Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Affonsinho volta aos palcos de BH nesta quinta e sexta

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O cantor, compositor e instrumentista Affonsinho se apresenta na Sala Juvenal Dias com o show “Depois dos Outros”

Patrícia Cassese | Editora Assistente

Expectativa é uma palavra que tem habitado o cotidiano do cantor e compositor Affonsinho nos últimos dias. Afinal, nesta quinta-feira, dia 25 de maio, após o hiato provocado pela pandemia do novo coronavírus, ele finalmente estará de volta ao seu habitat artístico, o palco. “São quase três anos e meio longe dos shows autorais, que adoro fazer”, conta ele, ao Culturadoria.

Affonsinho, que se apresenta na Sala Juvenal Dias (foto Anna Lara/Divulgação)
Affonsinho, que se apresenta na Sala Juvenal Dias (foto Anna Lara/Divulgação)

Affonsinho mostra o show “Depois dos Outros” no palco da Sala Juvenal Dias do Palácio das Artes – além da quinta, haverá apresentação também na sexta, 26. “Nele, faço uma mistura das músicas minhas que tocaram/tocam nas rádios (e tenho a sorte de ter conseguido muitas) com alguns singles lançados recentemente”, adianta ele.

Repertório

Desafiado a destrinchar mais o processo de escolha do roteiro, dado ser um compositor profícuo, o artista lembra que, tempos atrás, chegou a postar, em um de seus perfis em redes sociais, a seguinte pergunta: Que música os fãs gostariam de ter no repertório de um show?

Logo, as respostas chegavam a mais de 100 composições de Affonsinho! Sendo assim, escolher o repertório não é, definitivamente, tarefa das mais fáceis para o mineiro.

“Deste modo, arranjei um jeito de tocar muitas músicas com um tamanho menor. Então, faço pot-pourris, misturando um pedaço de uma música com o de outra. Sobretudo, canções de tonalidades, ritmos ou letras com temas parecidos”.

Consequentemente, Affonsinho chega a tocar três músicas com o tamanho de uma. E, portanto, consegue atender o máximo de pedidos possíveis. A plateia cantando as canções é o feedback que mais o conforta. “Isso é uma alegria sem tamanho para um compositor mineiro independente”.

Confira, a seguir, outros trechos do bate-papo

Pandemia

O que a pandemia ensinou a você? Te fez rever valores, a mudar, internamente?
A pandemia provocou mudanças gigantescas. Coisas que ainda estamos assimilando. Mas posso dizer que sempre gostei de pensar, fazer aquelas perguntas sem respostas, e, durante a pandemia, pensei ainda mais. Um dia, minha analista me disse: “Para coisas sem respostas, continue escrevendo poesia. Em algum nível elas respondem”.

E, daí, fiz mais uma canção: “Passar Band Aid“. (Affonsinho cita um trecho: “… É preciso humildade pra saber que não dá pra entender mais que muito pouco. / Quem já sabe aprender como aprender é que aproveita melhor este mundo louco!…”)

Fluxo criativo

Imagino, então, que, durante o isolamento, você deve ter se dedicado muito a compor…
Muito! É uma coisa que faço quase que diariamente. Uma das (atividades) que me salvam, principalmente em anos como os últimos que passamos. Nas composições é que coloco minhas dores, dúvidas, angústias e também os amores esperanças.

Fiz muitas músicas e já lançamos dez singles, ou “affonsingles”. Mas temos várias outras que serão lançadas na sequência, algumas, com participações especiais.

‘Rebeldia salvadora’

Que sentimentos te invadiam, naquele momento?
Com a quantidade de informações e, infelizmente, de desinformações (as tristíssimas “fake news”) que temos hoje, acho que uma infinidade de sentimentos: tristeza, desesperança, angústia… Mas também a rebeldia salvadora dos sentimentos contrários aos três últimos que citei.

Fui botando pra fora todas as dores, esperanças sonhos etc. Exatamente como disse na “Passar ‘Band Aid’“: “… Quem já sabe aprender como aprender é que aproveita melhor este mundo louco!… “

Parceria com Nelson Motta

Gostaria que me falasse de “Amor e Amizade”, parceria com o Nelson Motta, que você lançou ano passado
Veja, o Nelson Motta descobriu o meu trabalho através da gravadora de Ronaldo Bastos, a Dubas. Isso quando lancei o meu primeiro CD com eles, “Zum Zum “. Foi neste mesmo período, aliás, que ele conheceu também a Fernanda Takai. Ela cantou sua primeira bossa nova neste disco, “O Amor Não Acaba Pra Quem é do Bem “. E, veja, isso acabou mudando a carreira dela.

Nelson escreveu vários textos elogiosos, falou do meu trabalho em muitos programas de rádio. No Rio, acho que na Globo FM, e, em BH, na Guarani. Daí, convidou-me para fazer músicas. Assim, escrevemos algumas, mas, como componho muito, e o disco “Belê” já estava quase pronto, não sobrou espaço para incluir, nele, as parcerias com Motta.

Pouco tempo depois, saí da gravadora de Bastos (Affonsinho voltou a ser independente, por opção própria) e continuei compondo mais ainda. Assim, aquelas parcerias ficaram guardadas.

Durante a pandemia, achei essa música e resolvi regravá-la. A letra de “Amor e Amizade” é de amor, mas também cita temas relacionados ao Clube da Esquina. (Affonsinho descreve a canção como um “’reggae’, meio ‘soul’, cheio de guitarras”).

Affonsingles

Bem, queria, claro, que falasse sobre os demais “affonsingles”….
Pois é, nós lançamos 10 e temos outros prontos para serem apresentados na sequência. Vou falar um pouco de cada um…

“O pedido mais louco“.

Participação de Lívia Itaborahy. O refrão diz: “… Se nem mesmo eu sou igual ao que eu era agora há pouco, querer que você pense igual a mim é o pedido mais louco.…”. Affonsinho conta que é uma canção sobre diferenças e convivências. “Situações que experimentamos com mais intensidade durante a pandemia”.

“Se vacilar eu caio“.

Participação de Bárbara Barcellos. “Foi minha tentativa de escrever um xote romântico. Achei a música muito legal, mas, curiosamente, meu público parece não ter compreendido o Affonsinho cantando xote”, diz ele, aventando que, se fosse Gilberto Gil a gravá-la, teria potencial para virar um grande sucesso. “Porque é bem dançante”.

“Sapucair, Savassear”

“São neologismos que inventei para fazer carinho em nossa cidade e pedir socorro, em plena pandemia”. O artista acrescenta que a composição fala também do quanto é necessário passear por BH. “A letra tem várias mineiridades, inclusive usando muito sutilmente a Avenida do Contorno como um abraço de amor”, diz ele, citando o verso: “‘Contornar’ meu amor com meu braço e beijar…”

“Papo com o tempo“

Affonsinho diz que esta música é o seu pedido para que o tempo não o deixe perdê-lo. “… Tempo, não me deixe não, te soltar da minha mão, não saber te aproveitar…”, diz uma estrofe.

“Quando sinto muito mais que sei“

Esta música, diz ele, tem participação da jovem cantora baiana Analu Sampaio. A letra fala sobre as horas de angústia, quando pensamos e sentimos muito mais do que podemos compreender. “Também faço uma homenagem a Vander Lee e à sua ‘Românticos’”. É uma canção de angústia e amor. E que pede alegria”. A letra diz: “… Quando eu canto a fantasia é que eu quero a alegria num ventilador… “

“Passar Band Aid“

O cantor e compositor reconhece que trata-se de uma composição “um pouco mais dura”. A letra constata: “… A vida não tem educação. Não, ela não é nenhuma lady. Ela bate, bate bem no coração. E só um amigo bom pode passar Band Aid!“

A imagem de “passar” Band Aid , comenta ele, pode soar infantil, mas foi usada exatamente para dizer que as dores não são, de fato, facilmente curáveis, mas que a presença de amigos consolam.

“O violão do João“

A letra fala sobre a tentativa de nos acalmarmos, “principalmente com a avalanche de notícias que recebemos por minuto”. Affonsinho enfatiza que não toca o violão do João Gilberto. “Ninguém dá conta de tocar. Mas falo sobre a calma que o violão e a música dele trazem para quem compreende a imensidão de seu talento”.

Affonsinho se ressente da correria dos tempos atuais. “É uma loucura. Fico pensando em quando Caetano Veloso escreveu, na letra de ‘Alegria Alegria’: ‘Quem lê tanta notícia?’ E era apenas UMA banca de jornal e não a internet!!!!”.

“Consertar o mundo”

“É uma letra utópica sobre consertar o mundo, mas falo mais do nosso mundo interior. Nosso mundo de dentro, nosso coração, nossos pensamentos. Achei uma letra muito bonita”. A música tem as participações de César Lacerda e Malvina Lacerda cantando com ele. “… “ Vamos consertar o mundo, mesmo que não dê pra saber se isso vai chegar acontecer… “

“Déu em déu, oncotô”

Parceria com César Lacerda. “Ele me contou que o “Belê” foi um álbum de referência na vida dele. Ficamos amigos e convidei-o para colocar versos em uma de minhas melodias. Ele fez uma letra superbacana e com coisas que, com a sensibilidade dele, tinha certeza que eu adoraria”.

Affonsinho se refere a temas que aparecem também em suas canções. “É um dos singles que mais gosto”, confessa.

Em tempo: o décimo Affonsingle é “Amor e Amizade”, sobre o qual ele já havia falado, na entrevista. Por último, mas não menos importante: o nome do show faz referência ao álbum mais recente do artista, “Outros Outros” (2019), pelo fato de ser a primeira vez que o cantor se apresenta ao vivo depois de tê-lo lançado.

Serviço

 Affonsinho – Depois dos Outros

Data: 25 e 26/5, quinta e sexta

Horário: 20h

Local: Sala Juvenal Dias – Palácio das Artes (av. Afonso Pena, 1537, Centro)

Ingressos: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia entrada)

Vendas: Na bilheteria do teatro ou no site

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