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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Curiosidades que fazem a diferença na exposição de Ai Weiwei no CCBB

Raiz Weiwei venceu o APCA de exposição de destaque em cartaz em SP no ano passado. Fica em Belo Horizonte até o dia 15 de abril no CCBB-BH

Por Carol Braga

05/02/2019 às 09:39

Publicidade - Portal UAI
Foto: Thiago Fonseca / Culturadoria

É claro que ver 1254 bicicletas de Weiwei empilhadas ao lado do Centro Cultural Banco do Brasil, impressiona. Também é surpreendente se deparar com duas toneladas de sementes de girassol, feitas à mão, em porcelana. E os troncos? Gigantescos, no pomposo foyer do prédio histórico.

Mesmo que as obras do chinês Ai Weiwei – cada uma à sua maneira – gerem impacto, atenção para uma dica valiosa para quem deseja explorar a mostra montada até 15 de abril em BH. Não passe pela exposição Raiz sem reparar o que de mais simples há por lá. Ou seja: as frases nas paredes.

“A criatividade faz parte da natureza humana. Só pode ser desaprendida”. “Eu não diria que me tornei mais radical: eu nasci radical”. “Uma pequena ação vale um milhão de pensamentos”. “Se uma nação não pode enfrentar seu passado, não tem futuro”. Em resumo: estas são apenas algumas delas. E mais: é o detalhe que faz a diferença nessa exposição que venceu o prêmio APCA em 2018 em São Paulo. Digamos que foi bastante incensada por lá.

 

Forever Bicycles, Ai Weiwei, está localizada na parte externa do CCBB-BH  – de Foto: Thiago Fonseca / Culturadoria

 

Dos livros para as paredes

Segundo o curador Marcello Dantas, nos últimos anos Weiwei compilou dois pequenos livros com frases tiradas de entrevistas ou anotações de ideias soltas. Uma dessas obras tem o curioso nome de Wewei-isms e a outra Humanity.

“É uma maneira de deixar bem conectado para as pessoas o vínculo do pensamento do Weiwei em torno da sua obra”, comenta Dantas sobre o uso delas em diálogo com cada peça escolhida para a exposição. Isso está de maneira bastante explícita na sala em que Weiwei aparece sendo preso pela ditadura chinesa. Isso foi em 2011, quando ele tentava embarcar para Hong Kong.

No momento da detenção Weiwei fez uma selfie com os policiais dentro de um elevador. Na versão de Raiz para o CCBB-BH, na parede à esquerda da foto está a frase: “A liberdade diz respeito a nosso direito de questionar tudo.” Assim Weiwei tem feito desde que se reconhece como artista. Você verá isso em uma série de ex-votos criados no Brasil, em fotografias, nos objetos que ele coleciona ou nas provocativas criações coletivas. Tem coisa tão banal por lá que certamente a fatídica pergunta “Isso é arte?” passará pela sua cabeça.

De acordo com o curador, como nem sempre a relação entre o pensamento e a obra de Weiwei ficam claros, as frases ajudam a explicar as razões pelas quais as coisas estão sendo feitas. Segundo Marcello Dantas, uma característica forte do artista chinês é estar dentro de seu tempo. “Boa parte dos artistas estão fora do seu tempo, no passado ou no futuro”.

Weiwei tem 61 anos e atualmente vive em Berlim.

 

Confira no vídeo algumas curiosidades das obras de Ai Weiwei comentadas pelo curador, Marcello Dantas.

 

 

A exposição Raiz, de Ai Weiwei em cinco curiosidades

Toda exposição internacional que chega a Belo Horizonte tem inúmeras curiosidades. Principalmente quando o assunto é bastidor. Separamos algumas delas para compartilhar com você.

 

Relação com o Brasil

Nos últimos 18 meses, Ai Weiwei esteve no Brasil pelo menos cinco vezes. As visitas tiveram pouca relação com turismo. Eram viagens criativas. Sendo assim, a relação com o país está refletida na obra dele. Os ex-votos em madeira, por exemplo, foram criados com artesãos de Juazeiro do Norte. Como Marcello Dantas destacou no vídeo acima, é um dos trabalhos mais significativos na leva de peças expostas no CCBB-BH.

 

Exageros

Weiwei parece ser um homem exagerado. Para criar algumas obras em cartaz na exposição o curador Marcello Dantas precisou atender demandas específicas, algumas, bastante extravagantes. Por exemplo, para a produção da fotografia em que o artista aparece em meio a frutas tropicais Weiwei pediu 100 melancias e 100 frutas do conde. “É claro que sobrou”, contou Dantas!

 

 

Duas Figuras, de Ai Weiwei – Foto: Thiago Fonseca / Culturadoria

 

O autor é a obra

Está no andar térreo o trabalho cuja imagem é a mais conhecida no recente tour da exposição Raiz pelo Brasil. O molde em gesso do próprio Weiwei está em uma cama, acompanhado de uma brasileira e coberto de sementes de Olho de Dragão. A escolha desse elemento natural brasileiro tem relação com a memória do artista plástico. O pai dele – que era poeta – esteve aqui certa vez onde cultivava amizade com Jorge Amado. Levou para o filho de presente as sementes vermelhinhas, típicas na Bahia. Como o curador também relatou no vídeo acima, o colchão usado na obra foi usado pelo próprio Marcello. Ou seja, tudo tem um sentido que vai além do olhar.

 

Girassóis

Logo na entrada da exposição, no terceiro andar do CCBB-BH, você vai se deparar com um monte cinza. Parecem mesmo sementes de girassol gigantes, mas são pequenas peças de porcelana. Elas foram feitas à mão, por 1,6 mil mulheres chinesas, em 2010. No total elas produziram 100 milhões de sementes que andam pelo mundo espalhadas pelas exposições. O monte que chega a Belo Horizonte tem duas toneladas. Na badalada exposição na Oca paulista foram quatro milhões delas.

 

Transgressão

Um dos trabalhos mais polêmicos que faz parte do conjunto que está em BH é popularmente conhecido como “a dos pandas”. Weiwei se juntou a Edward Snowden – sim, o ex-administrador de sistemas da CIA – eles destruíram juntos uma série de documentos importantes. Está lá o vídeo que comprova tudo. Os papeis picotados viraram enchimento de pandas de pelúcia. Os bonecos foram comercializados normalmente. A fama de obras com significados políticos é tanta que em 2015 o artista travou uma briga com a empresa dinamarquesa Lego. A companhia que fabrica as famosas peças do jogo se recusou a vender para Weiwei justamente pelas motivações políticas. Resultado: os fãs se mobilizaram e começaram a doar. A Lego acabou recuando. Uma das peças mais significativas presente na exposição em BH é Dropping a Han Dynasty Urn (Deixando cair uma urna da dinastia Han), inteirinha feita de Lego.

 

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