. Pela potência vocal e as letras. Elas mostram as dores e alegrias do próprio artista e dos outros.

Performance e presença de palco são palavras ordens para ele. Ao contrário do que imaginei, o cantor é um cara de poucas palavras. Fala o que é importante e necessário.

Hooker veio à capital com a promessa de apresentar aos mineiros o segundo disco da carreira. Mas, além disso, trouxe as canções de ‘Eu Vou Fazer uma Macumba pra Te Amarrar, Maldito!’, seu primeiro álbum. As canções de ‘Coração’ serviram de fio condutor. Mas tudo teve uma intenção. Para o primeiro disco casar com o segundo, Hooker criou novas versões. Funcionou!

A personificação de Hooker nos faz lembrar de diversos cantores que se transformam em cena. Principalmente Ney Matogrosso e o mineiro Marcelo Veronez. Suas referências como David Bowie, Madonna e Caetano Veloso também são nítidas na performance e nas letras.

PERFORMANCE NO PALCO

“Olha eu aqui de novo. Viver, morrer, renascer. Firme e forte feito um touro”. Imponente ao som de “Touro”, Hooker apareceu vestido com um macacão de paetês pretos e dourados, como se fosse um Rei. Em “Alma Sebosa” o artista lascou um beijo em um dos músicos e o público foi ao delírio. Convite para que todos saíssem dos assentos e fossem para a frente do palco.

Manifestações políticas marcaram presença logo no início do show. Hooker aproveitou e antes de interpretar “Corpo Fechado” disse que ela é para quem espalha ódio. Em “Chega de Lágrimas” perguntou se estávamos prontos para transar com ele aquela noite. Ao interpretar “Caetano Veloso” o artista nos convidou a conhecer a Bahia.

“Essa música me faz pensar no conceito de inclusão social e que a gente acabou de atravessar o tempo que o brasileiro pode minimamente conhecer o Brasil. Mas com isso, muita gente não ficou feliz. Um dia vai dar Caetano neles, e quando der, vão saber que o tempo tem que passar”. As poucas vezes que parou o show para fazer discurso contextualizou com as músicas. Hooker mais trocou de roupa do que discursou.

REPERTÓRIO VARIADO

Foram quatro trocas de figurino. Todos com brilho e sensuais. Delineador marcante, maxi colares e uma barba espessa também definiam a imagem de Hooker. Tudo potencializava a figura do artista no palco. Que por sinal, foi bem grande. Hooker até que tentou preenchê-lo, mas só no final conseguiu se situar e chegar até os fãs. A essa hora a energia do artista já contagiava a todos. Fiquei tão impactado com a voz e a presença de Hooker que demorei a me render.

Além de apresentar as canções dos dois discos, Hooker interpretou “Prefixo de Verão”, da Banda Mel, “Beija-Flôr”, do Timbalada e “Sexy Yemanjá” de Pepeu Gomes. O cantor também brincou com o público e antes de finalizar fez discurso político sobre as eleições de 2018.

“Não é fácil lutar, mas temos. Todos nós artistas temos que lutar e mostrar que a arte é para incomodar. Vamos votar com responsabilidade e em quem representa minorias. Vamos nos unir. Podem matar uma rosa, mas, não podem matar a primavera”, disse antes de “Escandalizar”.

Foi no bis que Hooker cantou “Flutua” e se despediu do público. A mais famosa do novo disco. O clipe da canção, que também bomba na internet, tem os atores Jesuíta Barbosa e Maurício Destri como protagonistas.

CORAÇÃO

Se o disco “Vou Jogar Seu Nome na Macumba, Maldito!”, que revelou o cantor  em 2015, “reunia crônicas de um exorcismo afetivo, em uma narrativa mais fechada”, “Coração” é o oposto. As desilusões amorosas permeiam as letras que também tratam de tormetos e muitas confissões sentimentais. O disco foi criado em um momento difícil para Hooker e é chamado por ele de sobrevivência.

Após explosão do primeiro disco, o artista estava exausto e deprimido. Sua vida pessoal entrou em um período complicado, uma depressão, uma separação traumática e um esgotamento.  Nas onze canções,  Hooker junta sons recolhidos por onde passou pelo Brasil. Algumas das faixas do disco fazem homenagens explícitas à nomes como Caetano Veloso, David Bowie e Madonna. O disco ainda conta com Parcerias de Gaby Amarantos e Liniker e os Caramelows.

 

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