Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Hits e tretas do Rei Roberto Carlos

No aniversário de Roberto Carlos, revisitamos momentos marcantes na carreira que começou nos anos 1960 e continua na ativa
Por Carol Braga
Roberto Carlos chega aos 80 anos.
Roberto Carlos chega aos 80 anos.Foto: Paulo Campos / Divulgação

Quanta gente nesse Brasil profundo suspira por Roberto Carlos, né? O Rei completa 80 anos neste 19 de abril. Se estivéssemos em tempos normais dava para imaginar a festa que seria, mas o mundo mudou. Sendo assim, por enquanto, a celebração da vida do intérprete de Emoções está momentaneamente adiada. 

Roberto Carlos está cheio de planos. Avesso às biografias, finalmente ele autorizou o roteiro (de Nelson Motta e Patrícia Motta com supervisão de Glória Perez) para o filme a ser dirigido por Breno Silveira (Dois filhos de Francisco). A pré-produção começou com previsão de realização para o primeiro semestre de 2020. Além disso, também estão na agenda do próximo ano turnês internacionais para o México, Estados Unidos, Europa e um show em Cachoeiro do Itapemirim, cidade natal do astro no Espírito Santo. 

Acompanhando ou não a história da música brasileira, se você nasceu nessa terra tupiniquim em algum momento da sua vida cantou Roberto Carlos. Vamos combinar que é uma trajetória artística destacável mas cheia de mistérios.

Anos 60 de Roberto Carlos

Logo no início da carreira teve a treta com Tim Maia. No caso, na época, ele ainda assinava Sebastião e brigou com o colega da banda Sputnik quando este aceitou participar sozinho de um programa de televisão. Tal passagem aparece na cinebiografia dirigida por Mauro Lima. Virada a página, Roberto Carlos foi alçado ao posto de astro nacional com a Jovem Guarda. Apesar de acompanhado por Wanderléa e Erasmo Carlos, a ele coube a coroa de Rei. 

A produção musical dele na década – e dos respectivos parceiros da época – inclui clássicos como Splish, Splash, Parei na contramão, É proibido fumar, Calhambeque, Quero que vá tudo pro inferno. São todas canções muito influenciadas pelo rock n’roll. 

Neste período o Brasil viveu a fase mais dura da ditadura e a Jovem Guarda aparece nos livros de história como um “movimento” artístico sem posicionamento político. 

Anos 1970

Quem acompanha o sempre constante movimento de regravações de Roberto Carlos vai encontrar na produção da década de 1970 grande parte das escolhidas. Isso porque foi a época que ele saiu da Jovem Guarda, partiu para carreira solo e deixou todo romantismo brotar. 

No auge da carreira, fez cinema, bateu recordes de vendas de disco e registrou muitos – muitos mesmo – clássicos. Para se ter uma ideia da coleção de hits gravados por ele da década: Detalhes (1971), Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos (1971), Como Vai Você (1972), Além do Horizonte (1972), Café da Manhã (1975), Força Estranha (1975), Lady Laura (1975) e muitas outras.

Também foi na década de 1970 que ele voltou à TV. No caso, 24 de dezembro de 1974 marcou a estreia do especial na Rede Globo que se tornou tradição natalina nacional.

Anos 1980

Gravar um disco por ano era normal e, mais que isso, os álbuns eram esperados. Na produção de Roberto Carlos dos anos 1980 um destaques foi o lançamento de 1981, LP que tinha, em sequência, Emoções e Cama e Mesa. Nota-se uma mudança na sonoridade e também nos temas escolhidos para as canções. Foram muitas emoções e muitas homenagens também. 

Em 1984, por exemplo, os caminhoneiros viraram hit, em 1985 foi a vez de falar das mulheres sex-simbol e por aí vai. Entre os clássicos da década também está Amor perfeito (1986).

Anos 1990

A homenagem às baixinhas e a fase religiosa (Nossa Senhora, 1993) marcaram a década de 1990, assim como as regravações. Muitos artistas de outras gerações do rock nacional exploraram o vasto repertório do Rei.

Século XXI

Depois da morte da mulher Maria Rita, em 1999, o século XXI definitivamente não tem sido de novidades na carreira de Roberto Carlos. Mas, apesar de ter gravado apenas três álbuns, não economizou nos encontros ao vivo. Começou com o álbum Acústico MTV, depois teve Emoções sertanejas e também cantou Tom Jobim com Caetano Veloso.

Outro marco dos anos 2000 são as brigas na justiça, principalmente a partir de 2010. O biógrafo do Rei, Paulo César de Araújo que o diga. Em 2006 ele publicou a biografia não autorizada Roberto Carlos em Detalhes que deu pano pra manga. Tanto que em 2014 ele escreveu outro livro, desta vez chamado O Réu e o Rei, justamente contando os bastidores do imbróglio jurídico.

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Roberto Carlos completa 80 anos no dia 19 de abril de 2021 Foto: Caio Girardi / Divulgação

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