Os sinais do Globo de Ouro sobre a temporada de prêmios e Hollywood

O Globo de Ouro não é uma premiação para palpites. Pelo menos para mim. É como se fosse um primeiro encontro com um conjunto de filmes que certamente ainda teremos muito o que comentar. Eis aqui alguns pontos que chamaram a atenção durante a cerimônia e anunciam o que vem por aí no burburinho da temporada de prêmios. Em geral, acho bem sem graça as cerimônias quando um filme papa quase tudo. Enfim.

Meryl Streep foi a rainha da noite. Crédito: Globo de Ouro

Meryl Streep foi a rainha da noite. Crédito: Globo de Ouro

As mulheres tem a força mesmo quando não tem voz

Em uma noite de discursos rápidos e rasteiros, Viola Davis (que foi protocolar ao receber o prêmio de atriz coadjuvante por Fence) arrasou na homenagem a Meryl Streep. Partiu da amizade das duas, da cumplicidade entre elas, para falar sobre o que a atriz que recebeu mais indicações da história do Globo de Ouro significa para toda uma geração.

Elegamentemente, Meryl recebeu o Cécil B. De Mille e sutilmente deu seu recado. O novo presidente americano, Donald Trump, foi alvo de críticas. Fortes e tão contundentes para a continuidade daquilo que ela acredita. “Como minha saudosa amiga Princessa Leia me disse uma vez, pegue seu coração partido e transforme em arte”, concluiu.

Ah e sobre a resposta de Donald Trump, nem vale a pena comentar. Neste caso, sou parcial mesmo.

Equipe de La La Land, recordista da noite. Crédito: Globo de Ouro

Equipe de La La Land, recordista da noite. Crédito: Globo de Ouro

La La Land é um caso à parte. A ser entendido.

O que será que esse filme tem, gente? Se é raridade levar todas em todas as categorias indicadas, o longa dirigido pelo jovem Damien Chazelle (detalhe, ele tem 31 anos) já entrou para a história. Sem ver o filme, comparando com Wiplash, que é do mesmo cineasta, pode ser que o campeão reverencie a era de ouro dos musicais de Hollywood propondo um novo olhar estético. O diferencial pode estar no ritmo e na forma. Não no conteúdo. A combinação deu certo.

Quebrar um recorde de 74 anos significa pouco em termos de Oscar. A batalha será pesada entre os dramas. No maior prêmio da indústria do cinema não tem essa de comédias de um lado e dramas do outro. A ver como La La Land vai se sair.

Dois prêmios para o francês Elle a única surpresa da noite. Crédito: Globo de Ouro

Dois prêmios para o francês Elle a única surpresa da noite. Crédito: Globo de Ouro

Elle. Paul Verhoeven e Isabelle Huppert

Acho bem sem graça essas premiações de Hollywood quando um filme leva tudo. Sem lugar para surpresas, entre os longas as o que mais me fez vibrar foi o reconhecimento do francês Elle, como melhor estrangeiro e Isabelle Huppert melhor atriz de drama. Essa sim foi a grande – e merecida – zebra da noite. Desbancou veteranas como a homenageada Meryl Streep, e as nem tão jovens e já consagradas Amy Adams e Natalie Portman. O curioso é que Elle nem aparece na short list do Oscar. Eu, hein!

Claire Foy recebe o troféu como melhor atriz de série por The Crown. Crédito: Globo de Ouro

Claire Foy recebe o troféu como melhor atriz de série por The Crown. Crédito: Globo de Ouro

Renovação das séries

Principalmente entre as séries, foi um Globo de Ouro de renovações. The Crown e Atlanta, respectivamente vencedoras como drama e comédia não apareciam em listas como favoritas. Estão em suas primeiras temporadas. Prometem muito. Principalmente The Crown que promete acompanhar o reinado de Elizabeth II. Sim, vibrei com a vitória da série e de Claire Foy, sua protagonista. O olhar dessa menina me pegou desde o primeiro segundo que ela entra em cena neste que é o projeto mais caro já bancado pela Netflix. Parabéns!

Quando será a nossa vez?

Depois da cerimônia o que não falta é curiosidade sobre a data de estreia, principalmente sobre La La Land o rei da noite com 100% de aproveitamento, sete prêmios, entre eles, atriz, ator, filme, diretor de comédia ou musical. Pois dos 34 longas que concorreram a um prêmio na noite do dia 08 de janeiro, menos da metade (14) já passaram pelas telas brasileiras. Nenhum favorito. La La Land e Manchester a Beira Mar estão previstos para o dia 19 de janeiro. Veja a previsão de estreia de alguns deles.

La La Land – 19/01

Manchester a Beira Mar – 19/01

Até o último homem – 26/01

A qualquer custo – 2/02

Quase 18 – 02/02

Lion uma jornada para casa – 9/02

Minha vida de abobrinha – 16/02

Moonlight – 23/02

Jackie – 02/03

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