Okja: a história do “super porco” que fez Neflix sacudir o Festival de Cannes

Okja está disponível na Netflix. Crédito: Reprodução Internet

Francyne Perácio*

Animais falantes, amizade entre bicho e homem são algumas cenas comuns nas produções hollywoodianas. Retratar a relação de fraternidade entre uma adolescente e um “super porco” como foi abordado em Okja, é algo surpreendente.

O longa, transmitido pela Netflix, foge das histórias comuns entre ser humano e animais de estimação. Os exemplos mais comuns são Beethoven, Lessie e Marley e Eu. Na maioria destes casos casos, a trama gira em torno da separação entre dono e animal e a busca pelo reencontro. Okja vai além, traz nos 120 minutos de duração, um drama associado à produção pecuária mundial, em especial aos suínos.

A história inicia-se a partir de uma ideia revolucionária apresentada pela empresária Lucy Mirando (Tilda Swinton). Ela descobriu uma nova espécie de porcos gigantescos que se reproduz e gera 26 animais de uma só vez. Eles são enviados para fazendas em lugares distintos no mundo. Após 10 anos uma competição vai eleger o “Super Porco”. Um animal criado sem transgênicos, com baixo consumo de alimentos e produção de resíduos no ambiente para abolir a fome mundial.

Por trás do “milagre da natureza” está uma inusitada relação entre uma jovem sul coreana, Mija, interpretada por Seo-hyun Ahn, e Okja, a super porca.  A comunicação entre elas é marcada pelo olhar intenso do animal para a garota. O espectador embarca e vive a emoção dos personagens.

Críticas ao capitalismo

A obra já seria interessante se finalizasse nesse ponto, contudo Bong Joon-ho traz outro tema para a discussão: a relação do capitalismo e das grandes corporações frente ao agronegócio e suas consequências. Após a porca de Mija ser escolhida como “Best Super Pig” e levada para Nova York, onde será apresentada ao mundo, a adolescente inicia uma caçada em busca de retomar Okja e evitar que ela seja entregue ao matadouro.

Apesar das fortes cenas de maus tratos aos animais o filme não pretende induzir ninguém ao veganismo ou vegetarianismo. O intuito parte de algo maior: uma crítica à obsessão pelo dinheiro e prestígio no ambiente empresarial e de negócios. O final desta história fica para quem assistir ao filme, mas já adianto, prepare o estômago e os lenços. Drama, aventura e muitas emoções são o prato principal dessa produção.

*Sob a supervisão de Carolina Braga

Em tempo

Okja foi selecionado pelo Festival de Cannes em 2017 e causou a maior polêmica. Toda a discussão girou em torno se o fato dele ter sido produzido para uma plataforma de Streaming, sem planos de entrar em cartaz na telona, seria ou não cinema. Pedro Almodóvar, que presidiu o Juri do festival este ano, foi um do que criticou a participação do longa na disputa pela Palma de Ouro.

Netflix foi até vaiada antes da exibição. Lembre aqui.