Grupo Galpão será homenageado no Prêmio Shell

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Grupo Galpão em Nós (2016). Foto: Guto Muniz

No corre-corre antes da estreia. Na hora que atores e diretor começavam a falar sobre Nós, montagem do Grupo Galpão que estreou no primeiro semestre com direção de Márcio Abreu, o clima ainda era de dúvida. Mesmo entre eles, veteranos do palco.

Quem estava imerso naquele espaço de criação parecia não ter a noção do quão ousado, diferente e importante era o espetáculo que estava por nascer.

Não é somente por causa de Nós que o Grupo Galpão receberá a homenagem na próxima edição carioca do Prêmio Shell. São 35 anos de teatro. Mas é muito bom que seja no ano de estreia dessa montagem. Ela é bastante significativa se analisarmos do ponto de vista histórico do repertório.

Assim como o Galpão fez com Cacá Carvalho em Partido (1999) e com o russo Jurij Alschit em Eclipse (2011), Nós (2016) é outro momento em que o grupo conhecido pela linguagem popular radicalizou na experimentação. É o mais potente entre eles. Talvez o Galpão, nesses 35 anos de trajetória, nunca tenha sido tão Galpão.

Márcio Abreu quebrou, com delicadeza, os lugares comuns, vícios de interpretação, falou do mundo a partir das fissuras de relacionamento do próprio grupo. Da parte da companhia, é coragem expor sua intimidade. Nós propõe um olhar sobre o coletivo a partir de atritos, inerentes à vida em sociedade.

Penso na velha máxima de Tolstoi: “fale de sua aldeia e estará falando do mundo”. O Galpão falou dele mesmo e acabou dizendo o quanto nossa vida coletiva anda violenta, sem escuta. Melhor: de maneira nada óbvia. Poderia imaginar qualquer grupo de teatro contemporâneo levando estes temas para o palco. O Galpão não.

Se Nós é um marco pra gente, que acompanha boa parte desses 35 anos, que seja tão forte também para os artistas do Galpão e inspire outras ousadias.

EM TEMPO – Além do Grupo Galpão a atriz e dramaturga mineira Grace Passô também foi indicada ao Shell pelo texto de Vaga Carne. O monólogo protagonizado por ela mesma estreou no Rio e ainda não passou por BH. E aí, Grace, quando você vem?

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