Mundial de Circo renova olhar sobre arte circense com ocupação da rua e variedade de números

Cabaré Circense lotou o Zona Lazt na noite de sábado. Crédito: Thiago Fonseca

Thiago Fonseca*

Piscou? Perdeu! Como diz o slogan escolhido para 2017, assim foi cada momento da 17° Festival Mundial de Circo realizada neste fim de semana em Belo Horizonte. Ao longo de quatro dias o evento mostrou que é capaz de se reinventar. E neste ano não foi diferente, mesmo sendo uma edição bem mais reduzida perto do que já foi.

Tanto os espetáculos escolhidos como a mostra de números e o cabaré apresentaram um novo olhar sobre a cena circense, sempre com espaço aberto para manifestações políticas e sobre a diversidade sexual.

ESPETÁCULO “DOIS”

A programação começou na quarta com o espetáculo “Dois”.  Inspirados por contos clássicos, performances e experiências pessoais, os irmãos Luís e Pedro Sartori do Vale combinaram diferentes formas de arte e desenvolveram a própria linguagem artística. Nessa montagem um antigo hobby em comum dos artistas ganha foco: o arco e flecha. As apresentações sutis, bem humoradas, inteligentes e poéticas mostram a relação íntima entre os irmãos e a arte.

MOSTRA DE NÚMEROS CIRCENSES

No fim de semana, a mostra de números circenses surpreendeu. Representantes do Brasil, Uruguai, Argentina, Peru e Itália fizeram do Galpão Cine Horto um picadeiro. Além dos números com técnicas variadas como o tecido, a acrobacia, a roda Cyr, a corda bamba; os cantores mineiros Marcelo Veronez e Sylvia Klein fizeram intervenções musicais entre as apresentações da noite de sábado.

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O brasileiro Lucas Castro foi o primeiro a entrar no palco com o número “Vende-se! Uma Experiência Imaginativa Única”. No arame, ele mostrou que é possível explorar várias áreas da arte circense como o ilusionismo, teatro e dança. O malabarista Uruguaio, Adrian Martinez, com simpatia e destreza manipulou bolas de futebol e malabares com agilidade e precisão no número “El Vigeiro”.

Na corda o peruano Cristian Trelles apresentou o número “Umbilical” que fez o público ficar tenso a cada técnica utilizada. Teve palhaço? Sim, senhor! E ele veio direto da Argentina para mostrar que risos e gargalhadas podem ser arrancados da plateia sem o uso das palavras. Augustin Soler e suas “Cenizas” mostraram a técnica do teatro mudo e o curioso mundo do palhaço triste e inquieto.

Figuras, torções, giros, inversões e quedas mostraram o “Entrelace” Ciro Ítalo, entre os tecidos. A quinta apresentação do brasileiro mostrou o quanto é bonito e poético a técnica. Como uma pluma a pairar no ar a artista italiana Claudia Franco foi à última a se apresentar. O número “Encontro”, com a técnica Roue Cyr, arrancou suspiros, caras e bocas da plateia.

As intervenções musicais entre os números tiveram críticas sociais. Foi o caso da primeira música a ser cantada por Sylvia, ao fim, a artista crava uma faca em uma imagem de Michel Temer. O público ovacionou com “Fora Temer”. A cena de romance, com direito a beijo gay e banho de champanhe, ficou sob o comando de Marcelo e o tecladista.

CABARÉ CIRCENSE

A rua do já tradicional bar “Zona Lazt”, no bairro Horto, também foi picadeiro de uma das vertentes do Festival. O Cabaré Circense foi o resultado da residência de dez dias com os artistas circenses do “Coletivo sob 6” com o coreógrafo catalão Cisco Aznar. Sete artistas arrancaram palmas e gritos do público que ficou impressionado com as piruetas, cambalhotas e mortais de alta complexidade e grau de dificuldade. A festa também foi animada com bastante música e comida.

O FESTIVAL

O Festival Mundial de Circo, o primeiro internacional dedicado ao circo no Brasil, iniciou a sua trajetória em 2001 reunindo em Belo Horizonte artistas brasileiros e de vários cantos do mundo para celebrar o circo. Já percorreu mais de dezesseis cidades do interior de Minas Gerais. Em sua última edição em 2016, o Festival aconteceu no Rio de Janeiro. Em toda a sua história o evento já contou com 32 países participantes, 342 grupos convidados e mais de 770 apresentações.

*Sob a supervisão de Carolina Braga.