Indicados ao Oscar, “Moonlight” e “Um limite entre nós” tem raiz no teatro

Além do filme, Viola Davis e Denzel Washington também fizeram a peça que deu origem ao longa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Além das indicações em comum ao Oscar nas categorias filme, atriz coadjuvante e roteiro adaptado, Moonlight e Um limite entre nós (título barango para o original Fences) tem outra coincidência e que diz muito sobre a força desses longas. Ambos foram criados para serem peças de teatro. A diferença é que uma teve uma trajetória bem sucedida nos palcos e a outra nem chegou a ser montada.

Fences estreou na Broadway em 1987. Depois foram mais duas montagens para o texto de August Wilson. Em abril de 2010, Denzel Washington e Viola Davis protagonizaram uma delas. A peça recebeu dez nomeações ao Tony, considerado o Oscar do teatro comercial de Nova York. Denzel e Viola venceram, respectivamente os prêmios de melhor ator e atriz.

Isso talvez explique o que tem sido apontado como o principal “defeito” do longa que chega aos cinemas em pré-estreia esta semana. Muita gente tem torcido o nariz para a fidelidade teatral do filme dirigido por Denzel Washington. Discordo. Não acho que se pareça com um teatro filmado tampouco desconsidero a força que a palavra tem nesta transposição. O teatro é assim: ator e texto.

A adaptação foi feita pelo mesmo autor da peça. O diretor e o protagonista da versão cinematográfica – Denzel – atuou no palco. Ou seja, é apego demais. Particularmente isso não me incomoda.

Um limite entre nós fala sobre um outro tempo. Os valores eram diferentes. Manter uma família unida, mesmo que seja só de aparência, valia mais do que ter a honra ferida. É uma trama que aborda o feminismo pelo viés inverso. Ao mostrar tamanha “submissão” (na falta de uma palavra melhor) acaba despertando reflexões sobre o quanto avançamos enquanto sociedade, mulheres, chefes de família. O que ainda nos parece mínimo, se comparado àquela época foi um tanto até bom.

Nunca pensei que escreveria isso sobre Denzel Washington mas o Troy Maxson dele é caricato. Já Viola merece muito a primeira estatueta da carreira depois de três indicações (Histórias Cruzadas, de 2011 e Dúvida, de 2008). Já estou esperando um discurso bombástico no mesmo naipe da homenagem que ela fez à Meryl Streep no Globo de Ouro.

Naomi Harris em Moonlight

Moonlight

Apesar da forte torcida para Viola, sei que o páreo dela é duro com Naomie Harris. Ambas concorrem ao Oscar de melhor atriz em papel coadjuvante. O trabalho da atriz conhecida pelos papéis nos filmes de 007 (esteve em 007 Contra Spectre e Operação Skyfall) chama muita atenção em Moonlight.

Apontado como forte concorrente de La La Land, Moonlight narra o amadurecimento de um jovem negro morador da periferia de Miami. A transformação do garoto inseguro no adulto ainda tímido, “educado na lei das ruas”, como bem descreveu Irene Crespo no El País.

A história dele tem abandono, drogas, dúvidas em relação a sexualidade, preconceito. Tem também superação. É daqueles filmes que deixa para o espectador finalizar o roteiro por conta própria. Aliás, não só finalizar, mas preencher várias lacunas sobre a vida do protagonista.

A trama de Moonlight tem a ver com experiências da infância e da adolescência do próprio diretor. Barry Jenkins filma a trajetória de Chiron de uma maneira muito plástica, delicada e extremamente poética.

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