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A força da mulher cineasta: Mostra Imagem dos povos é dedicada a elas

Evento realizado entre os dias 8 e 19 de março, no MIS Santa Tereza, exibirá 48 filmes dirigidos por mulheres

Por Thiago Fonseca *

05/03/2020 às 14:00 | *Colaborador

Publicidade - Portal UAI
Foto: Vitrine Filmes / Divulgação

Quando a cineasta Sandra Kogut entrou pela primeira vez em um set de filmagem, há mais de vinte anos, se viu cercada de homens e com muitos desafios pela frente. “Comecei muito nova e já entrei como diretora. Tinha que dirigir homens mais velhos. Foi difícil, mas pensei: só vou conseguir fazer isso continuando a ser quem eu sou, sendo essa menina. É assim que vou conseguir fazer o que quero”, conta. Foram as forças e determinação de cineastas como Kogut que contribuíram para o crescimento da presença de mulheres na direção de filmes.

Para fortalecer o movimento e destacar as produções dirigidas por mulheres a Mostra Imagem dos Povos realiza em 2020 edição celebrando o cinema feito por elas. “A mostra sempre trabalhou com o que é mais pulsante na indústria. É importante destacar a luta das mulheres no cinema, sobretudo, como cineastas, ainda mais no mês dedicado a luta das mulheres”, conta Maíz d’Assumpção, diretora e curadora do evento. A Mostra Imagem dos Povos tem o patrocínio do UniBH.

Entre os dias 8 e 19 de março, no MIS Santa Tereza, serão exibidos 48 filmes – lançados entre 2018 e 2019 – de dez países, todos dirigidos por mulheres. “A ideia de trazer esse recorte é celebrar e reconhecer as mulheres do audiovisual. Nos últimos dois anos percebemos o aumento de filmes produzidos por mulheres, daria para fazer algo maior. O cenário cresce. O setor tem ganhado muitos destaques. Isso é sem volta,” salienta Maiz.

Números

Segundo dados da Agência Nacional do Cinema (Ancine), divulgados em 2018, em 2016, dos 142 longas-metragens lançados comercialmente naquele período, apenas 19,7% tinham sido dirigidos por mulheres. Um número pequeno, se comparado aos dos homens, mas que representa um crescimento e a força das mulheres como cineastas.

Para Sandra Kogut, hoje o cenário é diferente do passado, contudo, ainda há muito pela frente. “No cinema é preciso ter igualdade de acesso e condições de trabalho. Tendo o acesso, cada mulher vai fazer o que faz sentido para ela. O assunto que quer falar e isso é muito diverso. Dessa forma, é preciso ampliar o acesso aos financiamentos e os postos de trabalho tem que ser igual aos dos homens”, dispara.

Representatividade

A diferença de representatividade entre homens e mulheres na direção de filmes pode ser vista nas grandes premiações mundiais. Em 90 anos de Oscar, apenas uma mulher ganhou o prêmio de direção e só outras cinco foram indicadas. A primeira indicação de uma cineasta brasileira ao prêmio só veio ser realizada em 2020, com Petra Costa. Em Cannes, somente duas mulheres receberam o Palma de Ouro por direção.

Para a cineasta mineira Silvia Godinho, esse cenário é o reflexo de um cinema que sempre foi masculino, contudo, as mulheres estão conseguindo visibilidade em função de um movimento mundial das mulheres. “Tem que ter união e força coletiva das mulheres. Ação só tomou corpo depois que teve mulher no cargo de decisão. Uma mulher puxa a força do coletivo. O movimento está crescendo e é um caminho sem volta. O número de mulheres como cineasta só vai crescer”, explica.

Documentário sobre Guardas de Congado será exibido na Mostra – Foto: A Rainha Nzinga Chegou / Divulgação

Programação

Um dos destaques da Mostra Imagem dos Povos em 2020, por exemplo, é a exibição do longa Três Verões, de Sandra Kogut, que tem Regina Casé no elenco. Será na abertura do evento, dia 08 de março, às 19h no MIS Santa Tereza. Um filme com várias mulheres em lugares chaves. Tudo tem muito a ver com o olhar feminino. A história se passa ao longo de três verões e reflete é um retrato de um momento antes de uma grande ruptura. Além disso, mostra a resistência da mulher neste contexto”, explica Kogut.

Tem ainda, a pré-estreia de Aos Olhos de Ernesto, de Ana Luiza Azevedo; A Camareira, de Lila Avilés; seleção de filmes de Alice Guy-Blaché; A Rainha Nzinga Chegou, de Junia Torres; Eu, um outro, de Silvia Godinho; e outros. A produção de Godinho, por exemplo, retrata as dificuldades dos homens trans. Quem for conferir a programação da mostra também terá acesso à debates e conversas. Vale ressaltar que a programação é gratuita e os ingressos devem ser retirados meia hora antes da sessão. Confira aqui a programação completa.

Dicas do Culturadoria no Imagem dos Povos

8 de março – domingo

19h – Três VerõesDireção: Sandra Kogut. 2019,Brasil, 93 min, 12 anos. Ficção.

11 de março – quarta-feira

17h30 – A Rainha Nzinga ChegouDireção: Isabel Casimira e Júnia Torres. 2019, Brasil, 74 min, Livre. Documentário.

12 de março – quinta-feira

19h30 – Eu, um outro. Direção: Silvia Godinho. 2019, Brasil, 110 min, Livre. Documentário.

14 de março – sexta-feira

19h – A Camareira. Direção: Lila Avilés. 2019, México/EEUU, 102min, 14 anos

Dia 15 de março – domingo

19h – Aos olhos de Ernesto. Direção: Ana Luiza Azevedo. 2019, Brasil/Uruguai, 100 min, 12 anos. Ficção.

 

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