De Nederlands Dans Theatre a Francisco, el Hombre: resenha de uma variada noite de sábado em BH

Francisco el hombre fez show na festa Mientras Dura em BH. Crédito: Carolina Braga

Se as letras e a sonoridade da banda Francisco, el hombre já eram conhecidas, o que mais impressionou na passagem deles pela festa Mientras Dura foi o vigor. Que energia maravilhosa é aquela, minha gente!!!!! E a dança do Nederlands Dans Theatre? Apesar dos 60 anos de história a companhia holandesa mostrou de três diferentes maneiras que não ficou – mesmo – parada no tempo. Modernidade define.

A banda de Campinas formada por Juliana Strassacapa, Sebastián Piracés-Ugarte, Mateo Piracés-Ugarte, Andrei Martinez Kozyreff e Rafael Gomes entrou no palco do CentroeQuatro depois das 2h. Muito por isso, as pessoas ali presentes viraram “guerreiros da madrugada” para o elétrico Mateo. Os guerreiros são eles.

Com um repertório ainda curto o show durou só um pouquinho mais de uma hora. Em compensação, Francisco el hombre demonstrou uma produção autoral totalmente conectada com nosso tempo. São explícitos e políticos nas letras. Multiculturais na sonoridade.

Em Bolso Nada faz uma crítica explícita ao deputado Jair Bolsonaro.  Diz a letra: Esse cara tá com nada/ sabe pouco do que diz, muito blablabla que queima quem podia ser feliz/ desrespeito é o que pregas então é o que colherás/ jogo purpurina em cima para o feio embelezar. Tá com dólar, tá com Deus não fica atrás: O dólar vale mais que eu / Eita, fudeu / Vale mais que eu/ Se essa vida se resume a dinheiro / Corre corre o dia inteiro para a vida se pagar / Faço o quê, se acordo sem trocado.

O repertório do show se concentrou nas canções do disco Soltabruxas. Como já era esperado, o momento mais bonito foi a execução de Triste, louca ou má, canção indicada ao Grammy Latino e que tem dado outra dimensão para a carreira da banda. Juliana Strassacapa ressaltou o quanto a canção soa como um grito de liberdade. Ela se transformou cantando!

O show também teve uma canção inédita, Muero por ti, e apenas uma versão: Meu sangue ferve por você, conhecida na voz de Sidney Magal. Não rolou nem bis, o que foi uma pena. A passagem de Francisco el Hombre pela festa Mientras Dura deixou claro que eles precisam voltar. E que seja em breve.

Cena de Cacti, da Nederlands Dans Theatre 2. Crédito: Árvore de Comunicação/Divulgação

DANÇA

Na primeira passagem por Belo Horizonte a companhia de dança holandesa Nederlands Dans Theater 2 (NDT) demonstrou o quanto a dança contemporânea pode ter humor e leveza. O programa apresentado tinha três coreografias. Não arrisco dizer que houve equilíbrio, embora pense que isso seja até proposital.

Esse é o grupo de jovens bailarinos da companhia fundada há 60 anos na Holanda. Em projetos assim, é muito comum perceber o vigor de quem está começando a carreira. O caso estrangeiro é muito parecido com exemplos brasileiros, como o finado Balé Jovem do Palácio das Artes e mesmo a atuante Cia de Dança do Sesc.

Os balés I new then, Sad Case e Cacti não tem nada a ver um com outro. A primeira, com as canções de Van Morrison (“Madame George,” “The Way Young Lovers Do,” “I’ll Be Your Lover Too,” “Sweet Things,” e “Crazy Love”) chamou atenção pela simplicidade e a cotidianidade. Sad Case, bem menos vibrante do que a primeira, propõe um pequeno diálogo com a sonoridade latina.

Cacti, pelo que pude perceber ao ler algumas críticas internacionais, é o trabalho mais popular do grupo. Uma coreografia cheia de truques, uma sincronia impressionante que me divertiu. Fez falta uma legenda para acompanhar o que dizia a voz em off. O que deu para pegar é uma crítica à arte e uma defesa do coletivo na criação.

Se você não conhece a banda Francisco el Hombre é chegada a hora 😉