29 maio 2017

Skank e Céu celebram Jorge Ben Jor em noite sem surpresas e hits enfileirados na Praça da Estação

Carolina Braga e Larissa Vasconcelos

Quem compareceu à Praça da Estação para ver o encontro entre Jorge Ben Jor, Skank e Céu dificilmente saiu de lá conhecendo algo novo. Foram quase três horas de show. Foram quase 180 minutos de hits ininterruptos. Se não teve novidade, sobraram constatações. Que força é essa que o repertório de Jorge Ben Jor tem? Precisa de prova maior sobre a relevância da homenagem?

Desde o lançamento de Samba esquema novo (1963) Jorge Ben Jor acumula canções que entraram para a trilha sonora de qualquer brasileiro. Skank e Céu só sublinharam isso, cada um à sua maneira. Era tanta música para tocar que ficou faltando aquele momento de bate-bola entre artista e plateia. Ok, ok… Jorge Ben não é muito de fala. Bastava olhar para ele e entender: tudo aquilo ali estava ao agrado.

O show

Como esperado ‘Nivea celebra Jorge Benjor’ foi tão animado, colorido e cheio de energia tal como é o repertório do homenageado. Skank abriu a maratona com O dia que o sol declarou seu amor pela terra (1981). Impressionou o quão a vontade Samuel Rosa estava com o repertório. Nas versões da banda mineira havia tanto a marca de Ben Jor como a do Skank.

Céu logo apareceu para cantar junto com os mineiros País tropical (1969). Classicão! Super elegante – e iluminada – em um vestido azul brilhante, marcou mais pela postura no palco do que pela extensão vocal. Não foi algo exclusivo do show em BH. Na estreia do projeto, em Recife, o Diário de Pernambuco contou que a cantora ainda procurava um tom. A busca continua.

Marcado para 16h30 o show começou só um pouquinho depois disso. Terminou às 19h30. Ufa! Ao todo foram 27 canções. Jorge Ben Jor e a banda do Zé Pretinho entraram na 14a e ali ficaram até o final. Jorge da Capadócia (1975) marcou a entrada deles. Antes disso tivemos Que Pena, Balança Pema, Oba, la vem ela, Menina mulher da pele preta dentre outras. Oé oé faz o carro de boi na estrada foi apresentada por Samuel Rosa como a composição “mais mineira desse carioca da gema”.

ESTRUTURA

Um dos diferenciais do evento foi o palco. Pareceu bem maior do que os outros montados na Praça da Estação, com um gigantesco painel de led, dividido em sete partes. Uma grande central e sete nas laterais. As imagens estavam em sintonia total com ritmo das canções e a temática. A diretora artística do espetáculo aproveitou para colocar na tela a paixão do homenageado pela sétima arte.

A noite caiu e com ela as cores da celebração de Jorge Ben Jor ficaram mais marcantes. Os tons predominantes eram branco e azul, uma referência óbvia à marca do patrocinador. Não vamos esquecer: a bela homenagem é também uma grande estratégia de marketing.

Foram poucos os momentos de respiros entre uma canção e outra. Nas breves pausas de uma música para outra foi marcado por gritos de indignação com a situação política do país, como por exemplo “Fora Temer”, mas não foi incitado em momento algum pelos artistas.

A sensação de quem saiu do evento e é que não tinha como dar errado, um show, num fim de tarde de domingo, com som e luzes impecáveis e grandes sucessos. Sensação de tempo ganho. Tempo bem gasto.

Continua após a publicidade

 

Repertório

  1. O dia em que o sol declarou seu amor pela terra
  2. País Tropical (Skank e Céu)
  3. Cabelo (Skank e Céu)
  4. Que Pena (Skank e Céu)
  5. Oé oé faz o carro de boi na estrada (Skank)
  6. Oba, Lá Vem Ela (Skank)
  7. Balança Pema (Skank)
  8. Menina mulher da pele preta (Skank)
  9. Minha Teimosia, Uma Arma pra te Conquistar (Skank)
  10. Os alquimistas estão chegando (Skank e Céu)
  11. O telefone tocou novamente (Skank e Céu)
  12. Chove Chuva (Skank e Céu)
  13. Xica Da Silva (Skank e Céu)
  14. Jorge da Capadócia (Skank e Céu)

  15. Cadê O Penalty? (Skank)
  16. A banda do Zé Pretinho
  17. Que Maravilha / Magnólia / Ive Brussel
  18. Quero toda noite
  19. Santa Clara Clareou / Zazueira / A Minha Menina
  20. Por causa de você, menina
  21. Mas que Nada
  22. Zumbi / Bebete Vambora / Take it Easy My Brother Charlie (Céu)
  23. W/Brasil (Céu)
  24. Umbabarauma / Fio Maravilha (Skank)
  25. O Homem Da Gravata Florida (Skank e Céu)
  26. Taj Mahal (Skank e Céu)
  27. País Tropical / Spirogyra Story (Skank e Céu)

Gostou? Compartilhe!

Artigos Relacionados

Orquestra Filarmônica é ovacionada em concerto comemorativo de 10 anos

Já se passaram quase 24 horas. O domingo foi intenso e nem por isso os acordes da Sinfonia nº 9 de Beethoven (1770-1827), apresentada pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais na noite de sábado, se apagam na minha memória. Salve, salve! A Orquestra terminou a apresentação merecidamente ovacionada. Quem me dera ter todas as habilidades […]

Leia Mais

Jojo Todynho: a dona do hit que explodiu a internet brasileira

Por Thiago Fonseca* Preta, gorda, favelada e dona do hit mais estourado do Brasil. Jojo Maronttinni, mais conhecida como Jojo Todynho, se define assim. Bombada na internet com a música “Que Tiro Foi Esse?”, a cantora ainda não teve tempo de entender tudo o que está se passando na vida dela. É show seguido de […]

Leia Mais

Orquesta Atípica de Lhamas abre VAC em grande estilo ao lado de Maria Alcina

  A cantora Maria Alcina é mesmo um poder. Mas isso a gente já sabia há tempos. Por isso, a pergunta que fica depois da abertura do Verão Arte Contemporânea é: que potência é essa da Orquesta Atípica de Lhamas, minha gente?!? A “cerimônia” de abertura do Verão Arte Contemporânea foi em grande estilo. Depois […]

Leia Mais