Região de Venda Nova ganha teatro com programação popular permanente

Foyer do Estação Cultural. Crédito: Thiago Fonseca

Por Thiago Fonseca*

A região de Venda Nova sempre foi muito carente de equipamentos culturais. Quando os espetáculos da Campanha de Popularização do Teatro e da Dança começaram a chegar lá em um espaço improvisado, o público respondeu. Sinal de que a demanda para as artes cênicas existia na região.

Em 2014, 20.324 pessoas assistiram a espetáculos no espaço improvisado. Em 2015, 21.591. Já em 2016, em um espaço provisório mais adequado, foi sucesso de público com 50.592 participantes. “Tamanho público e atendendo pedidos resolvemos montar nosso teatro fixo com apresentações múltiplas durante todo o ano”, diz Thâmara Zaia, gerente de Marketing do Estação.

Foi inaugurado este fim de semana o palco com a devida estrutura teatral e capacidade para 410 pessoas. O Estação Cultural, como será chamado, está pronto para receber montagens de diversos gêneros e tem planos de virar uma escola de teatro.

Essa é mais uma das ambições da administração do Shopping que pretende transformar o Estação em um ambiente múltiplo em que as pessoas possam “resolver a vida” de uma só vez. A localização do empreendimento é favorável a novos negócios. Segundo levantamento da PBH, a região norte cresce 8,2% enquanto a média das outras regiões varia em 2,7%/ano. A localização também é agraciada por ser encontro de meios de transporte como o metrô e ônibus.  Além disso, a região é carente de espaços culturais e de entretenimento artístico. Fatores aliados que podem garantir sucesso ao novo teatro.

A ideia é promover eventos culturais durante todo o ano a preços populares. Este é o primeiro teatro dentro de um shopping em Belo Horizonte e único da região norte. A montagem carioca “Cinco homens e um segredo” foi a convidada para a abertura dos trabalhos teatrais. A exposição inaugural é  “Zacaricato” do curador Demétrius Cotta, sobre o Trapalhão Zacarias. Há também um painel interativo de arte urbana, assinado pelos artistas Ataíde Miranda e Ramar Gama.

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ESTRUTURA

Diferentemente dos três anos anteriores, quando as peças ocupavam um canto improvisado, itinerante, com cadeiras móveis e revestido de malha, o novo teatro esta digno. O Estação Cultural tem área total de mil metros quadrados e custou R$ 578 mil reais. O humorista Thiago Comédia é o responsável pela curadoria artística do espaço.

Paredes de drywall, cadeiras ergonômicas e acessíveis, desnível entre a plateia e o palco, ambiente climatizado e acústico, palco com iluminação técnica e coxia, camarim que atende às demandas. Apesar do grande avanço em relação à estrutura do passado, o Estação Cultural tem um palco pequeno e com um perigoso vão no fundo. Os artistas precisarão ter cuidado ao transitar no escuro.

As 400 cadeiras são dispostas em três longas fileiras. A visibilidade de quem está atrás não é das melhores. Quem precisar ir ao banheiro durante as apresentações também passará aperto: o toalete mais próximo fica na Praça de Alimentação do Shopping.

Cena da peça “Cinco homens e um segredo”. Créditos: Thiago Fonseca

ESTREIA

“Cinco homens e um segredo”, com os atores Edwin Luisi, Roberto Pirillo, Carlos Bonow, Cláudio Andrade e Iran Malfitano inaugurou o palco do Estação Cultural nessa sexta-feira, dia 14.

A montagem narra com humor o drama de cinco homens que tem um problema em comum e se reúnem em uma igreja para discutir a situação. As reuniões são conduzidas por um padre e tem três frequentadores assíduos. Uma noite, porém, eis que surge um novo integrante. À medida que esses homens se abrem, segredos são revelados. Vêm à tona questões sobre identidade, masculinidade, sexo, relacionamentos e status social, em uma jornada que pode redefinir suas vidas.

A encenação confirmou boa estrutura cênica do local. O que gerou comentários positivos dos convidados. A próxima atração do Estação Cultural é Festival Expo-Riso, com uma programação para toda a família com preços populares. Entre os dias 15 de julho e 13 de agosto 19 peças se revezarão no palco do teatro. O humor foi escolhido para dar início as atividades por causa do sucesso do gênero com o público do local.

*Sob a supervisão de Carolina Braga