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‘Amor, sublime amor’: entenda o clássico

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O longa de 1961, que passou pela Broadway, “Amor, sublime amor” mudou para sempre a história do cinema musical.

Por Maria Clara Lacerda | Culturadora

Apesar de não ter feito tanto sucesso nas bilheterias, ‘Amor, Sublime Amor‘ provavelmente vai ter um grande destaque na temporada de premiações de 2022. Na noite de domingo (9/1), a nova versão do filme de 1961 conquistou o Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia ou Musical.

Cena de Amor, sublime amor de 1961. Foto: Divulgação
Cena de Amor, sublime amor de 1961. Foto: Divulgação

Estreante em Hollywood – e na temporada de premiações – Rachel Zegler, a Maria da versão de 2021, levou o prêmio de Melhor Atriz em Filme de Comédia ou Musical. Já Ariana DeBose repetiu a dose da veterana Rita Moreno, que levou o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante em 1962, conquistando a mesma categoria pela interpretação de Anita.

Steven Spielberg, que não levou pra casa o prêmio e melhor diretor, resolveu revisitar um dos maiores clássicos do cinema – e do teatro – musical, ‘Amor, sublime amor’ (West Side Story). O longa foi protagonizado por Natalie Wood, como Maria, e Richard Beymer, no papel de Tony. Até hoje, este é um dos musicais mais premiados da história. 

É válido lembrar que o próprio filme de 61 não é um original, mas uma adaptação do musical da Broadway, lançado em 1957. E, a versão da Broadway é, nada mais nada menos, que uma releitura do clássico dos clássicos, Romeu e Julieta, de William Shakespeare. Sabe o ditado do nada se cria? Pois então.

De onde surgiu essa ideia?

O musical da Broadway levou cerca de cinco anos para ser produzido. Contou com nomes gigantes da indústria. Arthur Laurents foi responsável pelo texto, Leonard Bernstein pela produção musical, Stephen Sondheim pela composição das letras e Jerome Robbins pela coreografia.

A ideia inicial era de que o musical original fosse sobre um garoto católico que se apaixonava por uma menina judia do Upper East Side. Assim, se chamaria East Side Story. Apesar disso, o projeto acabou se inspirando no crescimento das gangues adolescentes, lá por volta da década de 1950. 

No teatro, o musical foi uma novidade e até fez sucesso. Mas foi através dos cinemas que West Side Story se converteu em clássico. O filme original recebeu 11 indicações ao Oscar. Levou 10 estatuetas. Uma delas foi a de Atriz Coadjuvante para Rita Moreno. Sessenta anos depois, Moreno continua sendo a única atriz latina a receber o prêmio.

Mas, qual a história?

Troque os Montéquios e Capuletos da formosa Verona por gangues de jovens nova-iorquinos. Pronto, agora temos os Jets, uma gangue de brancos anglo-saxônicos e os rivais Sharks, imigrantes porto-riquenhos. Em meio a tanto ódio no coração, surgem Tony, ex-líder dos Jets, e Maria, irmã do líder dos Sharks. Em resumo: se apaixonam perdidamente.

Assim como a versão shakespeariana, ‘Amor, Sublime Amor’ é uma tragédia. A história de um amor genuíno, fadado ao fim, antes mesmo de começar. Com Natalie Wood no papel de Maria e Richard Beymer como Tony, o longa fala de xenofobia, racismo e gentrificação, em plena década de 1960. 

E qual a marca?

Mesmo 60 anos depois, o longa dirigido por Robert Wise segue sendo considerado um dos melhores filmes já feitos, indo além do próprio gênero de cinema musical. Através da união entre romance, ação, drama, comédia e música, ‘Amor, Sublime Amor’ trouxe mais profundidade para o gênero, que vai além de só cantar e dançar em forma de celebração. 

Por falar em dança, o trabalho de Jerome Robbins é um dos elementos mais fortes da versão original. As lutas corporais entre os Jets e os Sharks são construídas através de um balé nunca antes visto. Sendo assim, expressa a rivalidade entre os grupos e adiciona elementos na narrativa por meio de passos marcantes, que ficaram para a história.

Nem tudo são flores

Apesar de trazer temas importantes à tona, a versão original deixa a desejar quando o assunto é uma representatividade real. A protagonista, que tem origem porto-riquenha, é interpretada por uma mulher branca e seu irmão, Bernardo, é interpretado por George Chakiris, um ator grego. Tudo isso com direito à muita maquiagem para escurecer a pele.

Rita Moreno, como Anita, namorada de Bernardo, é uma das únicas latinas que fizeram parte da trama. Apesar disso, a nova versão de Steven Spielberg, se compromete a representar os personagens e tratar das raízes latinas de maneira correta.

Versão 2021

O remake do filme de 1961, lançado agora em dezembro de 2021, é estrelado pela atriz colombiano-americana Rachel Zegler e outro ator que deveria ser persona non grata na indústria. Ansel Elgort recebeu acusasões de abuso sexual de menores de idade em 2020. O filme estava pronto e até hoje, não se pronunciou devidamente sobre o assunto. 

Ariana DeBose, um sucesso absoluto da Broadway, interpreta a icônica Anita, de Rita Moreno. Enquanto isso, a atriz cubana volta ao longa, agora como a personagem Valentina. Já o papel de Bernardo vai para David Alvarez, um dos atores mais jovens a ganhar o Tony Awards de melhor ator.

E o corte de Spielberg parece ter caído nas graças dos críticos dessa década. O novo West Side Story recebeu 11 indicações para o Critics Choice Awards e quatro para o Golden Globes, incluindo indicações para Rachel Zegler (Melhor Jovem Atriz e Melhor Atriz em Filme Musical/Comédia), Ariana DeBose e Rita Moreno (ambas como Melhor Atriz Coadjuvante), além de Spielberg, como melhor diretor em ambas premiações.

Enfim, é fato que o legado deixado pela versão de 1961 é praticamente impossível de ser ultrapassado. Apesar disso, excluindo Ansel Elgort, será no mínimo interessante assistir o longa em uma nova roupagem, com rostos que realmente cabem no lugar de contar uma história sobre a realidade de imigrantes e pessoas de cor.

Amor, sublime amor (2021). Foto: Niko Tavernise.
Amor, sublime amor (2021). Foto: Niko Tavernise.

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