Djalma não entende de política. Foto: Daniel Iglesias/Divulgação
31 out 2016

[PONTO DE ESCUTA] ‘Djalma não entende de política’ ignora crise e renova irreverência

Djalma não entende de política. Foto: Daniel Iglesias/Divulgação

Djalma não entende de política. Foto: Daniel Iglesias/Divulgação

Hard-samba progressivo pós-wagneriano. Oi? É assim que Djalma não entende de política, banda formada por André Albernaz, Carlos Bolívia, Carol Abreu, Drica Mitre, Fernando Feijão e Terêncio de Olveira se apresenta. É para entender? Claro que não. Irreverência é a marca do coletivo que desde 2011 se reúne para fazer música na vibe do sem querer querendo ser político.

 

O som deles é diversão, ainda que as letras carreguem tudo aquilo que negam no nome.

Djalma pode até não entender de política mas a banda entende – e muito. Os integrantes fazem parte da geração que fez ressurgir o carnaval de rua de BH. No campo da cultura, não tenho dúvidas que o movimento relacionado à folia é sim político.

Um dos mais significativos dos últimos tempos relacionados à cena cultural da cidade. Tem a ver com ocupação do espaço urbano pela população. Tem a ver com apropriação do que é público.

Apesar da crise, álbum lançado graças a campanhas de financiamento coletivo, tem direção musical de Di Souza (responsável pelo bloco Então, brilha). São dez faixas:

Assim na lama como na fama (Carlos Bolívia/Andre Albernaz) é flerte aberto com a sonoridade do Pará.

Figuras de animais e homens (Carlos Bolívia), me lembra axé das antigas.

O sol não dá ré (Terêncio de Oliveira e André Albernaz) muda o clima para algo mais pop.

O mundo a rodar (Terêncio de Oliveira e André Albernaz) pode caber na descrição do que é samba, com todas as licenças que cabem ao Djalma.

Pedro II Afonso Pena (Carlos Bolívia) é mais uma guinada sonora no disco. Elegante em voz, letra e arranjo.

Beagles (Carlos Bolívia) é uma brincadeira com o universo infantil? Pode ser. Achei que poderia ser uma boa descrição. Também carrega a irreverência sonora da banda nos arranjos.

Só faltou o do Schweinsteiger (Carlos Bolívia/Andre Albernaz) é a mais curta do álbum e nem por isso menos debochada.

O som e o torresmo (Carlos Bolívia, Lili Lara/André Albernaz) fala sobre as angústias da vida de músico dependente de lei de incentivo misturando samba e rock. Quase um manifesto a la Djalma.

Sai pra lá capeta (Carlos Bolívia) é mais um flerte com a sonoridade paranese inclusive na passionalidade da letra sobre um caso de amor perdido.

Com quantos santos se faz uma cidade (Terêncio de Oliveira) um olhar curioso para os nomes dos bairros de BH em estilo bem carnavalesco.

Fato é que depois dos 35 minutos de audição, crise alguma dá o ar da graça no disco. Sobra performance, mistura sonora, que às vezes, beira o caótico – para os meus ouvidos, que fique bem claro. Continuo apostando no humor do Djalma não entende de política como ponto alto para fugir da crise, seja ela econômica, política, criativa e daí por diante.

Em tempo: no próximo dia 06 os integrantes da banda estarão ao vivo no Facebook para conversar com os fãs. Apesar da crise está disponível no Spotfy, Deezer e iTunes. Seguem os links.

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