CineOP: Precisamos falar sobre preservação dos arquivos digitais

Debate sobre preservação digital na CineOP 2017. Crédito: Carolina Braga

A CineOP, Mostra de Cinema de Ouro Preto vem há 12 anos colocando as discussões sobre a preservação audiovisual em destaque. É curioso observar como até mesmo o debate em torno desse tema também evoluiu ao longo da última década.

Se no início os processos de recuperação de películas históricas do cinema brasileiro dominavam as discussões, agora vemos crescer também preocupação em torno do digital. Sim, é urgente falar sobre isso, afinal, a grande maioria dos cineastas tem feito seus filmes em formatos digitais sem qualquer garantia se daqui a alguns anos os equipamentos para exibição serão os mesmos, se os repositórios terão capacidade para guardar tudo isso e como vamos acessar a quantidade imensa de dados que estamos produzindo.

Segundo uma pesquisa divulgada pela Kleiner Perquins até 2025 teremos criado mais de 163 Zettabyte somente em informações que circulam pela internet. Muitos e muitos filmes farão parte disso. Por isso, como pontuou Neiva Pavezi, arquivista da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) precisamos saber como “manter os documentos acessíveis para o futuro”.

Essa foi a discussão que norteou o seminário Mudanças tecnológicas, oportunidade e desafios: preservação audiovisual digital na manhã de sábado (24/06). Foram três horas de conversa. Minha primeira conclusão é que o negócio é bemmm mais complexo do que eu poderia supor. Fala-se muito sobre conteúdo, forma, suporte, a importância de se tratar desses temas. São poucos consensos práticos.

Sessão do documentário “Martírio” na Praça Tiradentes. Crédito: Carolina Braga

Ações

A Cinemateca Brasileira, por exemplo, obviamente se preocupa com isso. Tem como questões norteadoras estudos sobre suportes, formatos, metadados e como conectar todas essas informações. A implementação de todos os planos, segundo Rodrigo Mercês, coordenador de preservação e laboratório da instituição, as dificuldades são enormes. Elas não são apenas de ordem financeira. Falta, por exemplo, gente para digitalizar tudo o que é necessário.

“Os materiais em nitrato não são problema. Estão bem guardados e conservados. Os materiais nativos digitais é que são. Não temos tanto tempo assim para definir o que fazer”, Rodrigo Mercês da Cinemateca Brasileira.

Foi um debate em que se falou muito sobre a importância da memória, muitas – muitas mesmo – questões técnicas ligadas a ciência da informação. Foram tantas siglas que em alguns momentos tive a sensação de que as pessoas estavam falando outros idiomas (ehehehe). É, o negócio é bem mais complexo e urgente.

Debate sobre preservação digital na CineOP 2017. Crédito: Carolina Braga

Programação

A discussão sobre a preservação digital continua neste domingo (25). A mesa “A experiência latino-americana na preservação audiovisual”, com Andrés Levinson (preservador audiovisual do Museo Del Cine de Buenos Aires, Argentina), Carlos Ovando (encarregado da unidade técnica de restauração fílmica da Cinemateca do Chile) e Tzutzumatzin Soto (chefe do Departamento de Acervo Videográfico e Iconográfico da Cineteca Nacional do México) – vai conversar sobre o que vêm sendo feito por outros países da América Latina em termos de preservação digital e estratégias de acesso.

A CineOP termina na segunda-feira (26) com a exibição do documentário No intenso agora, de João Moreira Salles.

*Culturadoria viaja a convite da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto