04 jun 2017

Em show curto, Maria Bethânia revisita sucessos da carreira em BH

O show de Maria Bethânia marcado para o Km de Vantagens Hall apareceu na agenda de BH como algo inusitado. Não por Bethânia, claro. Pelo local. A artista de conhecida exigência até então havia se apresentado na casa de shows apenas uma vez, mesmo assim dentro de um projeto maior como o Prêmio Multishow da Música Brasileira. Ou seja, show dela mesmo, nunca.

A fase é outra. Encerrada a turnê de ‘Agradecer e abraçar’ que comemorou a carreira de 50 anos, Bethânia dá sinais de que quer cantar para mais gente, pessoas que até então nunca tiveram oportunidade de vê-la ao vivo. Isso significa a escolha por espaços maiores. O problema é que tal decisão afetou diretamente a “experiência Bethânia”. A vantagem é que qualquer dose dela sempre vale a pena!

FOI POUCO!

Para começar, foi curto. Muito curto. Maria Bethânia subiu ao palco às 21h15 e, exatamente, às 22h34 finalizava a última canção. O show é uma colcha de retalhos com fragmentos de vários outros espetáculos. Cenário e iluminação foram bem básicos comparado àqueles que costuma carregar nas turnês. O que mais chamou a atenção foi o figurino, em especial as duas saias brilhantes usadas por Bethânia. Uau!

Assim como em Carta de Amor (2013), a curtinha Canções e Momentos abriu o repertório, seguida de O quereres, de Caetano Veloso que ele canta na abertura da novela Força do Querer mas que ela gravou em Maricotinha (2002).  A dona do raio e do vento, também de Carta de Amor, continuou o set de abertura finalizado com Cálice (Chico Buarque e Gilberto Gil), de Álibi (1978).

Talvez provocado pelo significado da canção no contexto político, o primeiro “Boa Noite” de Maria Bethânia veio acompanhado de gritos de “Fora Temer”. Respondeu com um gesto e seguiu.

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ORGANICIDADE

Se os espetáculos dela – todos gravados em DVD – são pensados como uma peça inteira, ou seja, há organicidade na forma como cada música aparece no repertório, sem buracos. Dessa vez foi diferente. O chamado “Show de Sucessos” já passou por Recife e chegou a BH com sinais de que as transições entre uma canção e outra ainda precisam ser melhor resolvidas.

Aqui ainda houve o agravante acústico. A casa de shows na Avenida Nossa Senhora do Carmo é sempre um desafio para os engenheiros de som. Bethânia não escapou dessa maldição. Em alguns momentos ficava nítido o quanto o som da banda sobrepunha a voz da cantora. A percussão, em especial, ecoava bem mais forte em determinados momentos. Ela, profissional, seguia.

ORAÇÃO

Quando falava – que foram pouquíssimos momentos – não dava para entender. Também porque a plateia gritava além da conta. Em um das raras pausas, a cantora foi mais firme: “Posso falar?”. Se fez o silêncio e ela, então, contou sobre o quanto gosta de rezar. Lembrou de Ariano Suassuna e rezou a Ave Maria dos Índios, aprendida com ele. Foi lindo!

Entre as canções que há muito não apresentava ao vivo estão Olhos nos olhos (Chico Buarque), Negue (Adelino Moreira/Enzo de Almeida Passos), Fera Ferida (Roberto Carlos/Erasmo Carlos), Samba da Benção (Vinícius de Moraes). Aquele momento de um saravá geral que a plateia acompanhou a energia.

Do repertório gravado em Amor, festa, devoção relembrou a linda versão para É o Amor (Zezé de Camargo/Chico Amado/Dedé Badaró) e Balada de Gisberta (Pedro Abrunhosa). Com Frevo nº 2 no Recife fez homenagem a Naná Vasconcelos, que morreu no ano passado. Foi um momento para cantar a saudade.

Maria Bethânia estava acompanhada de Jorge Helder (contrabaixo), Túlio Mourão (piano), Paulo Dafilim (violas e violão), Pedro Franco (violão, bandolim e guitarra), Marcio Mallard (cello), Carlos César (bateria) e Marcelo Costa (percussão).

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