A luta continua: Alunos de teatro do Palácio das Artes fazem nova performance

Alunos do Palácio das Artes protestam por melhores condições do Cefar(t). Crédito: Tainá Silveira

Por Tainá Silveira*

O trabalho de conclusão do semestre dos alunos do segundo ano de teatro do Cefar(t), Palácio das Artes será uma ocupação. Escolha bastante pertinente. Já tem tempo que os estudantes de lá enfrentam uma luta para continuar estudando.

A montagem percorrerá a rua Alagoas até chegar aos porões da Fundação Clóvis Salgado. A orientação foi dos professores Luiz Carlos Garrocho e Walmir José. A apresentação será nesta quinta, 13 de julho e o ponto de encontro será a entrada do Cefar(t), às 20h. A performance trará reflexões sobre o facismo e sua presença nas artes.

Para entender o caso

Além de exposições artísticas, sessões de cinema e espetáculos o Palácio das Artes também abriga o Cefar(t) – Centro de Formação Artística (e Tecnológica). Trata-se de uma das escolas de artes mais importantes do país, que profissionaliza bailarinos, músicos e atores.

Se você nem sequer sabia da existência dela, não se espante, apesar de funcionar há 30 anos, é pouco divulgada e ocupa os fundos do Palácio. Atualmente, o Cefar(t) passa por complicado sucateamento. A situação veio a público em maio do ano passado quando os alunos da escola, organizados no movimento Menos Palácio Mais Artes, fizeram reivindicações e denunciaram a precariedade em uma carta pública.

A escola de teatro que chegou a ter tinha 17 professores, hoje tem quatro. Os profissionais recebem menos de R$10 por hora/aula, as salas de aula não tem tamanho suficiente para a quantidade de alunos. Os linóleos estão rasgados, as carteiras quebradas e as estruturas de iluminação enferrujadas. 

Alunos do Palácio das Artes protestam por melhores condições. Crédito: Tainá Silveira

Quadro de Professores Reduzido

Desde maio do ano passado o Menos Palácio Mais Artes faz tentativas de negociação com a Fundação Clóvis Salgado para mudar a situação. No entanto, nada foi efetivado de maneira prática. Segundo Kátia Carneiro, diretora de Planejamento, Gestão e Finanças da FCS, em 2015 foi realizado um concurso que nomeou 55 professores. Poucos tomaram posse e a medida não foi suficiente.

Apenas o quadro de professores dos cursos de dança e música foi reposto. Mesmo assim os alunos destacam que perderam grande parte do semestre. Não há previsão para reposição das aulas e as designações só garantem professores até dezembro de 2017. Já no curso de teatro não houve sequer designação.

Segundo Kátia Carneiro, como medida inicial para resolver as questões estruturais da escola, a administração cedeu espaço aumentando em 33% a área física do Cefar(t). Entretanto, há alguns problemas de manutenção. Por isso a Secretaria de Cultura, o Presidente da Fundação Clóvis Salgado, Augusto Nunes-Filho, e a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão – Seplag, destinaram o prédio do extinto Departamento Estadual de Telecomunicações – Detel, para o funcionamento de parte da escola.

O edifício de quatro mil metros quadrados, localizado na Avenida dos Andradas ao lado da Serraria Souza Pinto, funcionará como um anexo. “A gente acha importante essa integração entre os equipamentos culturais da cidade, mas de fácil acesso, porque atravessando por dentro do Parque Municipal a gente já está de frente para este imóvel”, completa Kátia.

 

As Movimentações

Desde o início do movimento os alunos e a comunidade artística de BH, fizeram manifestações através de assembleias, aulas abertas e vídeos com depoimentos disponibilizados em sua página do Facebook. De todas as discussões promovidas pelo movimento, Augusto Nunes-Filho esteve presente em apenas uma. As respostas dadas, seja por ele ou por outros representantes, sempre se pautaram em justificativas burocráticas. Os gestores não demonstraram interesse político em solucionar as demandas dos alunos. O movimento não descarta a possibilidade de realizar uma ocupação permanente.

Segundo Bremmer Guimarães, aluno do segundo ano de teatro, quando as manifestações começaram, o cargo diretor do Cefar(t) era ocupado por Roger Vieira que foi exonerado sem explicações. Em seguida, Cibele Navarro ocupou o posto e após um ano também foi exonerada sem justificativas.

O atual diretor é Vilmar Pereira de Sousa, professor de geografia e psicólogo, que demonstrou não entender as demandas de uma escola de artes. “Ao chegar, disse que nunca havia visto uma sala de aula com linóleo onde os alunos precisam tirar os sapatos”, completa Bremmer.

Audiência Pública

O Movimento Menos Palácio Mais Artes tem mantido ações frequentes para demonstrar sua resistência e fazer reivindicações. Uma das iniciativas foi uma longa reunião na Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foram quatro exaustivas horas de duração, mas todos os pedidos do Movimento Menos Palácio Mais Artes foram requeridos pelos parlamentares.

Possivelmente todos os requerimentos formais só sairão da Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais em agosto. Isso se deve ao recesso parlamentar dos deputados.

*Com a supervisão de Carolina Braga