Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Após o Prêmio Machado de Assis, Adélia Prado vence o Camões

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O nome da poeta, romancista e contista mineira Adélia Prado como vencedora do Prêmio Camões deste ano foi anunciado nesta quarta-feira, 26 de junho

A poeta, professora, filósofa, romancista e contista mineira Adélia Prado é a vencedora do Prêmio Camões 2024, o mais importante da língua portuguesa. A reunião do júri aconteceu na manhã desta quarta-feira, dia 26 de junho de 2024, de forma virtual. Os jurados foram o escritor e professor Deonisio da Silva (Brasil), o professor e pesquisador Ranieri Ribas (Brasil), o filósofo e crítico de arte poética Dionisio Bahule (Moçambique), o professor Francisco Noa (Moçambique), a professora Clara Crabbé Rocha (Portugal) e a professora Isabel Cristina Mateus (Portugal).

O valor da premiação é de 100 mil euros, um dos maiores valores do mundo entre os prêmios literários. A premiação é concedida por meio de subsídio da Fundação Biblioteca Nacional (FBN) – entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC) e do Governo de Portugal. O anúncio acontece dias após a divulgação do nome de Adélia Prado como a vencedora do Prêmio Machado de Assis.

A mineira Adélia Prado, cujo nome foi anunciado nesta quarta, 26 de junho, como vencedora do Camões (MinC/Divulgação)
A mineira Adélia Prado, cujo nome foi anunciado nesta quarta, 26 de junho, como vencedora do Camões (MinC/Divulgação)

“Lírica, bíblica, existencial”

Segundo o júri, “Adélia Prado é autora de uma obra muito original, que se estende ao longo de décadas, com destaque para a produção poética”. O texto prossegue lembrando que, sobre ela, Carlos Drummond de Andrade escreveu conhecidas palavras. A saber: “Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo…”. A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou a vitória da cultura brasileira com a conquista de Adélia Prado no Prêmio Camões 2024.

Margareth Menezes sublinhou a importância de reconhecer a obra de uma mulher brasileira. Desse modo, enfatizou que Prado não só eleva a literatura nacional, mas também representa a força e a criatividade das mulheres no cenário cultural. A ministra ressaltou, ainda, que o prêmio “é um tributo à rica tradição literária do Brasil”. Do mesmo modo, “à capacidade das escritoras brasileiras de capturar a essência da nossa identidade cultural”.

Poesia lírica e metafísica

O presidente Fundação Biblioteca Nacional, Marco Lucchesi, comentou o resultado. Primeiramente, ele lembrou que Adélia Prado vence o Prêmio Camões no ano da comemoração do quinto centenário do maior porta da língua portuguesa. “Coincidência ou destino? Adélia não é apenas um dos maiores nomes da poesia do Brasil, mas de toda língua portuguesa, em todos os quadrantes da terra e da grande poesia. Uma poesia lírica e metafísica, amorosa e existencial, antiga e moderna. É a voz profunda de Divinópolis, que teve em Carlos Drummond de Andrade um de seu mais fervorosos leitores. Foi ele quem a descobriu para o Brasil, e hoje é o Brasil que se descobre dentro de sua obra”, afirma.

Sobre Adélia Prado

Adélia Prado nasceu em Divinópolis, Minas Gerais, em 1935. É licienciada em filosofia. Publicou os primeiros poemas em jornais de Divinópolis e de Belo Horizonte. A estreia individual aconteceu em 1975, quando remeteu, para Carlos Drummond de Andrade, os originais dos novos poemas. Impressionado com a escrita dele, ele enviou os poemas para a Editora Imago. Publicado com o nome “Bagagem”, o livro de poemas chamou atenção da crítica pela originalidade e pelo estilo.

Em 1976, o livro de Adélia foi lançado no Rio de Janeiro, com a presença de importantes personalidades como Carlos Drummond de Andrade, Affonso Romano de Sant’Anna, Clarice Lispector, entre outros. Em 1978, escreveu “O Coração Disparado”, com o qual conquistou o Prêmio Jabuti de Literatura, conferido pela Câmara Brasileira do Livro. Nos dois anos seguintes, dedicou-se à prosa, com “Solte os Cachorros”, em 1979, e “Cacos para um Vitral”, em 1980. Volta à poesia em 1981, com “Terra de Santa Cruz”.

Sobre o Prêmio Camões

Os governos do Brasil e de Portugal instituíram o Camões em 1988. O objetivo maior foi estreitar os laços culturais entre as nações que integram a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e enriquecer o património literário e cultural da língua portuguesa. Leva o nome daquele que é considerado o maior escritor da história da língua portuguesa – o poeta português Luís Vaz de Camões. Assim, o prêmio se destina a autores que, pelo conjunto da obra, contribuíram para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa.

Júri

O Ministério da Cultura português organiza a premiação pela parte portuguesa, cabendo à Fundação Biblioteca Nacional a organização pela parte brasileira. Em todas as edições do prêmio, o júri traz dois portugueses, dois brasileiros e dois representantes das demais nações da CPLP. Ou seja, Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste e São Tomé e Príncipe. O mandato para os jurados é de dois anos.

O diploma contém o nome de todos os países lusófonos e leva a assinatura dos chefes de estado do Brasil e de Portugal. Entre os 34 vencedores, encontram-se autores de cinco países lusófonos (Brasil, Portugal, Moçambique, Angola e Cabo Verde). O premiado em 2023 foi o ensaísta, crítico literário, cronista e tradutor português João Barrento.

Machado de Assis

Adélia Prado também venceu o Prêmio Machado de Assis de 2024. A honraria celebra os mais de 20 livros publicados pela mineira. O Machado de Assis será entregue no dia 19 de julho, data de aniversário da Academia Brasileira de Letras. Batizado em homenagem a um dos fundadores da instituição, o escritor Machado de Assis, o prêmio é distribuído desde 1941. No ano passado, a premiada foi a escritora Marina Colasanti. Adélia Prado é a 11ª mulher laureada.

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