16 fev 2017

[Crítica] Raiz e identidade como força em ‘Lion – uma jornada para casa’

Dev Patel está indicado ao Oscar pelo papel em Lion. Crédito: Diamond Films

De todos os indicados ao Oscar 2017, Lion: uma jornada para casa é um dos que mais me emocionou. Assim como Estrelas além do tempo, também é baseado em uma história real. Gosto disso.

As duas histórias tem força arrebatadora. Se na trama sobre as mulheres que conquistaram lugar de destaque na carreira profissional na Nasa desperta orgulho e coragem, a experiência do jovem indiano pega em outro ponto. É mais afetivo, emotivo e até empático, por mais que a vivência dele tenha sido surreal.

Lion é, literalmente, a jornada de um rapaz indiano que durante 20 anos viveu a angústia de estar longe da família. Ele é Saroo Brierley, hoje um empresário australiano de 36 anos que contou a própria história em livro. A obra fisgou o diretor Garth Davis, estreante em longas-metragens.

Sunny Pawar surpreende como o pequeno Saroo. Crédito: Diamond Films

Tudo começa quando Saroo tem cinco anos de idade. Nessa fase é interpretado pelo estreante Sunny Pawar que, inclusive, começa muito bem e merecia indicações pela atuação. O olhar desse menino tem uma melancolia e uma força que já conquista o espectador na primeira meia hora de filme. Aliás, o terço inicial de Lion tem poucas falas. O silêncio do pequeno Saroo te joga no abismo vivido pelo personagem.

Saroo se perdeu do irmão em uma estação de trem. Ele dormiu no vagão e quando acordou estava em Calcutá, no lado oposto de sua terra natal. E olha que a Índia não é um país de extensão mediana. Resultado, fica perdido nas ruas, vai para um orfanato e acaba adotado por uma família australiana.

Nicole Kidman – indicada ao Oscar na categoria melhor atriz em papel coadjuvante – vive Sue Briley, mulher o acolheu e deu tudo que tinha de melhor, tanto do ponto de vista financeiro como afetivo. Mas nada disso será suficiente quando a falta é muito grande. O que são raízes e que força que elas exercem no ser humano são algumas reflexões que podemos fazer a partir do roteiro.

Já adulto, Saroon (vivido por Dev Patel, também indicado ao Oscar e em um papel que o consolida na linha de frente dos atores de Hollywood) precisa resolver essa ausência. Com o apoio da namorada interpretada por Rooney Mara assume a jornada de voltar para a casa.  Ela envolve embates emocionais, transgressões pessoais e, principalmente, perseverança e tecnologia. Viva o Google Earth.

Prêmios

Lion: uma jornada para casa recebeu seis indicações ao Oscar. Concorre nas categorias de filme, ator, atriz coadjuvante, roteiro, direção, fotografia e trilha sonora. Se não fosse “o” ano La La Land: cantando estações, teria chance em qualquer uma delas. Nicole Kidman, para mim, foi uma grande surpresa. Sua Sue Briley é intensa e frágil ao mesmo tempo.

O diretor Garth Davis não reinventa rodas. Filma a história de Saroon de maneira bastante convencional. A diferença é o controle que ele tem ao costurar a vida social do personagem, ou seja, o que acontece externamente na vida dele com os conflitos internos. Convenhamos que não são nada pequenos.

Veja onde o filme está em cartaz em BH

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