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Curadoria de informação sobre artes e espetáculos, por Carolina Braga

Palhaça Jasmin, de Lily Curcio, é homenageada pelo Circovolante

A 11ª edição do Encontro Internacional de Palhaços homenageia, pela primeira vez, uma mulher, a palhaça Jasmin

Por Jaiane Souza *

28/09/2019 às 14:39 | * Escreveu com a supervisão de Carolina Braga

Publicidade - Portal UAI
Foto: Thiago Barcelos / Divulgação

Já fazem 25 anos que Lily Curcio e Jasmim, sua palhaça, se consideram brasileiras. A antropóloga veio para o Brasil quando não aguentava mais de tristeza na Argentina. Ao chegar, as coisas realmente se transformaram e a artista se embrenhou no universo da palhaçaria. Anos dedicados à pesquisa, estudos, treinamentos e apresentações resultaram em reconhecimento e homenagem. Dessa maneira, Lily Curcio é a primeira mulher homenageada pelo Circovolante – Encontro Internacional de Palhaços. “Estou muito feliz em receber a homenagem porque trabalho com o que amo e me sinto privilegiada por isso”, conta Lily Curcio. 

Durante a sua atuação como antropóloga, Lily se interessou pelo xamanismo, que é, basicamente, um conjunto de estudos e práticas etnomédicas, religiosas e filosóficas. Ela não atua mais como antropóloga, mas a especialização em etnopsiquiatria continua contribuindo nos estudos como palhaça e no teatro de animação. “A etnopsiquiatria trabalha as enfermidades psíquicas graves através dos contos, mitos e lendas de cada cultura”, explica. Lily atuava em hospitais com pacientes psicóticos. “O xamã transporta a pessoa a outros estados alterados de consciência. Convida quem assiste ao ritual a outros estados de consciência. O palhaço faz a mesma coisa”.

Jasmim

Quem já assistiu a apresentações da palhaça Jasmim provavelmente se encantou pelas suas peripécias. Lily Curcio não dá muitos detalhes sobre como foi a sua mudança para o Brasil. Em contrapartida, convida a todos a conhecerem a história quando ela está no palco com o espetáculo Pedaços de mim. Na apresentação, conta os desafios que enfrentou enquanto mulher, palhaça e artista. No entanto, faz questão de deixar claro o quanto a personagem foi um divisor de águas em sua vida. Segundo ela, as próprias questões existenciais foram resolvidas depois do surgimento da palhaça. “A Jasmim encanta as pessoas porque ela pode ser qualquer coisa, não tem idade, não tem gênero, brinca de ser. Pode ser uma criança, um velho, um militar, não importa, ela brinca”, conta Curcio. 

Justamente esse encantamento é que deve ser trabalhado. Lily tem observado uma banalização no trabalho do palhaço e, por isso, destaca que a formação no teatro é de extrema importância para a plena realização da palhaçaria. Para construir a Jasmim, que está em constante desenvolvimento, Curcio fez escola com grandes mestres da palhaçaria. Alguns deles são Philippe Gaulier, da Inglaterra, que tem uma escola internacional de teatro; e Nani Colombaioni, da Itália, considerado um dos grandes clowns de todos os tempos. Além deles, tem também os “parteiros” da Jasmim. Lily mesmo usa a palavra parteiros para contar sobre a ajuda de Ricardo Puccetti e Carlos Simioni do LUME Teatro, Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp. 

 

Foto: Naty Torres/Divulgação

Pesquisa

Uma das dificuldades que Lily Curcio enfrentou na sua formação como palhaça foi o acesso a informações. “Hoje em dia você clica no YouTube e aparece um monte de coisa. Quando a gente começou, tinha apenas uma fita que circulava entre todos os palhaços amigos do Brasil”, conta Curcio. “Agora não há mais desculpas para não estudar e pesquisar. A informação está aqui”, explica. Um exemplo disso são as atividades realizadas no 11º Circovolante – encontro Internacional de Palhaços. A programação conta com os lançamentos do livro Palhaços: multiplicidade, performance e hibridismo, da autora do Rio de Janeiro, Lili Castro, e da segunda edição da obra Noites circenses, da mineira Regina Horta. 

Ainda no processo de formação como clown, Lily criou o Grupo Seres de Luz, no qual trabalha com outras mulheres palhaças. O grupo monta espetáculo coletivos e solos, para teatros, palcos, para as ruas e espaços alternativos. Na apresentação deste domingo, dia 29 de setembro, no encontro de palhaços a artista apresenta um compilado que mostra os 25 anos de carreira e as produções do Grupo Seres de Luz. 

Ser mulher na palhaçaria

“O mundo ainda está se abrindo para a palhaçaria feminina. O Encontro Internacional de Palhaços está homenageando a mim e a todas as mulheres que estão atuando a anos”, revela Lily. A argentina de coração brasileiro observa um movimento crescente de mulheres na palhaçaria e afirma que o mais importante é tentar. Isso porque, até este momento, grande parte das peças e apresentações produzidas têm a mulher em uma função secundária, como assistente e por trás do palhaço homem. “Por isso, temos que ter muita atenção com o que vamos contar porque é uma resposta a tantos anos de patriarcado”, resume Curcio. 

O ódio, os problemas sociais e políticos, a polaridade e a dualidade terão que ser resolvidos em algum momento. Então, Lily acredita que a arte da palhaçaria pode auxiliar no processo de diálogos sociais. “Temos que ser como uma locomotiva, ir sempre para frente”.

 

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