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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Academia Orquestra Ouro Preto apresenta montagem inédita de ópera

O Grande Governador da Ilha dos Lagartos é recorte de uma passagem de Dom Quixote, obra de Miguel de Cervantes

Por Jaiane Souza *

02/08/2019 às 11:10 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

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Orquestra Ouro Preto. Foto: Naty Tôrres/Divulgação

Tem gente que torce o nariz para música de orquestra, pois acha que é feita para público segmentado. Ou que só pode ser desfrutada por pessoas de cultura erudita e classes altas. Entretanto, quem acompanha o trabalho feito pelas Orquestras de Minas Gerais, sabe que não é assim. Definitivamente. Seja a Filarmônica, a Sinfônica, a Ouro Preto, a Opus, todas elas tem projetos destinados a aproximar os universos do erudito com o pop. 

Sendo assim, o que tem chamado a atenção, é a versatilidade desses conjuntos. No caso da Orquestra Ouro Preto, desde que se uniu a Alceu Valença para fazer o Valencianas, as combinações inusitadas nunca mais pararam. Já teve encontro com Renegado, Fernanda Takai, Grupo Giramundo, isso sem contar dos repertórios de Beatles, Fernando Brant e até com filmes de Charles Chaplin.

A novidade da vez é a montagem inédita do entremez O Grande Governador da Ilha dos Lagartos, pela Academia Orquestra Ouro Preto. Ou seja, são músicos que se preparam para assumir um posto na Orquestra. E olha que interessante: a apresentação será na Casa da Ópera de Ouro Preto. Uma escolha muito apropriada já que o teatro completa 249 anos em 2019. Este também é o ano em que completam-se 280 anos da morte de Antônio José da Silva, escritor da peça. 

“A Casa da Ópera de Ouro Preto é um local lindo e que foi pensado justamente para esse tipo de espetáculo. Tenho certeza de que quem comparecer não vai se arrepender”, comenta o regente titular da Orquestra Ouro Preto, Rodrigo Toffolo. A Casa é o teatro mais antigo em funcionamento na América Latina. 

 

Foto: Tarcisio de Paula / Divulgação

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A ópera

O Grande Governador da Ilha dos Lagartos foi escrita no século XVIII pelo português Antônio José da Silva. Ele foi um escritor e dramaturgo e nasceu durante o período do Brasil Colônia (1530-1822). Para ser mais exato, o nascimento foi na atual cidade de São João do Meriti, no Rio de Janeiro. “Antônio foi um escritor muito importante. Além disso, são raras as óperas escritas e encenadas em português. Por isso, escolhemos esta”, explica Toffolo. 

Quando escreveu a peça, o autor Antônio José fez uma adaptação de uma passagem da obra Dom Quixote, de Miguel de Cervantes. Nela o seu fiel escudeiro Sancho Pança se autodeclara governador da Ilha dos Lagartos. “Outro motivo pelo qual escolhemos essa peça é porque ela não perdeu o seu frescor. Infelizmente, o tema ainda é atual”, confessa Rodrigo Toffolo ao comentar sobre a reflexão crítica que ambas as obras provocam sobre atuação dos governantes. 

Elenco

Não apenas o tema da ópera foi cuidadosamente pensado, mas também o elenco. A música ficou por conta da Academia Orquestra Ouro Preto. Trata-se de uma escola de aprimoramento de músicos que é realizada no Sesc Palladium. “São 22 jovens bolsistas que estão buscando atingir a maturidade dentro da prática em conjunto”, explica Toffolo. Esta também será a primeira vez que vão se apresentar publicamente após o início dos estudos com integrantes da orquestra desde o começo do ano.

Juntam-se aos músicos os solistas Carla Rizzi, como a Mulher e o Meirinho; Alberto Pacheco, como o cirurgião; Fabrício Claussen, como Sancho Pança e Carlos Eduardo Vieira, como o médico. No total, 32 pessoas integram o elenco entre atores, atrizes, figurantes e a orquestra. 

Origem e versatilidade da orquestra

A Orquestra Ouro Preto é, sem dúvidas, umas das mais versáteis em atuação atualmente. Desde a sua criação, em 2000 como Orquestra Experimental da UFOP, a ideia já era fazer experimentações sonoras e buscar o ineditismo. Os responsáveis pela fundação do grupo foi Rufo Herrera e Ronaldo Toffolo. “O Rufo é uma figura fundamental para a orquestra. Ele trouxe essa versatilidade para o DNA do grupo. Desde o começo nós executamos as composições dele”, esclarece o maestro Rodrigo. 

Quando falamos que a proposta da Orquestra Ouro Preto é atingir diferentes públicos com a sua música Rodrigo Toffolo endossa, “as pessoas falam que não gostam de música de concerto mas o conselho que eu dou é que elas, pelo menos, experimentem ouvir”. Para ilustrar ele nos contou uma história. Há um tempo ofereceu leite condensado para a filha de seis anos, que recusou dizendo não gostar. Ele insistiu para que ela provasse e desde então sempre que vai tomar açaí pede que o doce seja acrescentado. Com moderação, é claro.

Diversos públicos

“A nossa intenção é fazer com que as pessoas se apaixonem pela orquestra. Se alguém gostou da gente tocando Beatles, por exemplo, e outra pessoa gostou da parceria com o Alceu, as duas provavelmente vão em uma apresentação com outra figura”, detalha Rodrigo. Essa é a fórmula utilizada pelo grupo para unir públicos diferentes e fazer com que todos tenham acesso à música de orquestra.

O acesso também é facilitado com o preço dos ingressos para assistir aos espetáculos. A ópera O Grande Governador da Ilha dos Lagartos terá entrada franca em Ouro Preto. Os ingressos podem ser retirados a partir do dia 12 de agosto. “Nós vamos devolver para Ouro Preto o que foi produzido para ser executado lá, aumentar a potência do interior de Minas Gerais. Este é um projeto mais do que musical, é um patrimônio cultural”, conclui o diretor artístico e regente da Orquestra Ouro Preto, Maestro Rodrigo Toffolo. 

Rufo Herrera

Paralelo ao trabalho que realiza da Academia, a Orquestra Ouro Preto segue com suas apresentações a todo vapor. A Série Domingos de Clássicos deste fim de semana tem Orquestra Ouro Preto: a latinidade de Rufo Herrera. A apresentação embarca na obra do bandoneonista e compositor que é membro fundador e diretor de criação da orquestra. A apresentação vai passar pelo tango, pelas composições minimalistas de Herrera e celebrar a latinidade dele.

[O QUE] O Grande Governador da Ilha dos Lagartos [QUANDO] 15 a 17 de agosto, 20h [ONDE] Casa da Ópera de Ouro Preto – R. Brigadeiro Musqueira, 68 – Ouro Preto – MG [QUANTO] Entrada gratuita. Os ingressos serão distribuídos no próprio teatro, a partir do dia 12 de agosto, das 14h às 18h

[COMPRE AQUI]

Outras apresentações da Orquestra Ouro Preto

[O QUE] Orquestra Ouro Preto: a latinidade de Rufo Herrera [QUANDO] 4 de agosto, 11h [ONDE] Grande Teatro do Sesc Palladium – R. Rio de Janeiro, 1046, Centro – BH – (31) 3270-8100 [QUANTO] R$ 25 (inteira), R$ 12,50 (meia) e R$ 10 (Cliente Sesc)
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[O QUE] Orquestra Ouro Preto: The Beatles Volume I [QUANDO] 9 de agosto, 21h [ONDE] Cine Theatro Brasil Vallourec – Av. Amazonas, 315, Centro – BH – (31) 3201-5211 [QUANTO] R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
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[O QUE] Orquestra Ouro Preto e Fernanda Takai em O Tom da Takai [QUANDO] 18 de agosto, 20h30 [ONDE] Centro de Caeté – MG [QUANTO] Gratuito

[O QUE] Orquestra Ouro Preto: The Beatles Volume II [QUANDO] 31 de agosto, 20h30 [ONDE] Sesc Palladium – R. Rio de Janeiro, 1046, Centro – BH – (31) 3270-8100 [QUANTO] R$ 25 (inteira), R$ 12,50 (meia) e R$ 10 (cliente Sesc)

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[O QUE] Valencianas [QUANDO] 7 de setembro, 16h [ONDE] Inhotim – R. B, 20, Fazenda Inhotim – Brumadinho – MG – (31) 3571-9700 [QUANTO] Consultar preço de entrada do museu

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