Lira Ribas em uma das cenas de 'Estado Itinerante'. Foto: Divulgação
25 jan 2017

O que vem depois do premiado curta ‘Estado Itinerante’

Lira Ribas em uma das cenas de 'Estado Itinerante'. Foto: Divulgação

Lira Ribas em uma das cenas de ‘Estado Itinerante’. Foto: Divulgação

Está marcado para março o início das filmagens de ‘Logo após’, o terceiro curta-metragem da carreira de Ana Carolina Soares. Guarde esse nome. Aos 30 anos a cineasta mineira já deu sinais de que terá uma longa e premiada carreira no cinema.

Ela exibiu Estado Itinerante em Tiradentes, dentro da Mostra Foco. O curta deveria estar na categoria hors-concours. Chegou aqui com 15 prêmios acumulados em 11 festivais. Em Brasília ganhou o Prêmio Canal Brasil  e os troféus de melhor filme pela crítica, menção honrosa do juri oficial e melhor atriz para Lira Ribas. Merece todos eles e muito mais.

Realizado com os benefícios do Fundo Municipal de Cultura de 2014 Estado Itinerante é um projeto cuidadosamente gestado desde 2011. Trata das opressões que as mulheres vivem diariamente. Dentro de casa, no trabalho, na cidade.

Ana Carolina foi criada no bairro Boa Vista, na divisa de Belo Horizonte e Sabará. Entre idas e vindas do centro da capital começou a reparar que as garotas estavam cada vez mais assumindo o posto de cobradoras. “Passei a observar o estado dessas mulheres. De ida e volta, de violência urbana, o cansaço, o humor, ter que enfrentar piadinhas e outras coisas.”

Casos de mulheres que vivenciaram violência doméstica completaram o argumento. Assim nasceu Vivi, personagem de Lira Ribas. A interpretação dela é um caso a parte. Composição do papel está presente em cada detalhe, no olhar cabisbaixo, no pensamento contido e na catarse emocional.

‘Estado Itinerante’ tem um dos planos sequência mais bonitos do recente cinema mineiro. Na cena rodada em um dos bares do centro de Belo Horizonte Vivi faz da dança e da música (Don´t Cry do Guns N’ Roses) um meio libertador. A perfomance de Lira Ribas e Cristal nesta cena é daquelas para se ver diversas vezes seguidas.

Dedicação

 

Ana Carolina é a caxias entre os amigos. Se tinha compromisso às 9h, acordava às seis para ler e estudar cinema, artes em geral. Por isso, cada sequência de Estado Itinerante tem sua razão de ser, embasamento.

A cineasta Ana Carolina Soares. Foto: Beto Staino/Universo Producao

Na lista de influências estão, por exemplo, a série de pinturas do norte-americano Edward Hopper sobre mulheres. Em Estado Itinerante, assim como nos quadros dele, as mulheres aparecem em situação de opressão mas os homens não aparecem.

Ana Carolina trabalha bastante com o conceito de extra-campo, ou seja, aquilo que está fora do plano cinematográfico diz tanto quanto o que está dentro. Inclusive o figurino tem muito a dizer sobre a violência que a protagonista é submetida.

Outras referências importantes são a Trilogia da Incomunicabilidade, a série de filmes feitas por Michelangelo Antonioni entre 1960 e 1962; e Faces (1968) dirigido por John Cassavetes.

Depois de Tiradentes, Ana Carolina Soares vai exibir Estado Itinerante Festival International de curtas de Clermont-Ferrand, considerado um dos mais importantes para o formato. O evento será de 03 a 11 de fevereiro.

As filmagens de ´Logo após´ começam depois do compromisso internacional. A mulher também estará no centro do novo curta. O curta vai abordar maternidade. A atriz Andrea Quaresma será a protagonista.

Estado Itinerante será exibido no Canal Brasil a partir de julho.

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