Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

CURA anuncia nova edição com instalação do Grupo Giramundo na Praça Raul Soares

Mais três novas empenas, sendo duas de artistas convidados e uma fruto de uma convocatória nacional. Assim será o Cura 2021, marcado para o período de 21 de outubro a 02 de novembro. O Circuito Urbano de Arte realiza a segunda edição durante a pandemia enfrentando, claro, toda a dificuldade – e as particularidades – do nosso tempo presente. Ao todo já fazem cinco anos que o projeto colore a paisagem de Belo Horizonte.

O CURA 2021 tem como temática “Você não está sozinha”. Sendo assim, segundo as organizadoras Janaína Macruz, Juliana Flores e Priscila Amoni, os novos trabalhos devem estabelecer algum nível de diálogo com a proposta principal. As idealizadoras anunciaram, ainda, a parceria com mais duas curadoras convidadas, Naíne Terena e Flaviana Lasan.

A nova edição também terá uma instalação do grupo mineiro de teatro de bonecos Giramundo, que estará no centro do evento, na fonte da praça Raul Soares. O festival ainda busca mais uma parceria para realizar uma pintura no asfalto, que, por esse motivo, ainda não está confirmada. Haverá também um ato-performance no dia 2 de novembro, para fechar o festival. 

Obra de Daiara Tukano no Cura_Foto Caio Flavio Area de Servico

Inscrições

Até o dia 26 de setembro, artistas de todo o Brasil podem se candidatar para assumir uma das novas empenas do CURA. O proponente não necessita comprovar experiência com pinturas de grande porte, já que cabe ao festival todos os preparativos para lidar com os desafios das alturas e de transpor as obras para tamanhos colossais, com segurança e qualidade artística.

Sendo assim, as propostas serão avaliadas pela ideia do layout e a defesa do projeto. Não é necessário formação na área das artes, todes estão convidados a entrar nessa canoa espacial!  

História do CURA

Desde 2017, as produtoras Janaína Macruz e Juliana Flores e a artista visual Priscila Amoni estão à frente do CURA – Circuito Urbano de Arte. Ao longo desse tempo, se tornou um dos maiores festivais de arte pública do Brasil. Foi o primeiro circuito de pintura em empenas de 

Belo Horizonte. A partir dele a rua Sapucaí, no bairro Floresta, virou um mirante de arte urbana.

Entre artistas convidados e selecionados através de editais, o CURA já foi responsável por 18 empenas divididas entre o hipercentro e o bairro Lagoinha. Além das grandes pinturas, que se tornam exposições permanentes da cidade, o festival também conta com diversas ações especiais com artistas e grupos. 

Belo Horizonte, cidade museu

A importância do CURA para a cidade de Belo Horizonte vai muito além de embelezar a cidade, trazendo reflexões acerca de importantes temas sociais e dando acesso às artes visuais à todes.

Muitos prédios em BH foram construídos com empenas, ou laterais cegas. É uma técnica de engenharia que possibilitaria a construção de um prédio praticamente colado no outro. No entanto, essa prática foi proibida e essas grandes telas foram deixadas em concreto desde a década de 80. Mais recentemente, a legislação urbanística de Belo Horizonte proibiu ações publicitárias nesses espaços, o que fomentou e permitiu que as ações do CURA fossem realizadas. 

Uma inspiração para o projeto, além dos inúmeros artistas que dão vida e cor para a cidade, foram as obras do artista Hugues Desmaziéres. Entre 1985 e 1995 ele pintou ao menos 7 empenas de Belo Horizonte, variando entre obras de ilusões de ótica e questões ambientais. Sendo assim, o francês foi o autor do famoso retrato de Tiradentes, que, por muitos anos, fez parte da paisagem da capital, na esquina entre a Rua Rio de Janeiro e a Avenida do Contorno.

A capital mineira então começou a ganhar, a partir do CURA, uma exposição de arte aberta e permanente que todos os anos aumenta seu acervo. Dessa maneira, o evento é o responsável pelos mais altos murais pintados por mulheres na América Latina e pela maior obra de arte feita por uma artista indígena.

5 obras do CURA que deram o que falar

Daiara Hori

Daiara Tukano foi a primeira mulher indígena brasileira a pintar uma empena. Em setembro de 2020, fez a obra intitulada “Selva mãe do Rio menino”. Os 1006 m²  a qualificam como a maior obra já pintada por uma artista indígena. Está localizada na fachada cega do edifício Levy, na Avenida Amazonas. 

A artista é uma das indicadas ao Prêmio Pipa 2021 e combina as suas pinturas à luta dos direitos indígenas de uma forma colorida e impactante. 

Zé D Nilson

Em uma edição muito especial do CURA no bairro Lagoinha em Belo Horizonte, o artista Zé D Nilson foi convidado a levar seus murais texturizados a uma empena de 122 m². Zé D Nilson é pedreiro por ofício e morador da região. 

Hyuro

A muralista argentina, radicada na Espanha, Hyuro, foi convidada como um dos grandes nomes do festival em 2018. Criou o mural “O que fica”, de 1.060 m², na Avenida Amazonas. A artista dá destaque à questão política e social em relação à violência e saúde pública, discutindo a temática da criminalização do aborto em toda a América Latina.

Robinho Santana

Robinho Santana é o autor de “Deus é mãe”. O trabalho conta com a participação e moldura de artistas do pixo, fazendo referência e buscando representar a pluralidade da mulher e do homem negros periféricos. Os pixos presentes na pintura trouxeram incômodo, apesar de fazerem parte da obra de forma estética e narrativa. 

Jaider Esbell

Artista e curador indígena da etnia Makuxi, Jaider Esbell marcou presença no CURA 2020. É dele a obra “Entidades”, que agora está exposta 34ª Bienal de São Paulo. A instalação das duas cobras infláveis de 17 metros de comprimento e 1,5 metro de diâmetro foi feita nos arcos do Viaduto Santa Tereza. Marcou BH, com certeza!


Por Amanda Trindade Diniz | Culturadora

Pesquisadora, educadora e apreciadora de uma boa prosa com um café quentinho. Apaixonada por todos os tipos de trabalhos manuais e experimentações artísticas. Permeando em algum lugar cíclico entre o presente e o passado, através das pinturas rupestres indígenas.

cura e verbo:gentileza
Instalação “Entidades”, de Jaider Esbell, no Viatudo Santa Tereza pode ser vista até 22 de outubro. Foto: Área de Serviço / Divulgação

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