Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Maria Esther Maciel lança “Animalidades: zooliteratura e os limites do humano”

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A escritora e pesquisadora autografa “Animalidades” neste sábado, a partir das 11 horas, na Livraria e Café Quixote

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Perguntada sobre que tipo de retorno gostaria de ter por parte do público leitor no que tange a seu mais novo livro, “Animalidades: zooliteratura e os limites do humano”, a escritora Maria Esther Maciel não hesita: “Minha expectativa é a de que as pessoas cheguem ao final da leitura e percebam o quanto os animais são dignos de respeito, amor e empatia”. “E, ainda, como podemos aprender com eles a ver o mundo, a natureza e os próprios humanos de forma diferente”, diz ela, ao Culturadoria.

Maria Esther Maciel, que autografa "Animalidades" neste sábado, na Quixote (Iana Domingos/Divulgação)
Maria Esther Maciel, que autografa "Animalidades" neste sábado, na Quixote (Iana Domingos/Divulgação)

Lançado pela Editora Instantes, o livro já teve sua sessão de autógrafos de début em São Paulo. Neste sábado, a autora – que é pesquisadora e professora titular de Literatura da UFMG – apresenta “Animalidades” diretamente aos belo-horizontinos que a seguem. O lançamento acontece a partir das 11h, na Livraria e Café Quixote, na Savassi.

Subjetividades não humanas

Em “Animalidades: zooliteratura e os limites do humano”, o ponto de partida de Maria Esther Maciel foi algumas das várias narrativas e dos vários poemas que, no decorrer do tempo, se aventuraram a inserir o ponto de vista animal na narrativa. Isso, tanto na forma de um “eu” poético quanto na apresentação de bichos como protagonistas e/ou narradores, em interação paradoxal com os humanos.

“Como desenvolvo uma pesquisa sobre animais na literatura desde 2007, com apoio do CNPq, passei por várias etapas dessa investigação ao longo dos anos”, explica Maria Esther, à reportagem. “Assim, ‘Animalidades’ surgiu a partir do momento em que passei a me deter na questão das subjetividades não humanas. Logo, a ver como os animais, a partir da segunda metade do século 19, passaram a ser figurados na literatura de forma mais efetiva”, complementa.

O conceito de zoobiografia

A escritora se refere à figuração de animais como sujeitos dotados de sentimentos, inteligência, habilidades e pontos de vista próprios. “E não apenas como símbolos e alegorias da vida humana”, pontua. Assim, Maria Esther passou a buscar este ponto em várias narrativas e poemas, “com ênfase nos textos que tratam de vidas caninas”. A autora e pesquisadora também começou a se aprofundar no conceito de “zoobiografia”, “relacionada a obras centradas em vidas de diferentes outras espécies animais”.

A capa do novo livro de Maria Esther Maciel, que é chancelado pela Editora Instante

Durante a pandemia, lembra Maria Esther, ela acabou ministrando várias aulas e palestras online sobre vários aspectos dessa abordagem. “Além de publicar alguns artigos esparsoa.. Isso contribuiu para a composição do presente livro”, contextualiza.

Elaboração de luto

Solicitada a destacar um capítulo de “Animalidades: zooliteratura e os limites do humano” a seu bel prazer, Maria Esther opta por “Quando Morre um Cão”. E esmiuça: “Bem, tenho um particular apreço por ele, pois foi o que mais me tocou no processo de escrita”. É que a pesquisadora tinha perdido recentemente a sua cachorra Lalinha, de 15 anos. “Assim, escrevi esse texto não apenas para sondar as cenas de mortes caninas na literatura e no cinema, mas também para elaborar o meu luto e, desta maneira, homenagear a minha amiga que havia partido”.

Na verdade, no curso de sua vida, Maria Esther Maciel sempre manteve, com uma ligação de amizade e cumplicidade com os animais. “Durante minha infância e adolescência. no interior de Minas, convivi com muitos bichos rurais e domésticos”. Ela não se furtava a dar nomes a vacas, bois, cavalos, galinhas, patos e porcos. “Sempre gostei de estar na companhia deles. Cheguei a ter um porco de estimação. Além, claro, de ter usufruído da companhia de vários animais domésticos, como gatos, coelhos e, principalmente, cães”. Caso da saudosa Lalinha.

A Baleia, de “Vidas Secas”

No plano literário, a cachorra Baleia, do clássico “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, foi claramente o primeiro exemplo da presença de um animal na narrativa a lhe capturar imediatamente a atenção. “O capítulo dedicado a ela foi muito impactante para mim. Sempre tive uma grande ligação com os caninos e, ali, naquela personagem, acabei encontrando muitas das qualidades e habilidades que eu via nos cães de minha convivência”.

A cena da morte do animal na obra lhe impressionou de tal monta que nem poderia ser diferente. “Resolvi tratar dela neste meu novo livro”, reconhece Maria Esther, sobre “Animalidades”.

Inconscientemente, talvez tenha sido ali que a semente do que acabou sendo alvo de pesquisa da acadêmica foi plantada. E vingou. “Verdade, aacabei transformando esse meu interesse em um projeto de pesquisa”, diz ela, considerando, porém, ser difícil citar apenas uma obra do campo da zooliteratura como a sua preferida. “No que se refere ao universo canino, poderia citar o romance ‘Flush: uma Biografia’, de Virginia Woolf, como uma das obram que mais me marcaram”.

Lançamentos e outros projetos

Perguntada sobre como foi o primeiro encontro com leitores, na Livraria Megafauna, em São Paulo, Esther conta que saiu da experiência de apresentação de “Animalidades: zooliteratura e os limites do humano” bem satisfeita. “Na verdade, foi excelente. Antes da sessão de autógrafos, houve uma conversa minha com o Carlos Roberto Ferreira Brandão, um zoólogo da USP que transita no mundo das artes. O bate-papo foi mediado pela ótima jornalista e escritora Joselia Aguiar. Nele, as perspectivas da zoologia e da literatura se entrelaçaram de maneira bastante descontraída”, observa.

Na Livraria Megafauna, em São Paulo, no momento de preparação para o bate-papo com leitores (Foto: Patrícia Cassese)

O público, comenta ela, era variado, “composto sobretudo de escritores, estudantes e professores de literatura”. Perguntada sobre outros projetos para o ano, além de seguir com a divulgação de “Animalidades: zooliteratura e os limites do humano”, Maria Esther diz que seu foco é dar continuidade à escrita de um novo romance. “Que não é propriamente sobre animais, mas inclui alguns”. Não só. “Também levar adiante minha investigação sobre animais na literatura, a partir de um enfoque mais amplo, que vai incluir as culturas indígenas”.

Serviço

Lançamento do livro “Animalidades: zooliteratura e os limites do humano”

Neste sábado, a partir das 11h, na Livraria e Café Quixote (rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi)

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