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A Mulher Rei: impressões sobre o filme com Viola Davis

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Diferentemente de outras produções do mesmo gênero, A Mulher Rei não é um filme do qual você sai do cinema com a cabeça feita.

Por Carol Braga

Diferentemente de outras produções do mesmo gênero, A Mulher Rei não é um filme do qual você sai do cinema com a cabeça feita. Isso porque são muitos estímulos e alguns deles precisam de tempo para elaboração e compreensão. Principalmente as informações sobre reconstituição de época. 

Thuso Mbedu em A Mulher Rei - Foto: CTMG, Inc. All Rights
Thuso Mbedu em A Mulher Rei - Foto: CTMG, Inc. All Rights

O longa protagonizado por Viola Davis conta um fragmento real da história do mundo. No caso, sobre o Reino do Daomé, na África Ocidental localizado no atual Benin. Existiu de aproximadamente 1600 até 1904.

O roteiro conta justamente sobre o período em que o comércio de escravos pelo oceano Atlântico rolava solto por lá. Tanto que o reino ficou conhecido por europeus como fornecedor de pessoas escravizadas. No entanto, isso está prestes a mudar.

Viola Davis em A Mulher Rei - Foto:  CTMG, Inc. All Rights
Viola Davis em A Mulher Rei – Foto: CTMG, Inc. All Rights

Trama

Nanisca (Viola Davis) é a líder de um exército de guerreiras chamadas Agojie. É ela quem chama a atenção do rei Ghezo sobre a imoralidade dessa prática: vender pessoas. Para ela, a sustentabilidade da nação pode vir de outras fontes econômicas. Entre elas, por exemplo, o comércio de azeite de dendê. 

Ou seja, a temática de A Mulher Rei é muito interessante e relevante. No entanto, talvez por um desejo de fazer das Agojie super-heroínas, o foco nas guerreiras acaba diminuindo a força do importante contexto histórico. Falar sobre os mercados negreiros na perspectiva das pessoas escravizadas é urgente. 

Confrontos

Assim, A Mulher Rei segue a atual lógica hollywoodiana de colocar as garotas em pé de igualdade com os homens quando o tema é luta. Ou seja, independentemente da força, é tiro porrada e bomba para todos os lados. Já foi assim em Mulher-Maravilha. Não deixa de ser uma forma de discutir a força do feminino, neste caso, com todas as compreensões possíveis da palavra ‘força’. 

É aí que aparece Nawi (papel da surpreendente Thuso Mbedu). A jovem recusa o casamento e é devolvida ao Rei. Está tudo certo pois o que ela mais deseja é mesmo ser uma guerreira Agojie. Então,  oferece tudo o que tem para conseguir se transformar em uma lutadora. Nesse processo, A Mulher Rei também fala sobre sororidade, sobre uma mulher ajudar a outra. Mais união e menos competição. 

Incômodos

A Mulher Rei tem tema relevante e os trabalhos de interpretação das protagonistas (Viola e Thuso) têm força. Só que, ao narrar sobre um drama específico sobre a vida da Nanisca, a escolha por humanizar a personagem acaba criando um desvio da trama principal. Aí fica a pergunta: será que precisava? Não tenho a resposta pois trata-se de um ponto delicado da história.

Outro aspecto que gerou estranhamento para mim foi a língua. Assisti ‘A Mulher Rei’ em cópia legendada. Oficiais portugueses vão ao Reino de Daomé para comprar escravizados. A pergunta é: por que não selecionar atores que falam realmente português? Soa bem esquisito. 

Em resumo: A Mulher Rei é mesmo um filme que subverte o gênero, narra uma importante história baseada em fatos reais mas que dá certas escorregadas ao fazer certas concessões para atingir uma audiência maior.

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