03 jun 2017

Mulher-Maravilha para quem não é nerd ou geek

Crédito: Warner Bros Pictures

Sabe aquele tipo de gente que fica na dúvida se a Mulher-Maravilha é da Marvel ou da DC Comics? Para quem isso, no fundo, tanto faz? Pois é, sou eu. Todas as relações que já estabeleci com qualquer super-herói foram pelo cinema. Gosto de todos: Batman é o preferido – claro que o do filme de Christopher Nolan -, seguido de Clark Kent e seu Superman. Faço confusão com todos os outros.

O prólogo é necessário para dizer que sei muito bem onde estou me metendo: zona perigosa. É uma área com tanto especialista que às vezes sinto falta de alguém que fale a minha língua. Pessoas que, assim como eu, gosta dos filmes. E ponto.

Dito isso, me sobram motivos para comemorar a chegada de Mulher-Maravilha à telona.

O que se segue aqui são pontos de vista sobre a obra cinematográfica lançada em 2017, protagonizada pela atriz israelense Gal Gadot. Não pretendo analisar a adaptação da personagem dos quadrinhos para o cinema.

Continua após a publicidade

Fiz uma enquete informal entre minhas alunas de jornalismo e poucas – bem poucas mesmo – conhecem a personagem a fundo. Se bobear, muitas delas já se fantasiaram de Mulher-Maravilha algum dia na vida sem saber o quanto há de mitologia e força feminina por trás da personagem.

O longa dirigido por Patty Jenkins cumpre o importante papel de revelar tudo isso. É uma história sobre as origens dela, curiosamente contada em flashback. Tudo começa em Paris – por sinal em um belíssimo plano aéreo do Museu do Louvre – quando Diana (sim, este é o nome da Mulher-Maravilha) recebe de Bruce Wayne (sim, o Batman) uma foto antiga. Voltamos no tempo com ela.

Quem é essa menina?

O roteiro tem a estrutura tradicional dividida em três partes. A abertura é naturalmente dedicada à apresentação do passado da heroína. Além do desejo de justiça, desde a infância tem muito segredo rondando a vida de Diana, a princesa das amazonas. Ela acha que foi esculpida no barro pela mãe, Hippolyta, a Rainha das amazonas.

E de onde vem essa história de amazonas? Do cavalo mesmo. As amazonas vivem treinando para combate em uma ilha protegida. A pequena Diana aprendeu a lutar a contragosto da mãe, ensinada pela tia (Robin Wright em uma ótima participação como Antiope).

As primeiras sequências de treinamento e combate são muito bem realizadas. É uma quantidade de mulher poderosa! Ainda mais em 3D.

Crédito: Warner Bros Pictures

Que mulher é essa?

A passagem para a segunda parte se dá quando Diana resgata o espião americano Steve Trevor (Chris Pine). Apesar do homem ser o frágil da história a chegada dele traz também a antiga fórmula de Hollywood de incluir uma pitada de romance em qualquer trama. No caso de Mulher-Maravilha é bem sutil.

ALERTA DE LEVE SPOILER Sobre este tema, a melhor passagem, é quando Diana apresenta a Trevor suas teorias sobre a sexualidade.  É neste momento que roteiro e direção também brincam com as desigualdades que rondam o universo feminino, todas elas recebidas com muito espanto pela protagonista. O fato dela ter que se vestir adequadamente e não poder frequentar determinados locais. Há humor na forma como as críticas são feitas.

A segunda parte é a mais convencional. É a chamada jornada do herói. Reparou que até agora não falei dos vilões? É que eu não achei que Ludendorff (Danny Huston) e Sra Veneno (Elena Anaya) tem tanto peso assim na trama. Existem porque são necessários mas o negócio está menos na disputa de forças entre o bem e o mal e mais no fato da Mulher-Maravilha se descobrir. E nós também descobrirmos quem é essa mulher maravilhosa.

Continua após a publicidade

Chegou a heroína!

Com Trevor e companhia ela enfrenta batalhas da Primeira Guerra Mundial e, claro – olha o clichezão! – surpreende todo mundo. A fotografia do filme fica até mais escura dessa parte em diante para ganhar mais brilho apenas nos momentos em que a Mulher-Maravilha descobre seus poderes. Sim, a Mulher-Maravilha se transforma e demonstra incrível destreza com seus braceletes. Tem um pouco de exagero nisso, mesmo que a execução técnica de tudo seja impecável.

E as interpretações? A escalação Gal Gadot foi cercada de muita expectativa. Ela deu conta do recado ainda que vez ou outra faça carão sedutor. Achei o elenco até muito equilibrado. Não tem nenhum personagem que se destacou muito mais do que outros no quesito interpretação.

Esse primeiro longa sobre a personagem revela toda a ingenuidade de Diana. Se, no fim das contas, é uma história de autoconhecimento para a heroína é um momento de encantamento pra quem assiste. Que retorne mais vezes!

Gostou? Compartilhe!

Artigos Relacionados

“Madrigal para um poeta vivo”: encontro com o existencialismo mediado pelo cinema

O paulista Francisco Pinto Campos Neto atingiu um novo patamar de notoriedade recentemente quando foi personagem em uma matéria de televisão sobre o fato de ser escritor e coveiro. A participação no programa fora apenas uma tentativa de divulgar “As Núpcias do Escorpião”, seu livro de contos lançado em 2013. A verdade é que Tico […]

Leia Mais

Sim, teve surpresa entre os indicados ao Oscar 2018. Confira a lista completa!

Durante o fim de semana, na Mostra de Cinema de Tiradentes, pelo menos dois amigos me perguntaram quais os filmes do Oscar eu já tinha visto. O detalhe curioso é que os indicados só saíram nesta terça (23). Ou seja, a coisa já está tão manjada que antes de sair a lista final já temos […]

Leia Mais

‘Bandeira de Retalhos’: A união fez a força no novo longa do veterano Sérgio Ricardo

Para entender o termo “cinema de mutirão” criado pelo compositor e cineasta Sérgio Ricardo, bastava olhar para o palco no momento da introdução de seu filme “Bandeira de retalhos”, na Mostra de Tiradentes. Uma verdadeira multidão se aglomerou ali. Era apenas metade da equipe do filme. “Afeto” foi uma palavra muito utilizada pelo respeitado artista […]

Leia Mais