Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Adeus (e muito obrigado), Alan Arkin

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O veterano ator Alan Arkin, que recentemente alcançou mais popularidade na série da Netflix “O Método Kominsky”, faleceu nesta quinta-feira

Patrícia Cassese | Editora Assistente

O anúncio oficial do falecimento de Alan Arkin se deu nesta sexta-feira, embora o ator tenha partido, de fato, na quinta. Fato é que fãs de todas as idades, bem como ícones do cinema, que com Arkin contracenaram, foram às redes lamentar. No caso do público, a diversidade etária equivale dizer que a presença de Arkin nas telas não só foi contínua, ao largo de décadas, como teve efeitos positivos nas gerações que se sucederam à sua – o estadunidense, nascido no Brooklyn, morreu aos 89 anos.

Em cena de "Pequena Miss Sunshine", como o avô que acompanha a personagem em sua jornada (Frame)
Em cena de "Pequena Miss Sunshine", como o avô que acompanha a personagem em sua jornada (Frame)

Talentoso, expressivo e carismático, Alan Arkin também era um homem extremamente estiloso. Nas redes sociais, a atriz Abigail Breslin, que interpretou sua neta, em “Pequena Miss Sunshine”, fez um comentário para lá de emocionado (e fofo): “Alan Arkin foi um dos seres humanos mais gentis, espirituosos e adoráveis ??com quem tive o privilégio de trabalhar. Lembro-me de quando estávamos fazendo o “Am I pretty?”, cena em ‘Little Miss Sunshine’ e, na primeira tomada, ele gritou para “cortar!” e chamar minha mãe imediatamente, porque eu estava chorando”.

Abigail conta que, de pronto, corrigiu o colega. “Eu disse: ‘Não, Alan, estou atuando!’. E ele caiu na gargalhada. Eu amo essa história porque é quem Alan era. Ele se importava profundamente com seu trabalho, mas, acima de tudo e mais importante, ele era um homem genuinamente gentil e atencioso”.

Foto postada por Abigail Breslin em seu perfil oficial no Instagram, em homenagem a Alan Arkin

A atriz encerrou: “Querido, Alan… sua falta será profundamente sentida. Obrigado por tudo. Minhas sinceras condolências e amor são enviados a sua família, incluindo sua linda esposa Suzanne. Embora não sejamos parentes na vida real, você sempre será o ‘vovô’ em meu coração. Descanse em paz”.

Assim, para homenagear este grande artista, a equipe do Culturadoria selecionou cinco filmes inesquecíveis que contaram com a presença do também músico e cineasta. Confira!

“Pequena Miss Sunshine”

Esta pérola, dirigida por Valerie Faris e Jonathan Dayton, e que chegou às telas em 2006, logo vem à mente, e por um motivo dos mais simples: rendeu a Arkin o Oscar de Ator Coadjuvante no ano seguinte. Mais que merecido. Na pele de Edwin, o avô de Olive Hoover (Abigail Breslin, também impagável) fez um personagem inesquecível, como na cena na qual a inusual família simula a sua morte. O elenco é um primor: além de Abigail e Arkin, Toni Colette, Steve Carell, Paul Dano e Greg Kinnear, para citar alguns.

“O Que é Isso, Companheiro?”

Este filme não poderia, de jeito algum, ficar de fora de uma lista de longas que trazem o nome de Alan Arkin no elenco elaborada aqui, no Brasil. Isso porque, baseada no livro homônimo, lançado em 1979 pelo jornalista, escritor e político e Fernando Gabeira, a produção, dirigida por Bruno Barreto, teve o ator na pele do embaixador americano, Charles Elbrick ( 1908 – 1983). O diplomata, como se sabe, foi sequestrado em setembro de 1969 por membros de dois grupos, o MR-8 e o Ação Libertadora Nacional.

Fernanda Torres e Alan Arkin em cena de “O Que é Isso, Companheiro?”

O filme traz, no elenco, os nomes de Pedro Cardoso, Fernanda Torres, Cláudia Abreu, Matheus Nachtergaele e Luiz Fernando Guimarães, além de participações especiais de Fernanda Montenegro e de Lulu Santos.

“O Método Kominsky”

Minissérie em três temporadas da Netflix, criação de Chuck Lorre. Na pele do rabugento Norman Newlander, que fica viúvo logo no início da série, Alan Arkin fez o deleite do espectador, com suas tiradas certeiras e seu eterno mau humor. Sem dúvida, melhor personagem. Na segunda, os embates com a filha Phoebe (Lisa Edelstein) não tiveram, assim, tanta repercussão.

Classudo até a medula, em cena de “O Método Kominsky”, em que contracenou com Douglas (Netflix)

Ainda assim, a relação com o professor de teatro Sandy Kominsky (Michael Douglas) continuou gerando pérolas. Alan Arkin não participou da terceira temporada (pelo divulgado, o próprio ator teria pedido para abandonar o projeto). O elenco trouxe, ainda, Nancy Travis, Susan Sullivan, Kathleen Turner, Sarah Baker, Paul Reiser, Haley Joel Osment, Jane Seymour) . Vale lembrar que Norman rendeu a Arkin várias nomeações a prêmios que abarcam séries, caso do Emmy, Globo de Ouro e SAG.

“Um Clarão nas Trevas”

O filme norte-americano de 1967, do gênero suspense, foi dirigido por Terence Young. Este é o mais “antigo” que vamos citar aqui, e por um motivo claro: é que Arkin divide a cena com ninguém menos que Audrey Hepburn.

Em entrevistas, Arkin confessou a dificuldade em fazer “maldades” com Audrey Hepburn, em cena

A diva nascida na Bélgica (1929 – 1993) vive uma personagem que, tendo perdido a visão, acaba se vendo trancada em seu apartamento, sob a ameaça do traficante vivido por Arkin. Aliás, como se sabe, a produção rendeu uma indicação ao Oscar à atriz, que, mesmo assim, optou por se afastar temporariamente dos sets, para cuidar da família.

“Edward, Mãos de Tesouro”

Outro clássico do cinema contemporâneo que conta com a presença de Alan Arkin no elenco. O filme, que chegou ao cinemas em 1990, é um dos que estruturaram a carreira não só do ator Johnny Depp, que vive o personagem título, quanto de Winona Ryder e do diretor, Tim Burton.

Contracenando com Edward, personagem de Johnny Depp, no memorável filme de Tim Burton

Em cena, Arkin é Bill Boggs, casado com a simpática vendedora da Avon vivida por Dianne Wiest, que descobre Edward.

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