09 jan 2017

Os sinais do Globo de Ouro sobre a temporada de prêmios e Hollywood

O Globo de Ouro não é uma premiação para palpites. Pelo menos para mim. É como se fosse um primeiro encontro com um conjunto de filmes que certamente ainda teremos muito o que comentar. Eis aqui alguns pontos que chamaram a atenção durante a cerimônia e anunciam o que vem por aí no burburinho da temporada de prêmios. Em geral, acho bem sem graça as cerimônias quando um filme papa quase tudo. Enfim.

Meryl Streep foi a rainha da noite. Crédito: Globo de Ouro

Meryl Streep foi a rainha da noite. Crédito: Globo de Ouro

As mulheres tem a força mesmo quando não tem voz

Em uma noite de discursos rápidos e rasteiros, Viola Davis (que foi protocolar ao receber o prêmio de atriz coadjuvante por Fence) arrasou na homenagem a Meryl Streep. Partiu da amizade das duas, da cumplicidade entre elas, para falar sobre o que a atriz que recebeu mais indicações da história do Globo de Ouro significa para toda uma geração.

Elegamentemente, Meryl recebeu o Cécil B. De Mille e sutilmente deu seu recado. O novo presidente americano, Donald Trump, foi alvo de críticas. Fortes e tão contundentes para a continuidade daquilo que ela acredita. “Como minha saudosa amiga Princessa Leia me disse uma vez, pegue seu coração partido e transforme em arte”, concluiu.

https://www.youtube.com/watch?v=gYTmZHfoqYI

Ah e sobre a resposta de Donald Trump, nem vale a pena comentar. Neste caso, sou parcial mesmo.

Equipe de La La Land, recordista da noite. Crédito: Globo de Ouro

Equipe de La La Land, recordista da noite. Crédito: Globo de Ouro

La La Land é um caso à parte. A ser entendido.

O que será que esse filme tem, gente? Se é raridade levar todas em todas as categorias indicadas, o longa dirigido pelo jovem Damien Chazelle (detalhe, ele tem 31 anos) já entrou para a história. Sem ver o filme, comparando com Wiplash, que é do mesmo cineasta, pode ser que o campeão reverencie a era de ouro dos musicais de Hollywood propondo um novo olhar estético. O diferencial pode estar no ritmo e na forma. Não no conteúdo. A combinação deu certo.

Quebrar um recorde de 74 anos significa pouco em termos de Oscar. A batalha será pesada entre os dramas. No maior prêmio da indústria do cinema não tem essa de comédias de um lado e dramas do outro. A ver como La La Land vai se sair.

Dois prêmios para o francês Elle a única surpresa da noite. Crédito: Globo de Ouro

Dois prêmios para o francês Elle a única surpresa da noite. Crédito: Globo de Ouro

Elle. Paul Verhoeven e Isabelle Huppert

Acho bem sem graça essas premiações de Hollywood quando um filme leva tudo. Sem lugar para surpresas, entre os longas as o que mais me fez vibrar foi o reconhecimento do francês Elle, como melhor estrangeiro e Isabelle Huppert melhor atriz de drama. Essa sim foi a grande – e merecida – zebra da noite. Desbancou veteranas como a homenageada Meryl Streep, e as nem tão jovens e já consagradas Amy Adams e Natalie Portman. O curioso é que Elle nem aparece na short list do Oscar. Eu, hein!

Claire Foy recebe o troféu como melhor atriz de série por The Crown. Crédito: Globo de Ouro

Claire Foy recebe o troféu como melhor atriz de série por The Crown. Crédito: Globo de Ouro

Renovação das séries

Principalmente entre as séries, foi um Globo de Ouro de renovações. The Crown e Atlanta, respectivamente vencedoras como drama e comédia não apareciam em listas como favoritas. Estão em suas primeiras temporadas. Prometem muito. Principalmente The Crown que promete acompanhar o reinado de Elizabeth II. Sim, vibrei com a vitória da série e de Claire Foy, sua protagonista. O olhar dessa menina me pegou desde o primeiro segundo que ela entra em cena neste que é o projeto mais caro já bancado pela Netflix. Parabéns!

Quando será a nossa vez?

Depois da cerimônia o que não falta é curiosidade sobre a data de estreia, principalmente sobre La La Land o rei da noite com 100% de aproveitamento, sete prêmios, entre eles, atriz, ator, filme, diretor de comédia ou musical. Pois dos 34 longas que concorreram a um prêmio na noite do dia 08 de janeiro, menos da metade (14) já passaram pelas telas brasileiras. Nenhum favorito. La La Land e Manchester a Beira Mar estão previstos para o dia 19 de janeiro. Veja a previsão de estreia de alguns deles.

La La Land – 19/01

Manchester a Beira Mar – 19/01

Até o último homem – 26/01

A qualquer custo – 2/02

Quase 18 – 02/02

Lion uma jornada para casa – 9/02

Minha vida de abobrinha – 16/02

Moonlight – 23/02

Jackie – 02/03

Gostou? Compartilhe!

Artigos Relacionados

“Madrigal para um poeta vivo”: encontro com o existencialismo mediado pelo cinema

O paulista Francisco Pinto Campos Neto atingiu um novo patamar de notoriedade recentemente quando foi personagem em uma matéria de televisão sobre o fato de ser escritor e coveiro. A participação no programa fora apenas uma tentativa de divulgar “As Núpcias do Escorpião”, seu livro de contos lançado em 2013. A verdade é que Tico […]

Leia Mais

Sim, teve surpresa entre os indicados ao Oscar 2018. Confira a lista completa!

Durante o fim de semana, na Mostra de Cinema de Tiradentes, pelo menos dois amigos me perguntaram quais os filmes do Oscar eu já tinha visto. O detalhe curioso é que os indicados só saíram nesta terça (23). Ou seja, a coisa já está tão manjada que antes de sair a lista final já temos […]

Leia Mais

‘Bandeira de Retalhos’: A união fez a força no novo longa do veterano Sérgio Ricardo

Para entender o termo “cinema de mutirão” criado pelo compositor e cineasta Sérgio Ricardo, bastava olhar para o palco no momento da introdução de seu filme “Bandeira de retalhos”, na Mostra de Tiradentes. Uma verdadeira multidão se aglomerou ali. Era apenas metade da equipe do filme. “Afeto” foi uma palavra muito utilizada pelo respeitado artista […]

Leia Mais

Comentários