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08 maio 2017

Mais madura, Maria Gadú flerta com rock no show de Guelã

Por Tainá Silveira*

Quem conhece Maria Gadú pela típica música de barzinho se surpreenderia no show “Guelã ao vivo”. A cantora foi atração de sábado (06/05) no Cine Theatro Brasil, em Belo Horizonte. O som calmo que fez a artista da nova MPB ser conhecida em todo Brasil hoje se confunde com um rock psicodélico e progressivo.

Com o italiano Federico Puppi no violoncelo, Dudinha, que substituiu Lancaster Pinto no baixo, Felipe Roseno na percussão e bateria, Gadú na guitarra e surdo e todos nos vocais, o repertório aposta em uma atmosfera alucinógena. Daquelas que entram no seu ouvido devagar e vão te empolgando. A iluminação de Marcos Franja também ajudou para a sensação de “barato”.

Sincronizada, em alguns momentos, com o pulso das músicas e em outros dando foco ao artista que protagonizava o som.

Maria Gadú amadureceu para o palco. É hoje bem menos tímida do que quando começou e muito mais cênica na interpretação das músicas. Ne Me Quitte Pas, Trovoa e Altar Particular, foram algumas das canções que surpreenderam no show de BH. O corpo da cantora mexia na mesma onda das emoções ditadas pelas letras. Passando a sensação de sofrimento, confusão e desconforto.

Axé Acappella de Dani Black e Luisa Maita foi interpretada como um protesto contra todos os tipos de preconceito e opressão. Contra o racismo, o machismo, o feminicídio e principalmente contra a homofobia. Gadú refletiu sobre os tempos que passamos e como o mundo clama por calma, silêncio e paciência.  Ao fim da música, é claro, rolou um “FORA TEMER”.

O bis foi praticamente outro show. Com grande parte do público de pé próximo ao palco, as músicas antigas – inclusive o primeiro sucesso Shimbalaiê –  foram adaptadas ao clima de “Guelã”, com guitarra, baixo, bateria, cello, percussão e surdo. O encerramento definitivo ficou por conta de “Dona Cila”, música que a artista compôs para sua avó.

Evolução

O que fica claro em Guelã ao vivo é quem antes tocava apenas a calmaria agora é versátil. Saiu da mesmice de voz e violão e agregou novos instrumentos que conversam entre si e que, em momento algum, ficam desconexos ou carregados demais.
As críticas ao show não são muitas, mas fortes. Maria Gadú não estava bem. Tossiu seco ao fim da abertura do show e confessou estar doente. Segundo ela, não achou que conseguiria fazer a apresentação. Até injeção tomou, o que parecia estar funcionando até aquele momento.

O contraste entre o estado de saúde dela e a demanda do público ficou claro. Ninguém deu trégua. A plateia esperava mais, sempre mais da cantora. Isso traz a reflexão do modo como exploramos nossos artistas. Se atualmente o mundo clama por paciência silêncio e calma, Gadú precisa de descanso também.

*Sob a supervisão de Carolina Braga.

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