Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Eduardo Moreira, do Grupo Galpão, é o entrevistado do projeto Envelheço na Cidade

Em 2022 o Grupo Galpão completa 40 anos. Consolidado no Brasil e fora, com um repertório que já fez história nos palcos e nas ruas, o grupo tem uma trajetória coesa e ascendente que passa por muito esforço e luta. Hoje eles são 12, mas no começo, em 1982, eram apenas cinco jovens atores que queriam fazer teatro de grupo na cidade.Eduardo Moreira, ator, diretor e um dos fundadores do Galpão, viaja no tempo para contar como era o grupo em seus primórdios. Em seus primeiros sete anos, o Galpão trabalhava onde dava. Sem sede ou lugar de ensaio, preparava seus espetáculos onde desse: Fafich, União Israelista e até mesmo em praças da cidade.


Somente em 1989, quando, depois de muita economia, o grupo conseguiu juntar recursos (todos próprios, sem patrocínio, vale dizer), foi comprada e inaugurada sua sede, na Rua Pitangui, no Horto. Naqueles tempos, Eduardo conta, a vizinhança era basicamente de casas. Um dia, em meio ao ensaio de “Álbum de família” (um dos grandes dramas de Nelson Rodrigues), um vizinho chamou a polícia. Eram gritos demais vindo daquele galpão, parecia que alguém estava sendo machucado – espera aí, seu guarda, é apenas um grupo de teatro estreando um novo espetáculo.


São memórias deliciosas – e algumas não tão fáceis, vale dizer – que vêm à tona na conversa. O Galpão se formou no final da ditadura militar (1964-1985), o chamado período de redemocratização. Mesmo assim, não era fácil. Eduardo conta que o grupo chegou a ser detido no centro de BH simplesmente porque estava fazendo teatro em praça pública. Tempos difíceis, não? Ele também revela como foi a ocupação em praças de BH, muitas ainda pouco conhecidas do público e fala dos espetáculos mais marcantes. “Romeu e Julieta”, obviamente, não pode faltar.

Eduardo Moreira Marco Aurelio Prates

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