Em ano de crise, Savassi Festival mantém qualidade em formato menor

Savassi Festival 2017. Crédito: Humberto Martins

Humberto Martins e Thiago Fonseca*

Desde que trocou o Café com Letras pelo espaço aberto da Antônio de Albuquerque –  há 15 anos – o Savassi Festival só cresceu. Passou a ocupar diversos espaços da cidade, outros Estados e até países. Será chegada a hora em que o menos é mais?

Segundo Bruno Golgher, idealizador e coordenador do evento, a tendência do Savassi é cada vez mais se concentrar menos.  “A ideia é ser uma escala mais intimista e espalhar o evento para a cidade num formato mais delicado”, anuncia sobre os planos para 2018.

Este ano, foram 10 dias de imersão no jazz e na música instrumental, com mais de 50 shows em vários cantos de Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. Entre as novidades desta edição estiveram convidados nova geração israelense e um palco dedicado às compositoras de música instrumental. Sim, ocupação feminina.

Artistas brasileiros, portugueses e israelenses, se apresentaram em teatros, cafés, bares, centros culturais e também na rua. O Centro Cultural Banco do Brasil, Teatro Sesiminas, Teatro Bradesco, Sesc Palladium, Cine Theatro Brasil Vallourec e o Anfiteatro do Pátio Savassi, além do Café Com Letras – Savassi e Praça da Liberdade –, o Café 104, o Mind The Coffee, a Praça Floriano Peixoto e a Rua Antônio de Albuquerque foram espaços escolhidos para receber as apresentações em Belo horizonte.

Fomento

“A ideia do festival foi sair de um espaço privado e ocupar o público. O jazz era algo do teatro e trazer esse gênero musical para a rua foi uma aposta que deu certo. Hoje o evento cresceu e dentro dele há outros subprojetos de fomento artístico. Nosso maior valor é criação de novos conteúdos e desenvolvimento de colaborações artísticas” explica Bruno.

Entre as atrações que passaram pelo festival, destaque para o show Rosa Passos canta Tom Jobim, Oded Tzur Quartet, o israelsense Shai Maestro Trio e Guy Mintus e o português Eduardo Cardinho. O Projeto Música Nova, que consiste num convite feito aos artistas Juliana Perdigão, Fred Selva, Luisa Mitre e Rafael Martini para criar músicas especificamente para o evento reforça o desejo do fomento artístico. Como nos últimos anos, houve também programação voltada para as crianças.

Domingo 

O Savassi Festival terminou no fim de semana de maneira tradicional: com festa na rua. Este ano continuou em frente ao Café com Letras na rua Antônio de Albuquerque, mas apenas com único palco.

No domingo o “Palco oi” foi espaço para o lançamento do disco Monduland, do pandeirista Túlio Araújo. A atração foi a primeira do dia e emocionou os presentes.

O disco foi planejado durante quase três anos. É fruto de muito estudo sobre polirritmia e modulações métricas. No palco, Túlio cercado de convidados, mostrou que o jazz pode sim ser tocado com pandeiro. Que leveza! Clima agradável, som ótimo e público atento. Para o pandeirista, a música toca as pessoas e o jazz a alma.

“Este festival foi muito importante para minha carreira. Lançar meu disco aqui é algo muito especial. Desde 2013 estou no projeto e de lá para cá só me abriu portas. Tudo é graças ao festival”, comenta Túlio Araújo.

O trio israelense Shai Maestro, consagrado mundialmente, foi a segunda atração. As músicas executadas formam uma narrativa para além da virtuosidade artística, como força e potência musical. Mesmo sendo instrumental, o grupo fez os presentes cantarem.

Em seguida, paulista Daniel Santiago, com o quinteto experimental, trouxe um jazz com uma pegada mais de rock, música eletrônica e brasileira. Duas baterias foram utilizadas durante o espetáculo. O repertório foi composto de músicas que farão parte do seu próximo álbum, além de versões de músicas de Milton Nascimento e Tavinho Moura.

O Savassi Festival 2017 terminou com Jorge Continentino. Com seu saxofone e seu pífano – espécie de flauta transversal – o artista transitou entre o jazz e as músicas do Nordeste. Característica que deixou o show com ar de forró. Teve até quem arriscasse alguns passos da dança. Um dos momentos mais interessantes foi quando Emanuel Rock, um garotinho simpático, subiu ao palco e cantou junto.

Tarde de domingo com Jazz na Savassi. Crédito: Thiago Fonseca

Sábado

É claro que, ao logo desses 15 anos a tecnologia e a estrutura do evento se modificaram. O que não parece ter mudado é a vontade dos organizadores de brindar a população com musica de qualidade.

Neste ano, além da estrutura com vários food trucks bem próximos dos palcos principais, foram espalhadas confortáveis cadeiras de praia em posições privilegiadas.

Também foram distribuídos banquinhos montáveis de papelão. Assim, todos que quisessem poderiam aproveitar o evento sentados.

No sábado as atrações se concentram no Palco AeC, também na Rua Antônio de Albuquerque. Se apresentaram os paulistas do Vitor Arantes Quarteto, o israelense radicado em Nova York Oded Tzur (foto), além da prata da casa Deangelo Silva.

*Sob a supervisão de Carolina Braga