[Impressões Cinematográficas] Mãe!, de Darren Aronofsky

Jennifer Lawrence . Crédito: Paramount Pictures

Ao sair da sessão de Mãe!, o pensamento que me perseguia era que o filme que acabara de ver é daqueles que precisam de manual. São tantas referências que, sinceramente, fiquei perdida e até com dor de cabeça depois de conferir o novo longa de Darren Aronofsky que fez, entre tantos outros, Cisne Negro (2010).

Passei um tempo pensando no que falar ou escrever e decidi ser mais objetiva possível: não gostei do filme. É ponto de vista, tá? Se você pensa diferente de mim, me escreva, por favor. Vamos trocar uma ideia!

A projeção de Mãe! me causou sensação parecida de quando vejo teatro do absurdo. Você vai consumindo aquela obra pensando o tempo inteiro que o entendimento talvez não seja a coisa mais importante. Provocar, incomodar, tirar o pensamento de um lugar comum, são questões mais apropriadas do que entender o enredo, analisar interpretações ou o conceito por trás de tudo.

Mas como Mãe!, pra mim, precisava de manual, na primeira oportunidade que tive me joguei no Google.

 

Referências

Concordei com crítica escrita por Inácio Araújo, na Folha de S. Paulo, e também busquei referências nas reportagens de Mariana Peixoto, para o Estado de Minas, Luiz Carlos Merten para o Estadão e ainda a matéria publicada em O Globo. Para compreender mais elementos do cinema de Aronofsky, vale a leitura do texto de Carol Lucena publicado no Cine Medusa.

Nas reportagens que tem entrevista – Aronofsky esteve no Brasil para divulgar o longa – o diretor descreve as questões bíblicas que aparecem no longa assim como as motivações. Tem Adão e Eva, Cain e Abel, Deus, Mãe Natureza. Li, achei uma viagem interessante, mas tudo continuou sem conexão. Mãe! continuou sendo, tomando emprestada a classificação teatral, um filme absurdo. Mucho loco.

Jennifer Lawrence e Javier Bardem . Crédito: Paramount Pictures

Elenco

Jennifer Lawrence é a protagonista ao lado de Javier Bardem, que faz um escritor travado. Eles vivem isolados e tristes. Quando o casal interpretado por Ed Harris e Michelle Pfeiffer aparece, a vida deles começa a ficar mais atormentada. Aí aparecem as referências bíblicas do velho e do novo testamento.

Se houve algo que me chamou atenção positivamente foi o trabalho dos atores. Sempre digo que Lawrence ganhou o Oscar – e frequentemente é indicada – pelos piores papeis da carreira. Gosto mais dela na franquia de Jogos Vorazes do que no insosso O lado bom da vida (2013) que lhe rendeu a estatueta.

Em Mãe! é interessante vê-la em uma personagem fora da curva da carreira construída até agora.

É JLaw quem dita o ritmo de Mãe! A câmera fica colada na personagem na maior parte do filme. A atriz segura a onda no semblante que mistura tristeza, ingenuidade, incompreensão, medo e fúria. Todas as emoções estão no olhar que super prendeu a minha atenção. Aliás, curiosamente o valor da interpretação de todos está nas sutilezas, por mais contraditório isso possa parecer. Javier Barden, Ed Harris e Michelle Pfeiffer também vão por aí.

Como a maior parte das cenas é feita com câmera na mão, sacode e não é pouco não. É como se a gente tivesse mesmo que embarcar no tormento da protagonista. Talvez Mãe! esteja mais para um filme experiência do que qualquer outra coisa. Depois de muito pensar, chego à conclusão que a proposta capaz de ser mais sensitiva do que racional mesmo. Tá valendo!

Crédito Paramount Pictures