13 out 2016

Cia de Dança Palácio das Artes une humor e poesia em Nuvens de Barro

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Cena de Nuvens de Barro, novo espetáculo da Cia de Dança Palácio das Artes. Foto: Paulo Lacerda/Divulgação

Não se levar a sério sem deixar de sê-lo. Está aí um dos méritos de Nuvens de Barro, o novo espetáculo da Cia de Dança Palácio das Artes. Aliás, a mistura do humor com a crítica e a tradução de outras artes em movimento corporal tem marcado fase mais recente deste corpo artístico da Fundação Clóvis Salgado.

Primeirapessoadoplural, montagem do ano passado, com coreografia de Tuca Pinheiro, representou uma bela retomada de norte para o grupo.

Há uma “estranha” leveza (no bom sentido) nessa nova montagem, dirigida por Fernando Martins e Joaquim Elias. O ponto de partida é o universo poético de Manoel de Barros. Desta vez o elenco de 18 bailarinos se divide em dois para a ocupação da Sala Ceschiatti do Palácio das Artes. É uma mudança de paradigma para o grupo.

Ao som de passarinhos, os primeiros bailarinos surgem. Aos poucos, cabe a pergunta: eles são gente, são animais, elementos da natureza? A constante busca por significações configura o jogo entre bailarino e espectador. É divertido.

O programa diz que o ponto de partida para a montagem foi o trecho “poesia não é para compreender, mas para incorporar”. Pois, incorporações, realmente, não faltam. Mas o legal é que isso se dá por um caminho lúdico. Os bailarinos passam a impressão de que brincam de ser.

Os momentos que podemos chamar de mais contemporâneos são mais interessantes. As danças coletivas ainda revelam certo desconforto com o espaço. Vi o espetáculo  na sessão de 21h do dia 12 de outubro e saí com a impressão de que havia alguma contagem fora do compasso. Pode até ser intencional. Ficou a dúvida e torcida de que sintonia e harmonia se aproximem desses instantes coletivos.

Por último vale destacar a trilha sonora de Rodrigo Salvador. Há um forte diálogo sonoro com a trajetória da Cia de Dança, mas sem perder originalidade.

NUVENS DE BARRO
Teatro João Ceschiatti (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro)
5ª e 6ª às 20h, sáb. e dom. às 18h e 20h. Até 16 de outubro.

 

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